Que
associações
humanitárias?
Depois
de terminar um dia desgastante de trabalho e chegado ao parque
onde estaciono o meu carro, a chuva era tanta que acabei por
ficar cerca de uma hora até que pudesse sair sem me
molhar.
Mas para que os colegas compreendam esta introdução
começo por vos dizer que tinha recebido nesse dia o
jornal das Liga dos Bombeiros Portugueses e, quando pego para
começar a ler, deparo logo na 1ª página
com esta notícia “Bombeiros Mal de Saúde”,
remetendo o desenvolvimento da notícia para as páginas
nºs 12 a 14.
De imediato, abri o jornal na página referida e depois
de lida atentamente a notícia, nem queria acreditar
nas conclusões que qualquer leitor tiraria da leitura
feita.
Na verdade, no jornal da Liga dos bombeiros, numa notícia
subordinada ao título “Bombeiros mal de saúde”,
seria lógico encontrar uma série de considerações
sobre a falta de meios humanos e materiais com que se debatem
as corporações, seria lógico encontrar
comentários à necessidade de formação
específica, relativamente ao combate a certos fogos,
seria lógico encontrar comentários sobre auto-tanques
e outros equipamentos de combate a incêndios, etc..
Mas não, o que lemos parece ser uma notícia
relativa a uma empresa de transportes.
São queixas de preços baixos, de atrasos nos
pagamentos de entrega de serviços a outras empresas,
etc. Sinceramente fiquei meditando em tudo o que tinha acabado
de ler e cheguei a esta conclusão: já não
há vergonha, como é possível esquecer-se
que a missão principal dos bombeiros é socorrer
as populações e não concorrerem em transportes.
Quem deve estar agradecido a esta situação
é o Ministro da Administração Interna
que, assim, deixa o financiamento das corporações
por conta do Serviço Nacional de Saúde.
Tenhamos fé, no entanto, que o governo tenha a necessária
coragem política para criar as condições
que permitam optimizar por um lado o socorro das populações
em situação de emergência e por outro
o transporte dos utentes na melhor relação qualidade/preço.
A esperança é a última a morrer. Proximamente,
voltaremos a este assunto.
Florêncio Plácido de Almeida
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