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VISEU

O coração da Beira Alta

“ E esse é mais um dos mistérios da história da cidade: onde nasceu Afonso Henriques?
A tradição, que até hoje nenhum documento contraditou aponta para o Castelo de Guimarães, mas a investigação minuciosa objecta que, no lugar onde hoje é o claustro da catedral, existiam outrora os paços condais e que não é impossível que aí residisse a condessa-rainha quando D. Afonso Henriques nasceu. Seria mais uma condecoração histórica para enaltecer a capital da Beira Alta. Mas Viseu já tem tantos títulos ilustres que bem pode dispensar essa polémica”.

“História de Viseu”
José Hermano Saraiva

«NÓS PRECISÁVAMOS DUMA DELEGAÇÃO DA ANTRAL EM VISEU»

- Sublinhou Almiro Marques, Delegado Distrital de Viseu

Almiro Marques, sócio-gerente da Auto Povidal, uma empresa com 2 viaturas táxi sedeada em Viseu, completa este ano 3 décadas de actividade no sector.

O Delegado Distrital de Viseu salientou que, presentemente: «as dificuldades na nossa actividade são enormes, financeiras, porque cada vez os encargos são maiores, e também no que diz respeito à falta de serviço. Hoje em dia os clientes só apanham um táxi em último recurso».

Esta situação é ainda agravada pelo facto de na cidade de Viseu existirem 59 taxistas, o que na opinião de Almiro Marques é excessivo em termos de contingente, sobretudo numa altura em que o país se encontra mergulhado numa crise profunda: «nós para conseguirmos o mínimo de rentabilidade temos de trabalhar mais de 12 horas».

«Embora considere que a obrigatoriedade de instalação dos taxímetros é uma coisa boa tanto para nós como para o cliente, já que antes alguns colegas faziam descontos e outros cobravam a mais, assim deixa de haver distorções de concorrência, não nos podemos esquecer, no entanto, que isto acarretou uma despesa de cerca de 1000 euros, e com a crise que se vive nós demoramos muito tempo a recuperar esse investimento. Ainda há quem esteja a dever o dinheiro da instalação» - afirmou o Delegado Distrital de Viseu.

Almiro Marques sublinhou o bom relacionamento existente entre os industriais do concelho e o Presidente da Câmara, referindo que está a preparar um documento para apresentar ao Dr. Fernando Ruas, com vista à resolução dos problemas nas praças: «nós precisamos que as praças em Viseu sejam cobertas, a ausência de coberturas faz com que soframos muito no Verão com o calor e no Inverno com as chuvas. Nós e os clientes».

Segundo o Delegado Distrital de Viseu: «mais do que aumentar as tarifas nós precisávamos dum gasóleo profissional. É que os clientes já são tão poucos que se se agrava o preço dos serviços ainda passam a ser menos».

«Nós estamos dependentes da Delegação da ANTRAL em Coimbra para tratar de qualquer problema, o nosso distrito é muito grande, há localidades que ficam muito longe da cidade de Coimbra, e nós precisávamos duma Delegação da ANTRAL em Viseu» - garantiu Almiro Marques.

Apesar de tudo, o Delegado Distrital de Viseu mostrou-se optimista quanto ao futuro: «estou convencido que com a mudança de governo a situação económica do país vai melhorar. E se houver mais dinheiro a circular, se houver mais actividade, os clientes já não se vão retrair tanto para se deslocarem de táxi».

Se algum Associado da ANTRAL do distrito de Viseu precisar de alguma informação, por favor contacte o Delegado Distrital Almiro Marques para o seu telemóvel pessoal: 96 486 2969.

De facto. O "professor" tem razão quando afirma que a cidade de Viseu tem pergaminhos suficientes para não refutar o local de nascimento do nosso rei fundador, mesmo com bons argumentos para esse efeito.

Viseu revela ainda no seu historial vestígios da presença Sueva e Muçulmana. Depois da fundação do reino sabe-se que D. Teresa, já viúva, habitou no paço de Viseu durante alguns anos. Também D. Duarte, o primogénito de D. João I, nasceu nesta cidade tendo, pela primeira vez, realizado uma feira franca que ainda hoje se mantém, evocativa a S. Mateus e já então realizada no campo da ribeira.

A pintura portuguesa no século XVI é profundamente marcada pela Escola de Viseu, pois foi aqui que nasceu e viveu um dos nossos melhores pintores de sempre: popularmente denominado "Grão Vasco" .

A esta cidade encontra-se ligado um dos mais célebres romances de Camilo Castelo Branco, o Amor de Perdição, cuja personagem principal, Simão Botelho, era filho do corregedor de Viseu. Foi também no século passado que o novo centro cívico da cidade se deslocou para o Rossio, onde foi edificada uma moderna praça ajardinada, construindo-se aí os novos Paços do Concelho.

