6° Encontro de Delegados
da
ANTRAL
A ANTRAL leva hoje a efeito mais um Dia do
Táxi, desta vez em Terras de Viriato, na bonita
histórica e monumental cidade de Viseu, aproveitando
esta celebração, para reunir o seu Conselho de
Delegados.
Normalmente este Dia serve para fazer uma análise
sobre o sector e uma reflexão sobre os variados problemas
deste ramo, daí que lhe possamos chamar um encontro
entre os mais altos responsáveis oficiais por este sector
e
os vários órgãos da ANTRAL e seus representantes
cobrindo,
assim, todo o território nacional.
Como já sou membro deste Conselho de Delegados
há vários mandatos e não sendo nenhum novato
já assisti
e ouvi, ao longo destes Dias do Táxi, as mais variadas
intervenções de altos responsáveis da DGTT,
da DGV,
das entidades fiscalizadoras e governamentais, cheias de
boas intenções, mas com poucos ou nenhuns resultados
práticos.
Deste modo passo a expor o seguinte, dividindo a minha
intervenção em diversos pontos:
1. A actividade taxista
e a sua situação financeira
O sector encontra-se cada vez mais à beira da falência
principalmente nos distritos do interior e muitos dos chamados
táxis de aldeia só por carolice é que continuam
a
circular e mesmo os das vilas e cidades defendem-se à
custa de uma pesada carga horária trabalhando sábados
e
domingos para poderem aguentar as despesas.
2. A actividade taxista e a fiscalização
Contudo, bastam duas ou três coimas por ano - o que
não é difícil dado o grande número de
vezes que a BT nos
manda parar - para corrermos o risco de chegar ao final do
ano e constatarmos que andamos a trabalhar para o Esta-
6° Encontro de Delegados da
ANTRAL
do. Acrescento que, salvo casos pontuais, não se trata sequer
de infracções graves, mas sim de infracções
leves como
por exemplo o alvará não ter a matrícula da
viatura ou
porque naquele momento não se tem disponível 10 € em
trocos ou pela chapa de residência e ainda o desconhecimento
por parte da BT da lei no que respeita à circulação
de viaturas com mais de 12 anos ou porque devia circular
a 50KM/H e circula a 60 dentro das localidades. Esta
ú
ltima situação é uma grande ratoeira, verificando-se
que
se anda muito mais depressa em Porto ou em Lisboa do
que nas nossas aldeias que, por vezes, têm vários quilómetros
de extensão e a BT coloca o radar logo no início da
localidade e como a sinalização no nosso pais ainda é terceiro-
mundista, o que não acontece nos nossos parceiros
europeus, nos quais aparecem sucessivas placas indicando
de forma decrescente a velocidade a que se pode circular,
somos apanhados à falsa-fé pelas autoridades. Ora,
tendo
o Governo e as autoridades rodoviárias competentes conhecimento
desta situação de má sinalização
nada fazem,
mas compram radares digitais para assim poderem mais
facilmente penalizarem os cidadãos, entre eles os nossos
emigrantes e aqueles que nos visitam que caem como ratos
pela deficiente sinalização.
3. A Transmissão de licenças
A transmissão de licenças deveria ser mais transparente
e menos burocrática. Sempre defendi que todo aquele
que estivesse habilitado a conduzir táxis deveria poder
exercer a actividade como empresário em nome individual,
sem capacidade empresarial, pois é tudo uma forma de
fazer gastar dinheiro e dar emprego a uns quantos. Sou
profissional há 42 anos e não foi o diploma que me
deu
mais capacidade para o exercício da profissão. Acho
que
há outras formas como seja uma avaliação a cargo
de um
júri local que poderia muito bem avaliar a sua capacidade
e idoneidade para o exercício da profissão.
Obrigar os profissionais a deslocarem-se centenas de
quilómetros para serem avaliados num ambiente estranho
é
uma injustiça quer para o avaliado quer para o avaliador,
pois, este teria sempre a vantagem de conhecer o seu comportamento
em sociedade e os seus antecedentes.
4. A renovação da classe
É urgente resolver esta situação. A média
etária da classe
é
superior a 50 anos e há muitos colegas que estão
reformados e continuam a trabalhar porque não têm outros
meios de subsistência e a reforma de 250 € não
lhes dá para
viver com dignidade e outros porque não conseguem vender
os seus direitos de exploração dadas as dificuldades
que
lhes são colocadas para possuir a capacidade empresarial e
o
chamado CAP principalmente para quem for do Interior
que não sente existirem incentivos para entrarem no sector.
Isto dificulta ao máximo a renovação do sector,
a entrada de
sangue novo, e pouco faltará para que não haja ninguém
a
descontar para a Segurança Social pois estamos a caminho
de ser uma classe de reformados.Èpreciso pois desburocratizar
o acesso à profissão o que a acontecer permitiria diminuir
o desemprego e aumentar as contribuições para a Segurança
Social. Aqui fica o meu apelo a que nos governa: não
nos obriguem a trabalhar até aos 80 anos, por isso deixemnos
transaccionar os nossos direitos para podermos ter uma
reforma com alguma dignidade.
