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«A NOSSA INDÚSTRIA BATEU NO FUNDO!»

- Sublinhou António Bastos, Delegado Distrital do Porto

António Bastos, Delegado Distrital do Porto e Vice-Presidente do Conselho de Delegados nos Órgãos Sociais da ANTRAL, é sócio-gerente da Associada Neves Jesus & Companhia Lda., uma empresa sedeada na Póvoa do Varzim que opera com uma viatura táxi, conduzida pelo próprio industrial e mais um motorista.

Os problemas com que o sector se debate são hoje quase inumeráveis, mas para o Delegado Distrital do Porto, o maior, talvez seja mesmo a concorrência desleal movida pelo transporte clandestino: «há uns anos atrás fiz parte daquela grande manifestação na ponte internacional de Valença contra os transportes clandestinos. A verdade é que os transportes clandestinos continuam a proliferar nas nossas estradas, a polícia passa por eles e nada faz. As vítimas somos nós por vezes, quando estamos em aeroportos ou em estações de caminhos-de-ferro e somos fiscalizados para verem se passamos facturas aos clientes. A verdade é que nos aeroportos e estações da CP os clandestinos continuam a trabalhar impunemente recebendo dinheiro nas barbas das autoridades, como aliás em toda a parte, e ninguém quer saber. Os clandestinos passam, sistematicamente, todos os dias nas mesmas estradas, as autoridades vêem-nos cheios de passageiros e, parece impossível, ninguém os manda parar».

Nas palavras de António Bastos, o PEC: «é um dos castigos que a Ministra das Finanças nos deu» - considerando que o principal problema gerado por este “imposto” é a fraca rentabilidade do sector - : «a nossa indústria bateu no fundo, qualquer pessoa que passe nas praças de táxis, hoje em dia, vê-las sempre cheias. É impossível hoje um táxi andar a circular nas ruas à procura de clientes, porque já não cliente que levante o dedo. Na Póvoa de Varzim, nós temos uma postura para 28 táxis e chegam a estar todos à volta da rotunda, porque não têm onde estacionar».

«O serviço teve uma quebra de cerca de 50%, nós chegamos a trabalhar 12 horas seguidas e nem sequer conseguimos facturar 50 •. E não se julgue que é um problema deste ou daquele. Isto passasse de norte a sul do país e de este a oeste. É nacional!... A nossa indústria que caiu numa crise profunda» - lamentou o Delegado Distrital do Porto.

Segundo António Bastos: «alguém tem muita responsabilidade neste País por não se aperceberem que os industriais de táxis já não têm rentabilidade profissional. Esta Direcção da ANTRAL tudo tem feito para melhorar isto, só que, na minha opinião é uma tarefa quase impossível».

O Delegado Distrital do Porto lança um apelo a todos os colegas para que tenham muita coragem para enfrentar o futuro neste difícil, porque acredita que: «com muito trabalho ainda é possível assegurar o futuro para esta indústria».

PORTO

“Uma obra-prima do génio criativo da humanidade”

No dia 5 de Dezembro de 1996, na cidade mexicana de Mérida, a cidade do Porto deu um passo gigantesco, no sentido do seu reconhecimento internacional, quando a UNESCO elegeu o Centro Histórico do Porto a Património Mundial da Humanidade.

RibeiraO mínimo que se pode dizer é que este distintíssimo título é um prémio justo para o extraordinário legado patrimonial da cidade do Porto, que sucessivas gerações de urbanistas, arquitectos e arqueólogos têm sabido preservar e acarinhar, com particular destaque para o trabalho desenvolvido na última década. Daí que não seja de estranhar que a UNESCO se refira à cidade nestes moldes: «o Centro Histórico do Porto constitui uma obra-prima do génio criativo da humanidade. Interesses comerciais, agrícolas e demográficos, convergiram aqui para obrigar uma população capaz de construir a cidade. O resultado é uma obra de arte única de elevado valor estético ».