PATRIMÓNIO EDIFICADO

Entre os principais monumentos de Viseu destaca-se o edifício da Sé, cuja imponente imagem altaneira domina praticamente toda a cidade. Alguns especialistas consideram, pelo conjunto, esta catedral como a mais interessante do país, depois das de Évora e Coimbra. Trata-se duma enorme mole granítica de estilo românico na origem, cuja fachada sofreu, no entanto, profundas remodelações nos séculos XVII e XVIII. A abóbada é uma das mais espectaculares do país na sua teia de artesoados em cruzamentos ogivais, obra manuelina de pleno efeito. Destaque também para a sacristia e, sobretudo, o claustro renascentista com elegantes colunatas de capitéis jónicos.

Junto à catedral, o museu Grão Vasco, em edifício anexo do Séc. XVI, apresenta uma das mais importantes colecções de pintura dos últimos 500 anos, começando desde logo com as obras do famoso Grão Vasco (Vasco Fernandes), que fez escola no Séc. XVI.

A igreja da Misericórdia, de ampla fachada barroca do séc. XVIII, o chafariz das Três Bicas, a capela da N. Sr.a dos Remédios, interessante obra Barroca edificada em 1752, a casa quinhentista dos Condes de Santa Eulália, a Porta de Soar da velha muralha afonsina, a Torre da Alcáçova, a casa brasonada dos Abreu e Albergarias que exibe a mais bonita janela manuelina mainelada da cidade.

Na Rua Direita, que de direito só tem o nome, para além do bulício próprio duma rua onde o comércio tradicional é rei, defrontando-nos com um verdadeiro museu ao ar livre de casas senhoriais dos séculos XVI e XVII.

Fora do perímetro do centro histórico assinala-se o Convento de S. Martinho de Orgens, franciscano, do Séc. XV, a Quinta das Marzovelas, e o Magnífico Parque do Fontelo, o principal pulmão da capital da Beira Alta, que nos presenteia com infindáveis carreiros de sebes de arbustos e de buxos.

ARREDORES DE VISEU

Muito poderíamos assinalar nos arredores de Viseu, tanto do ponto de vista paisagístico como do ponto de vista do património edificado, e até mesmo no que diz respeito às riquezas etnográficas.

Termas como as de S. Pedro do Sul, de Alcafache ou de Caldas de Felgueiras, constituem ainda hoje pontos de paragem obrigatórios para a cura de muitas maleitas. A aldeia da Pena, em pleno coração da Serra da Gralheira, é uma das mais rudes e características de todo o país, exibindo milenares telhados de xisto.

Para sul, a Serra do Caramulo, as belezas de Santa Comba Dão, e a Barragem da Aguiera, onde o Dão e o Mondego se fundem, local paradisíaco onde a pesca e os desportos náuticos são boas alternativas, são outros tantos locais dignos de visita.

As vilas" solarengas" de Mangualde, Nelas e Canas de Senhorim, aliam a boa gastronomia e os vinhos "Dão" com denominação de origem secular, ao património edificado. A povoação de Santar é exemplo máximo na fusão desses capítulos.

DE SATÃO A VILA NOVA DE PAIVA

A vila de Sátão, antiga Zaatam árabe, doada a Bernardo Franco por D. Henrique e D. Teresa em 1111, ainda conserva a sua ambiência de outrora, patenteada por um conjunto interessante de casas em granito. Em matéria monumental a Igreja Matriz e o solar barroco dos Albuquerques é tudo o que existe digno de registo.

Aguiar da Beira, cuja ocupação remonta ao período romano, conserva no interior dos restos de panos de muralha do castelo a capela de N. Sra. do Castelo, de origem românica, com retábulos pintados no seu interior. A quatrocentista torre do relógio, a Fonte das Ameias, a Casa da Câmara e a Igreja Matriz, são outros tantos monumentos de abalizado interesse.

Nas imediações de Aguiar da Beira situa-se a Serra da Lapa, onde se encontra a antiga aldeia da Lapa e o santuário da Senhora da Lapa, com um impressionante altar aberto na própria rocha.

Em Carregal de Tabosa, já no concelho de Sernancelhe, regista-se o facto de aqui ter nascido o escritor Aquilino Ribeiro, onde aliás tem a sua merecida Casa Museu. É este impressivo cenário de rudes serranias, acentuado por uma nudeza de possantes calhaus, que Aquilino Ribeiro imortalizou num dos seus mais populares romances: "Terras do Demo".

Por fim, Vila Nova de Paiva, doada por D. Teresa em 1128 a Garcia Garcês, antiga aldeia de Barrelas que foi promovida a cabeça de concelho em 1883, registamos como principais fonte de atracção a sua Matriz de raiz românica, muito reformulada, sobressaindo no seu interior a talha decorativa da capela-mor e um tecto decorado com caixotões bordados a lavores de talha, num estilo muito característico em toda a região da Beira Alta. A seiscentista igreja da Misericórdia e o exótico pelourinho de Alhais, a dois passos da vila, são igualmente dignos de realce.

João Cerqueira


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