5. A concorrência desleal
dos carros-piratas
Este sector é vítima do desinteresse da ANTRAL e
dos sucessivos governos pois nada tem sido feito para
acabar com este escândalo nacional. Fala-se muito em
combater a fraude e a evasão fiscais praticada pelo mercado
paralelo. Na verdade, na minha opinião grande percentagem da
crise que vivemos deve-se à existência dos transportes
clandestinos. Não há ninguém que os fiscalize.
Antes
pelo contrário: se vier uma "carrinha pirata" como
nós as
identificamos e um táxi, a BT manda parar o táxi e a
carrinha
é
mandada seguir. Este é um facto que posso provar
pois, na qualidade de Delegado Distrital, várias vezes o
denunciei aos agentes fiscalizadores correndo o risco de
ser mal interpretado e recebendo sempre a mesma desculpa
de que os efectivos são insuficientes e que é difícilprovar
a ilicitude do transporte, etc. Ora estas carrinhas estão
identificadas com reclamos e frases que anunciam o transporte
e outras são de agências de viagem que as publicitam
através de cartões e das rádios locais. Chegam-se
a juntar 8,
9 ou 10 carrinhas, todas elas identificadas e a BT pouco se
preocupa. Com elas está tudo certo. O que já está mal
para
a BT é se um taxista não levar os 10€ em trocos.
Aí é que a
porca torce o rabo e a nossa carteira fica mais vazia e o
mesmo acontece se o extintor tiver um mísero arranhão.
Toma lá mais uma coima e é se queres! E o rol de exemplos
seria infindável. Ora, nós pagamos os impostos devidos
e os
clandestinos é que trabalham sem CAP, sem capacidade
empresarial, sem quaisquer obrigações incluindo mesmo
a
falta de seguros de cobertura de passageiros com as consequências
que conhecemos quando ocorre um acidente com
feridos ou mortos nos quais as companhias de seguros declinam
de imediato qualquer responsabilidade.
6. A concorrência desleal
das ambulâncias
As ambulâncias, muitas delas sem CAP e sem alvará,
têm carrinhas de 9 lugares, fazendo vários serviços
ao mesmo
tempo, substituindo os táxis e ninguém tem coragem
de pôr um ponto final a esta situação de perfeita
ilegalidade,
não só de bombeiros como de particulares, exigindo
o
cumprimento da lei.
7. A segurança
Quero deixar aqui expressa a posição do meu distrito
e
do de Bragança. Embora nada tenhamos contra aqueles
que defendem o uso de separador nós não estamos nada
interessados na sua aquisição. Entendemos que o GPS,
o
vidro de segurança e o SOS deveriam ser facultativos.Com
estes sistemas ou com outros infelizmente para a classe os
assaltos vão continuar e o risco é de quem faz a sua
opção
profissional. Por isso não estamos disponíveis para
gastar
dinheiro em demagogias para defender o Governo e o
sistema judicial. O que nós defendemos é o agravamento
das penas e a prisão imediata dos criminosos. Aliás,
se
houvesse sistemas de segurança eficazes nenhum banco
seria assaltado.
8. A desejável fusão
entre
a DGTT e a DGV
Deixava a sugestão à direcção da ANTRAL
de que
esta deveria defender junto do Governo a fusão entre a
DGTGT e a DGV. Com esta fusão a classe seria muito
beneficiada em termos de operacionalidade. Sei que esta
sugestão mexe com interesses instalados mas temos de
descentralizar os serviços como fazem os nossos parceiros
europeus, aproveitando todos os recursos humanos e
materiais, além dos custos que isto acarreta para o País.
Eu sei que não agradável dizer isto, mas acho que chegou
a hora de dizermos o que sentimos para bem dos cidadãos
e do País.
9. A taxa municipal
de renovação das licenças
Aproveitando a presença do senhor Presidente da Câmara
Municipal de Viseu, que é em simultâneo Presidente
da ANMP, não posso deixar de lhe fazer um pedido: sugira
aos senhores Presidentes de Câmara, principalmente
do interior, para serem mais moderados no valor das taxas
de renovação das licenças e de substituição
de viaturas.
Sugeria que fossem adoptados critérios mais justos e uniformes.
Assim, para as Zonas Metropolitanas de Lisboa e
do Porto: 1º escalão; para as capitais de distrito: 2º escalão;
para as cidades intermédias: 3º escalão; para
s vilas: 4º escalão.
Entendo que assim seria mais justo pois a disparidade
das taxas é tão grande que chega a ser um escândalo:
houve Câmaras que nada cobraram como a de Bragança
e outras que cobraram 150€ como a de Ribeira de
Pena. Neste caso os colegas só depois de pagar é que
transmitiram o que se tinha passado e nada pude fazer.
Noutros casos foi-me possível dialogar com os senhores
Presidentes de Câmara e sensibilizá-los para a delicadeza
da situação, como foi o caso de Chaves, Valpaços,
Vila
Real, entre outros, e foi fácil chegar a um entendimento
e colocar as taxas a 20 €. O mesmo não posso dizer das
Câmaras de Montalegre e de Murça que mantiveram
valores mais elevados.
