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Aumento de tarifas
- um mal necessário

A actual conjuntura económica recessiva, obriga a que qualquer decisão sobre as alterações ao tarifário em vigor nos táxis, tenha de ser ponderada e bem calculada, para que os seus reflexos não se tornem perniciosas à nossa actividade.

Assim, depois de muita ponderação e uma análise profunda aos custos de produção da actividade, decidiu a direcção da ANTRAL denunciar em devido tempo a Convenção de Preços, não descurando, o facto de estes aumentos de carácter nacional terem reflexos não uniformes em todo o país, pois existem regiões que devido aos elevados números de falências e nível de desemprego são atingidas com particular gravidade pela actual situação económica.

Conseguiu-se o aumento possível, por ser justo e equilibrado.

Todavia, diz a experiência de que os aumentos não são a solução ideal, mas sim meros paliativos que adiam as grandes soluções, pois não nos devemos esquecer, que desde o 25 de Abril anualmente, e algumas vezes menos, tivemos agravamentos que chegaram a atingir 50% e que sistematicamente por ser absorvidas pela inflação, cujo índice está sempre presente nas nossas negociações tarifárias, mas que infelizmente não é tido em conta pelos principais fornecedores do sector, nomeadamente seguradoras e oficinas nas actualizações dos seus preçários.

Assiste-se neste momento, a um decréscimo acentuado na procura dos nossos serviços, fruto de uma diminuição do poder de compra dos portugueses, mas também, da adopção de um comportamento delituosos por parte de alguns (poucos) elementos que operam no nosso sector aproveitado pela comunicação social para a difusão generalizada de uma imagem negativa da nossa classe.

Assim, torna-se imperativo, a aplicação das medidas correctivas (previstas pela lei), com o objectivo de expurgar o sector daqueles que adoptam comportamentos conscientemente delituosos, permitindo assim, a credibilitação e dignificação da imagem dos restantes, que nada tendo a haver com estas condutas desviantes acabam também por sentir os seus nefastos reflexos.

É também urgente, a tomada de medidas económicas que levem ao incremento do consumo do serviço de táxi, tornando-o acessível à generalidade da população, nomeadamente aquela que tem menos poder de compra, contribuindo de igual modo, para desincentivar o transporte particular nos grandes centros urbanos.

Estas medidas já reclamadas por anteriores e actual direcção da ANTRAL, terão forçosamente de passar pela isenção total de Imposto Automóvel, e o não pagamento do IVA à cabeça na compra de viaturas novas, aliadas à introdução do gasóleo profissional e ao imposto por viatura baseado num estudo ténico-científico sério e credível, que defina claramente as assimetrias de rentabilidade dos táxis em todo o território nacional.

Devem também as autoridades, criar mecanismos de controlo dos preçários dos nossos principais fornecedores, evitando assim, que possam existir tentativas de cartelização por parte destes na comercialização dos seus produtos.

São medidas inovadoras e corajosas, estas que devem ser tomadas pelos nossos governantes, tendo em conta o verdadeiro público que o nosso sector tem no quotidiano dos portugueses e que Eu, pessoalmente ainda não perdi a esperança de as ver implementadas, porque como diz o velho ditado:

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”

CONFIEMOS NO FUTURO

José Monteiro
Director da Revista


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