
A oportunidade perdida
Como sabem, está em vigor desde 16 de Junho,
a nova convenção de preços que a Antral subscreveu
em 7 desse mesmo mês.Como tivemos oportunidade de referir,
a outra associação,
que estava connosco a discutir o tarifário com
a DGE, aceitou a proposta apresentada por esta direcção
geral e subscreveu a convenção em 3 de Junho.
Foi a primeira vez que tal aconteceu e não podemos
deixar de lamentar com veemência esta posição
da outra associação, que, forçando-nos a igualmente
subscrever a convenção, acabou por se traduzir na fragilização
negocial do sector, cuja capacidade reivindicativa
ficou severamente diminuída. Estamos certos de que foi perdida uma oportunidade
que dificilmente voltaremos a ter, para conseguir
introduzir algumas alterações sem as quais dificilmente
se conseguirá a rentabilidade da exploração.
Como foi possível à outra associação
aceitar uma
actualização que nem sequer cobre os custos decorrentes
do agravamento do preço do gasóleo?
Como foi possível à outra associação
aceitar esta
actualização que se traduz numa marginalização
dos
táxis, face aos transportes colectivos, que, com base na
subida do preço dos combustíveis, foram aumentados
em mais de 6,5%?
Como foi possível a outra associação aceitar
o aumento
da metragem para 4.400 m na bandeirada do
serviço ao quilómetro?
Como foi possível a outra associação aceitar
que,
na contratação de um serviço via telefone, na
tarifa ao
km, as viaturas com estacionamento livre ou condicionado
também só possam accionar os taxímetros à porta
do cliente, como se tratasse de um serviço na tarifa
urbana?
Como foi possível à outra associação,
aceitar que,
na tarifa urbana, a metragem das fracções passasse
para
295 m, na tarifa 1, e 245 m na tarifa 2, com um aumento
de 0,01 €?
Como foi possível à outra associação
aceitar a actualização
proposta pela DGE, que, relativamente à tarifa
2, acaba por anular os esforços desenvolvidos para fixar
nos limites legais a distância que a separa da tarifa 1?
Como foi possível à outra associação,
que apregoa
estar na frente da defesa dos interesses do sector, deixar
cair a reivindicação dos nossos colegas do Algarve
que, face à sazonalidade dos serviços, reclamavam uma
bandeirada de 2.000 m?
Caros colegas,
Por falar em defesa intransigente dos interesses da
indústria, lembremos o que se passou com a ainda recente
renegociação do protocolo estabelecido com a
APS(Associação Portuguesa de Seguradores) sobre as
paralisações das nossas viaturas quando intervenientes
em acidentes.
Como sabem, em Julho de 2003, o valor/dia da
paralisação referente a um turno e a viaturas de 4
lugares
e cor padrão passou de 35,80 € para 40,00 €.
E nos 5 anos seguintes, em que o protocolo vigorará,
de Julho a Fevereiro, haverá uma actualização
automática
pela inflação, acrescida de mais 2%. Anteriormente, a outra associação tinha aceite 37,00
€
, o que, como calculam, não deixou de dificultar as
nossas negociações.
Lembremos, também, as iniciativas da Antral para
a negociação com as autarquias de protocolos para financiamento
da aquisição de lanternas e taxímetros, o
que representou um benefício para o sector de muitas
centenas de milhares de Euros.
Igualmente, foi da iniciativa da Antral a celebração
de protocolos sobre a segurança que se traduziu na
instalação de milhares de equipamento GPS, em táxis
de Lisboa, Vila Nova de Famalicão, Albufeira, etc..
Foi também da iniciativa da Antral a contestação
ao
PEC e recordemos que a Antral, como associação apolítica
e responsável que sempre foi, só desconvocou a
concentração marcada para o dia 10 de Julho de 2003
quando recebeu garantias escritas sobre a satisfação
das reivindicações do sector nessa matéria.
Nunca a Antral se deixou seduzir por querelas político
partidárias, as quotas dos associados são exclusivamente
afectadas à defesa dos seus legítimos interesses.
Caros colegas,
A convenção que vai entrar em vigor, não é a
que
a Antral queria e defendia, mas temos de admitir que,
pelo menos, e sem qualquer margem para dúvida, teve
o mérito de permitir reconhecer, mais uma vez, que
quem defende os interesses do sector, que quem luta
pela rentabilização da exploração da
indústria é a
ANTRAL. 
Florêncio de Almeida
Presidente da Antral |