«NÓS PRECISÁVAMOS
DUMA DELEGAÇÃO DA ANTRAL EM VISEU»
- Sublinhou Almiro Marques, Delegado Distrital de Viseu
Almiro Marques, sócio-gerente da Auto Povidal, uma empresa
com 2 viaturas táxi sedeada em Viseu, completa este ano
3 décadas de actividade no sector.
O Delegado Distrital de Viseu salientou que, presentemente: «as
dificuldades na nossa actividade são enormes, financeiras,
porque cada vez os encargos são maiores, e também
no que diz respeito à falta de serviço. Hoje em dia
os clientes só apanham um táxi em último recurso».
Esta situação é ainda agravada pelo facto
de na cidade de Viseu existirem 59 taxistas, o que na opinião
de Almiro Marques é excessivo em termos de contingente,
sobretudo numa altura em que o país se encontra mergulhado
numa crise profunda: «nós para conseguirmos o mínimo
de rentabilidade temos de trabalhar mais de 12 horas».
«Embora considere que a obrigatoriedade de instalação
dos taxímetros é uma coisa boa tanto para nós
como para o cliente, já que antes alguns colegas faziam
descontos e outros cobravam a mais, assim deixa de haver distorções
de concorrência, não nos podemos esquecer, no entanto,
que isto acarretou uma despesa de cerca de 1000 euros, e com a
crise que se vive nós demoramos muito tempo a recuperar
esse investimento. Ainda há quem esteja a dever o dinheiro
da instalação» - afirmou o Delegado Distrital
de Viseu.
Almiro Marques sublinhou o bom relacionamento existente entre
os industriais do concelho e o Presidente da Câmara, referindo
que está a preparar um documento para apresentar ao Dr.
Fernando Ruas, com vista à resolução dos problemas
nas praças: «nós precisamos que as praças
em Viseu sejam cobertas, a ausência de coberturas faz com
que soframos muito no Verão com o calor e no Inverno com
as chuvas. Nós e os clientes».
Segundo o Delegado Distrital de Viseu: «mais do que aumentar
as tarifas nós precisávamos dum gasóleo profissional. É que
os clientes já são tão poucos que se se agrava
o preço dos serviços ainda passam a ser menos».
«Nós estamos dependentes da Delegação
da ANTRAL em Coimbra para tratar de qualquer problema, o nosso
distrito é muito grande, há localidades que ficam
muito longe da cidade de Coimbra, e nós precisávamos
duma Delegação da ANTRAL em Viseu» - garantiu
Almiro Marques.
Apesar de tudo, o Delegado Distrital de Viseu mostrou-se optimista
quanto ao futuro: «estou convencido que com a mudança
de governo a situação económica do país
vai melhorar. E se houver mais dinheiro a circular, se houver mais
actividade, os clientes já não se vão retrair
tanto para se deslocarem de táxi».
Se algum Associado da ANTRAL do distrito de Viseu precisar de
alguma informação, por favor contacte o Delegado
Distrital Almiro Marques para o seu telemóvel pessoal: 96
486 2969.
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De facto. O "professor" tem
razão quando afirma que a cidade de Viseu tem pergaminhos
suficientes para não refutar o local de nascimento do nosso
rei fundador, mesmo com bons argumentos para esse efeito.
Viseu revela ainda no seu historial vestígios da presença
Sueva e Muçulmana. Depois da fundação do reino
sabe-se que D. Teresa, já viúva, habitou no paço
de Viseu durante alguns anos. Também D. Duarte, o primogénito
de D. João I, nasceu nesta cidade tendo, pela primeira vez,
realizado uma feira franca que ainda hoje se mantém, evocativa
a S. Mateus e já então realizada no campo da ribeira.
A pintura portuguesa no século XVI é profundamente
marcada pela Escola de Viseu, pois foi aqui que nasceu e viveu
um dos nossos melhores pintores de sempre: popularmente denominado "Grão
Vasco" .
A esta cidade encontra-se ligado um dos mais célebres romances
de Camilo Castelo Branco, o Amor de Perdição, cuja
personagem principal, Simão Botelho, era filho do corregedor
de Viseu. Foi também no século passado que o novo
centro cívico da cidade se deslocou para o Rossio, onde
foi edificada uma moderna praça ajardinada, construindo-se
aí os novos Paços do Concelho.
PATRIMÓNIO EDIFICADO
Entre os principais monumentos de Viseu destaca-se o edifício
da Sé, cuja imponente imagem altaneira domina praticamente
toda a cidade. Alguns especialistas consideram, pelo conjunto,
esta catedral como a mais interessante do país, depois das
de Évora e Coimbra. Trata-se duma enorme mole granítica
de estilo românico na origem, cuja fachada sofreu, no entanto,
profundas remodelações nos séculos XVII e
XVIII. A abóbada é uma das mais espectaculares do
país na sua teia de artesoados em cruzamentos ogivais, obra
manuelina de pleno efeito. Destaque também para a sacristia
e, sobretudo, o claustro renascentista com elegantes colunatas
de capitéis jónicos.
