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Transportes em ruptura

 

Os brutais aumentos, a que foram sujeitos os produtos petrolíferos após a liberalização dos seus preços, implicaram um aumento destes que atingiram nos fins de Abril os seus preços máximos dos últimos 13 anos. Como se isso não fosse motivo bastante para nos preocupar, foi ainda admitido como mais que provável, pelo Senhor Claude Mandil, Director da Agência Internacional de Energia, um novo choque petrolífero, que ao fazer disparar o preço do crude teria como consequência inevitável o abrandamento do crescimento da economia mundial.

É preocupante esta conjuntura, mas mais preocupante são as consequências provocadas por este neoliberalismo económico, ao permitir que sectores chaves da vida económica deste país decidam sem entraves a sua politica comercial, indiferentes aos lucros fabulosos que arrecadam e à instabilidade profunda em que mergulham sectores que pela sua debilidade financeira são fortemente dependentes de três dos principais sectores vitais da nossa economia, ou seja, banca, seguradoras e companhias petrolíferas.

São estes, os principais fornecedores dos transportadores rodoviários que teimam a, independentemente dos indicadores inflacionários, decidirem estratégias comerciais fortemente penalizantes para toda a economia nacional, e que levam à descapitalização das transportadoras rodoviárias limitando consequentemente as suas estratégias de desenvolvimento e modernização.

Fruto destas condições de exploração adversas, são os transportadores continuamente confrontados com a necessidade de actualizarem os seus tarifários para fazerem face aos aumentos dos custos de produção, todavia chegamos a uma situação preocupante e de ruptura, pois, os nossos utilizadores já não têm poder económico suficiente nem disponibilidades financeiras capazes que lhes permitam consumir os serviços prestados pelo nosso sector, nomeadamente o subsector dos táxis, e por outro lado, a tutela tarda em tomar medidas correctoras e disciplinadoras dos nossos principais fornecedores – banca, seguradoras e companhias petrolíferas – que na ausência destas continuam indiferentes às dificuldades sentidas pelo tecido empresarial nacional acumulando lucros estrondosos e assim, asfixiando toda uma economia já de si recessiva e debilitada.

A gravidade da situação criada nos últimos meses levou, a que numa tomada de consciência conjunta dos graves problemas que afectam este sector, a ANTRAL, ANTRAM e ANTROP, sócios fundadores da Federação Portuguesa dos Transportadores Rodoviários, se unissem em volta desta Federação para em conjunto iniciarem um processo que sendo reivindicativo, não deixa de ser também de diálogo.

Estamos claramente a uma só voz, e na convicção firme da justiça dos nossos argumentos e anseios, que terão que ter por parte da tutela uma resposta positiva e satisfatória, pois só assim poderemos enfrentar o futuro com alguma serenidade.

Urge, a assunção por parte das entidades governamentais de uma nova politica de transportes que leve ao desenvolvimento sustentado dos mesmos, e que terá que forçosamente de limitar a carga fiscal que onera este sector, permitindo o incremento do seu consumo, a renovação da sua frota e consequentemente a estabilidade económica, empresarial e de emprego de todos aqueles que de algum modo estão ligados a este importante ramo da vida económica nacional.

Estou convicto, de que só medidas fortes e estruturais tirarão o sector do marasmo e do atoleiro em que se encontra neste momento, por isso aproveito para nas páginas desta revista lançar um apelo aos nossos governantes:

HAJA CORAGEM

Florêncio Plácido de Almeida
Presidente da Direcção


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