10. A descentralização
da ANTRAL
e a Protaxisó - Actuação e linha de rumo
O Senhor Presidente deu-nos conhecimento de que
ia abrir uma Delegação da ANTRAL em Viseu, sua terra
natal. Na linha de descentralização que sempre defendemos
estamos a favor da decisão tomada, mas para quando
a abertura da Delegação em Vila Real, para servir
todo o Interior Transmontano? As excelentes instalações
da ANTRAL em Lisboa e no Porto provocam nos associados
do Interior uma sensação de mal-estar, pois vêem
tanto luxo e tantos funcionários mas isso a eles diz-lhe
pouca coisa. A ANTRAL criou a PROTAXISÓ e deu
formação a milhares de profissionais uns sócios
e outros
não sócios. Eu pergunto: onde e como foram beneficiados
os sócios? Por que não houve discriminação
positiva
a favor dos sócios? Ouvi muitos sócios a protestar
pelos
preços serem iguais para todos. A PROTAXISÓ ou a
ANTRAL perderam uma boa oportunidade de mostrar
respeito e sentido de justiça pelos sócios do Interior,
pois
esqueceu-se de que estes são contribuintes líquidos,
que
pagam as quotas iguais às dos sócios do Litoral, onde
há
Delegações, o que infelizmente não é o
nosso caso. O
mesmo já se passou com as lanternas e os taxímetros.
Só
foram beneficiados os dos grandes centros urbanos, para
não fugir à regra. Por tudo isto aqui deixo o meu protesto
em nome daqueles que represento. Não podemos continuar
com esta situação por mais tempo. As sucessivas
direcções da ANTRAL nunca se preocuparam verdadeiramente
com os Distritos do Interior. Fazem eleições de
3 em 3 anos e pouco mais. Falam muito do gasóleo profissional
mas, até à data, as suas iniciativas têm sido para
sócio ouvir pois, se houvesse uma contestação
contínua,
com várias iniciativas junto dos responsáveis governamentais,
já teriam ganho essa pretensão. Outra situação
criticável é o facto de a ANTRAL permitir que a Federação
do Táxi normalmente com representação do sector
de pouco mais de 10% liderem sempre as reivindicações
do sector, mesmo até perante os órgãos de comunicação
social. Veja-se, por exemplo o novo tarifário: a Direcção
da ANTRAL vem dar conhecimento aos sócios de que a
Federação do Táxi assinou o acordo e, por isso,
também
tiveram de o assinar, apesar de o acordo que a ANTRAL
defendia ser completamente distinto, perdendo-se uma
grande oportunidade. Ora esta situação dá para
rir! Quem
é
que obrigou a ANTRAL a assinar se não era o acordo
que pretendíamos? Até parece que o Sr., Carlos Ramos,
presidente da FTP, é quem dirige a ANTRAL! Sabemos
que o Senhor Presidente, fez como Pilatos, lavando as
mãos deste assunto e delegando no Vice-Presidente a
assinatura do acordo. Pode o Sr.
Presidente da ANTRAL argumentar
o que quiser, como é costume,
que, para mim, esta situação
só tem uma leitura.
Finalmente, permito-me
abordar a difícil situação financeira
que a ANTRAL atravessa.
Durante vários anos as sucessivas
direcções da Associação contribuíram
para uma gestão ruinosa,
cujos resultados estão agora à
vista e que obrigam esta Direcção
da ANTRAL a uma engenharia
financeira que permita satisfazer
as suas obrigações fiscais
para que os seus bens não sejam
penhorados. Pelos vistos, quando
eu levantava nos Conselhos
de Delegados sérias dúvidas e reservas
quanto às contas anuais
apresentadas, não estava, infelizmente,
enganado. Tanto quanto
sabemos demos com um contabilista
habilidoso que apresentava
as contas com pouca transparência
e com um advogado incompetente
e irresponsável que
prejudicou a ANTRAL em muitos
milhares de €. Deste modo, a
Associação, que até podia desfrutar
de uma situação económica
saudável, suportada, em parte, pelos lucros obtidos
pela PROTAXISÓ, vê-se praticamente numa situação
de insolvência e de ingovernabilidade.
A última situação que aqui abordarei prende-se
com o
facto de no Relatório se poder ler que a ANTRAL tem
pressionado a tutela sobre os assuntos mais relevantes,
entre os quais o PEC. Espero, sinceramente, que as pressões
existentes sejam feitas no sentido de que o mesmo
não seja aplicado aos taxistas empresários em nome
individual,
pois, se assim não fosse, teríamos regredido em
relação às conquistas já obtidas no que
ao Pagamento
Especial por Conta respeita, e seríamos obrigados a ter
escrita organizada, supervisionada por um Técnico Oficial
de Contas, com os elevados e incomportáveis custos financeiros
que daí adviriam. 
Viseu, 2 de Julho de 2005
José Pimentel Sarmento
Delegado Distrital de Vila Real |