Junto à catedral, o museu Grão Vasco, em edifício
anexo do Séc. XVI, apresenta uma das mais importantes colecções
de pintura dos últimos 500 anos, começando desde
logo com as obras do famoso Grão Vasco (Vasco Fernandes),
que fez escola no Séc. XVI.
A igreja da Misericórdia, de ampla fachada barroca do séc.
XVIII, o chafariz das Três Bicas, a capela da N. Sr.a dos
Remédios, interessante obra Barroca edificada em 1752, a
casa quinhentista dos Condes de Santa Eulália, a Porta de
Soar da velha muralha afonsina, a Torre da Alcáçova,
a casa brasonada dos Abreu e Albergarias que exibe a mais bonita
janela manuelina mainelada da cidade.
Na Rua Direita, que de direito só tem o nome, para além
do bulício próprio duma rua onde o comércio
tradicional é rei, defrontando-nos com um verdadeiro museu
ao ar livre de casas senhoriais dos séculos XVI e XVII.
Fora do perímetro do centro histórico assinala-se
o Convento de S. Martinho de Orgens, franciscano, do Séc.
XV, a Quinta das Marzovelas, e o Magnífico Parque do Fontelo,
o principal pulmão da capital da Beira Alta, que nos presenteia
com infindáveis carreiros de sebes de arbustos e de buxos.
ARREDORES DE VISEU
Muito poderíamos assinalar nos arredores de Viseu, tanto
do ponto de vista paisagístico como do ponto de vista do
património edificado, e até mesmo no que diz respeito às
riquezas etnográficas.
Termas como as de S. Pedro do Sul, de Alcafache ou de Caldas de
Felgueiras, constituem ainda hoje pontos de paragem obrigatórios
para a cura de muitas maleitas. A aldeia da Pena, em pleno coração
da Serra da Gralheira, é uma das mais rudes e características
de todo o país, exibindo milenares telhados de xisto.
Para sul, a Serra do Caramulo, as belezas de Santa Comba Dão,
e a Barragem da Aguiera, onde o Dão e o Mondego se fundem,
local paradisíaco onde a pesca e os desportos náuticos
são boas alternativas, são outros tantos locais dignos
de visita.
As vilas" solarengas" de Mangualde, Nelas e Canas de
Senhorim, aliam a boa gastronomia e os vinhos "Dão" com
denominação de origem secular, ao património
edificado. A povoação de Santar é exemplo
máximo na fusão desses capítulos.
DE SATÃO A VILA NOVA DE
PAIVA
A vila de Sátão, antiga Zaatam árabe, doada
a Bernardo Franco por D. Henrique e D. Teresa em 1111, ainda conserva
a sua ambiência de outrora, patenteada por um conjunto interessante
de casas em granito. Em matéria monumental a Igreja Matriz
e o solar barroco dos Albuquerques é tudo o que existe digno
de registo.
Aguiar da Beira, cuja ocupação remonta ao período
romano, conserva no interior dos restos de panos de muralha do
castelo a capela de N. Sra. do Castelo, de origem românica,
com retábulos pintados no seu interior. A quatrocentista
torre do relógio, a Fonte das Ameias, a Casa da Câmara
e a Igreja Matriz, são outros tantos monumentos de abalizado
interesse.
Nas imediações de Aguiar da Beira situa-se a Serra
da Lapa, onde se encontra a antiga aldeia da Lapa e o santuário
da Senhora da Lapa, com um impressionante altar aberto na própria
rocha.
Em Carregal de Tabosa, já no concelho de Sernancelhe, regista-se
o facto de aqui ter nascido o escritor Aquilino Ribeiro, onde aliás
tem a sua merecida Casa Museu. É este impressivo cenário
de rudes serranias, acentuado por uma nudeza de possantes calhaus,
que Aquilino Ribeiro imortalizou num dos seus mais populares romances: "Terras
do Demo".
Por fim, Vila Nova de Paiva, doada por D. Teresa em 1128 a Garcia
Garcês, antiga aldeia de Barrelas que foi promovida a cabeça
de concelho em 1883, registamos como principais fonte de atracção
a sua Matriz de raiz românica, muito reformulada, sobressaindo
no seu interior a talha decorativa da capela-mor e um tecto decorado
com caixotões bordados a lavores de talha, num estilo muito
característico em toda a região da Beira Alta. A
seiscentista igreja da Misericórdia e o exótico pelourinho
de Alhais, a dois passos da vila, são igualmente dignos
de realce.
João Cerqueira |