
Segurança nos táxis
O
Segurança nos táxis
brutal assassinato do nosso associado,
Manuel Mota de Oliveira, ocorrido na
cidade do Porto, não nos pode deixar
indiferentes, neste momento de luto e de dor, que
creio ser sinceramente partilhado por todos aqueles
que labutam no sector.
Porém, este trágico acontecimento, obriganos,
mais uma vez, a questionar e a responsabilizar
a atitude da classe política pela omissão demonstrada
no que se refere à implementação de
medidas eficazes quanto à segurança dos motoristas
de táxi. Sabemos bem que a segurança
dos motoristas
de táxi se deve enquadrar na problemática geral
da segurança dos cidadãos, pois a falta desta é um
problema que, infelizmente, atravessa transversalmente
toda a sociedade em geral e que deveria
merecer uma reflexão profunda por parte dos nossos
governantes, nomeadamente quanto às suas
causas e à sua eliminação.
Mas, é bem evidente que este grupo profissional
apresenta uma especial vulnerabilidade que
impõe a adopção de medidas legais específicas.
Nesse sentido apontava a lei 6/98, de 31 de
Janeiro, que nunca foi completamente regulamentada,
desta apenas se regulamentou a instalação
do vidro separador.
Com efeito, previa-se também naquele diploma,
que nas áreas correspondentes aos comandos
metropolitanos e distritais da PSP, nas quais fosse
tecnologicamente possível, a criação de um
serviço de alerta a cargo da PSP, constituído pela
disponibilização de um sistema de comunicações
via satélite (GPS) e SOS rádio, entre os veículos
ligeiros de passageiros de aluguer e uma central
daquela força de segurança.
O referido serviço possibilitaria assim, uma comunicação
directa à Polícia de Segurança Pública
de qualquer ocorrência que justificasse uma intervenção
urgente das forças de segurança.
Previa-se, ainda, nesse decreto-lei que a aquisição
do equipamento necessário poderia ser objecto
de comparticipação financeira por parte do
Estado até 50% do respectivo valor, em termos a
regulamentar.
Porém nunca surgiu esta regulamentação, o que
levou a que a ANTRAL substituindo-se ao próprio
estado e após algumas vicissitudes, nomeadamente
a morte do mentor de uma primeira parceria
com a SEGUROMÓVEL, tenha desenvolvido
nas suas próprias instalações e em parceria
com a JAM, a sua própria central de segurança
que não contando com o apoio logístico ou financeiro
por parte do estado acabou por, felizmente
colher apoios em algumas autarquias, nomeadamente,
Lisboa, Vila Nova de Famalicão e
Albufeira que acabaram com a sua adesão por dar
algum alento a este projecto.
Foi a maneira que encontramos para responder
ao aumento de gravidade dos incidentes verificados
com os motoristas de táxi, trabalho, investigação
e desenvolvimento, e que obrigou a
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um grande esforço financeiro por parte da nossa
associação. De salientar, que a Antral
não esteve, não está,
nem por certo nunca estará, contra a instalação
do vidro separador. A Antral está, sim, contra a
obrigatoriedade da sua instalação, como alguns
pretendem. A Antral entende que o industrial é
livre de escolher o acessório que melhor sirva as
suas necessidades, consoante a especificidade do
seu serviço, a sua capacidade financeira e a área
da sua actuação.
Sabemos que nenhum dos sistemas de segurança
é
absolutamente eficaz, mas o que nos parece
mais fiável é o que alia o GPS à vídeo-vigilância.
Já tivemos oportunidade de referir esta posição
em várias audiências, concedidas por vários
membros dos últimos governos, no entanto lamentamos
que, aquando da discussão no Parlamento
da República da lei 6/98, de 31 de Janeiro,
José Monteiro
a classe politica não tenha tido a coragem suficiente
para introduzir nesta lei o sistema de vídeovigilância
nos táxis, receavam estes que esta autorização
fosse uma invasão da privacidade dos
nossos utentes, à qual nós contrapúnhamos
com
o argumento de que as imagens recolhidas seriam
encriptadas e só poderiam ser visionadas pelas
autoridades.
No momento em que estou a escrever este artigo,
o assassino do nosso companheiro ainda se
encontra fugido à justiça, e poderá quem sabe,
voltar a cometer o mesmo acto, contudo uma
certeza eu tenho, a dificuldade com que a Polícia
Judiciária luta para ter a imagem deste criminoso,
poderia ser eliminada se a vídeo-vigilância nos táxis
fosse uma realidade.
Quantas mais mortes terão de ocorrer, para então
se implementar este sistema? 
José Monteiro
Director da Revista |