Uma vez que seria tarefa impossível enumerar- mos aqui nesta curta reportagem o vasto património histórico da cidade do Porto, não deixamos no entanto de a ele nos referirmos cientes de que muita coisa importante ficará de fora.

A Historiadora Anni Gunther Nonell, refere-se à criação da cidade do Porto da seguinte forma: «na margem direita do Douro formou-se a cidade de Portucale, adaptada ao sítio e ao povoamento existente; ocupou o castro que se implantava no morro da Penaventosa para controlo militar da travessia e desembarque do rio. Foi sede episcopal de suevos e visigógitos e núcleo principal de um território cujo povoamento se dispersava por “villas” rurais, ermidas e mosteiros, já nos séculos IX e X».

Daqui se depreende que mesmo antes da fundação do reino portucalense a cidade do Porto já detinha uma função estratégica fundamental em toda a região territorial onde mais tarde acabaria por nascer Portugal.

PORTO MONUMENTAL

Entre os principais monumento da cidade figuram a velha Sé Catedral, uma construção românica do séc. XII; a Torre e Igreja dos Clérigos, “exlibris” da cidade, obra prima do célebre Nasoni, um dos mais prestigiados arquitectos italianos do séc. XVIII; a Igreja de S. Francisco, dotada dum conjunto notável de retábulos em talha dourada; também a Igreja dos Terceiros do Carmo, com uma original frontaria em estilo rococó, expõe um magnífico altar-mor em talha dourada. O único templo cem por cento românico da invicta é a modesta, embora encantadora, igreja de São Martinho de Cedofeita, construída no séc. XII pela ordem de Santo Agostinho.

Entre os edifícios civis destacam-se o Palácio da Bolsa, construído em meados do séc. XIX. O edifício da Alfândega, que alberga hoje o Museu dos Transportes, e constitui um verdadeiro espaço pluri-cultural. O edifício da Câmara Municipal, verdadeiro palácio comunal com uma torre de 70 metros de altura onde sobressai um belíssimo relógio de carrilhão. A Estação de S. Bento, um projecto de Marques da Silva cuja construção foi iniciada em 1900, expondo um conjunto notável de painéis de azulejos. Do período moderno assinala-se o Palácio de Cristal, uma obra de 1951 que substituiu a anterior, datada de 1865.

Igreja de S. FranciscoMuseus como o de Soares dos Reis e Fundação de Serralves figuram entre os melhores do país.

O PORTO DE HOJE

A área metropolitana do Porto conta presentemente cerca de 1,5 milhões de habitantes, tendo- se verificado um crescimento demográfico nos últimos 30 anos no distrito do Porto de aproximadamente 40%. Porém, nas 15 freguesias da cidade não residem mais de 300 000 pessoas, população idêntica em número ao da vizinha cidade de Vila Nova de Gaia, que se estende na margem sul do Douro.

Com uma presença importante no tecido empresarial português, a área metropolitano do Porto é fértil em indústrias do sector têxtil, confecções e calçado. Curiosamente, tanto em termos de percentagem do emprego nacional como do valor acrescentado bruto, existe um enorme equilíbrio entre os concelhos do Porto, Gaia e Vila do Conde.

Nos últimos anos foram criadas importante infra-estruturas de acesso à cidade do Porto, sobretudo aquelas que se prendem com o sector rodoviário, nomeadamente a Ponte do Freixo, as A 3 e A 4, alguns itinerários complementares. Também a nove ponte ferroviária de S. João, que substituiu a centenária ponte Maria Pia, por onde num futuro não muito longínquo cruzarão o Douro os velozes TGV.

Se o turismo já era uma actividade importante no Porto desde que a cidade ascendeu a Património Mundial a curiosidade dos viajantes pela “invicta” aguçou- se ainda mais. Entre a oferta turística de excelência estão hoje na moda fantásticos cruzeiros no Douro e visitas guiadas às caves do famoso Vinho do Porto, em Gaia. Para quem gosta de animação nocturna a Ribeira continua a ser o local da cidade que exerce maior atracção sobre os noctívagos.

João Cerqueira


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