“Deve ser praticada
uma politica fiscal
que valorize o papel do táxi”
- Afirmou Fernando Ruas, Presidente da Câmara
Municipal de Viseu
O Presidente da Câmara Municipal
de Viseu, Fernando de Carvalho Ruas,
vai ser o grande “anfitrião”, no próximo
mês de Julho, do VII Dia do Táxi,
tendo a autarquia municipal a que preside
cedido o Pavilhão Multiusos para esse
efeito, disponibilizando-se igualmente
para prestar apoio logístico,
como revelou em entrevista concedida
amavelmente à Revista ANTRAL.
Fernando Ruas exerce o cargo de Presidente da Câmara Municipal
de Viseu desde 1990 e o de Presidente da Associação
Nacional de Municípios desde Abril de 2002, acumulando ainda,
entre outros cargos, o de Membro do Bureau Executivo da
Nova Organização Mundial “Cidades e Governos
Locais Unidos”,
Conselheiro do Comité das Regiões e Presidente da Mesa
Permanente Luso Espanhola.
“Revista ANTRAL” - O VII Dia do Táxi
vai realizar-se na cidade de Viseu, de que forma pretende a Câmara
associar- se e apoiar esta iniciativa da ANTRAL?
“Fernando Ruas” - Logo que
se conheceu a intenção
de se
poder realizar em Viseu, no “Coração de Portugal”,
o VII Dia
do Táxi, a Câmara disponibilizou-se para prestar o
apoio logístico,
e não só, à realização do encontro.
Para isso a Câmara
Municipal cedeu instalações para o efeito, o Pavilhão
Multiusos
e espaço envolvente, bem como apoiou na decoração
do
espaço e assegurou a recepção oficial aos
convidados.
“R. A.” - O Dia do Táxi reúne, habitualmente,
cerca de
5 000 Associados da ANTRAL e respectivos familiares. A
cidade de Viseu está preparada para acolher tão grande
número de visitantes num único fim-de-semana? “F.
R.” - O Município de
Viseu, os empresários e as
instituições, têm, especialmente
nesta última década,
feito um esforço enorme no
sentido da criação de condições
e infra-estruturas
capazes de assegurar a realização
de grandes eventos.
A cidade possui hoje uma
oferta de mais de 1 700
camas, distribuídas por
unidades hoteleiras, pousadas
e turismo em espaço rural. A uma distância de 15Km existem
mais 3 000 camas.
Pode, pois dizer-se que Viseu está preparado para receber e
alojar em excelentes condições, visitantes em elevado
número.
“R. A.” - Na qualidade de Presidente
da Câmara e, certamente,
profundo conhecedor da cidade de Viseu, que conselhos
daria aos Associados da ANTRAL para que os mesmos
desfrutem da melhor forma a sua estadia na “capital” da
Beira Interior?
“F. R.” - Viseu é uma
cidade granítica e demonstrá-lo
está toda
a Zona Histórica, especialmente o Adro da Sé. Ali
deve ser
visitada a Sé Catedral e a sua majestosa abóbada;
o Claustro Baixo; o Tesouro de Arte Sacra; o Museu Grão-Vasco,
com a melhor pintura quinhentista; a Galeria dos Cónegos,
etc. Ainda no Adro deve visitar a Igreja da Misericórdia.
Como cidade monumental deve ainda visitar-se a Cava de Viriato
e as Igrejas
de S. Francisco; do Carmo e da Nossa Senhora da Conceição.
Os Solares de Prime, o dos Peixotos e o do Dão junto ao
Parque de Fontelo. Como Cidade Jardim deve sentir o odor das tílias
no
Rossio, visitar o Jardim das Mães, o de Stª Cristina,
bem como
o Parque Aquilino Ribeiro. O Casario do Centro Histórico
e a Rua Direita onde se encontra boa parte do comércio tradicional
deve merecer uma visita.
“Existe um franco e são
relacionamento entre a autarquia e os profissionais do sector”
“R. A.” - De alguns anos a esta parte
temos noticiado na Revista alguns eventos de confraternização
com os taxistas da cidade de iniciativa camarária, onde
o Dr. Fernando Ruas tem feito questão de estar presente.
Como é que
o
Presidente da Câmara vê os profissionais deste sector
que exercem a sua actividade em Viseu e concelhos limítrofes?
“F. R.” - Apostamos na utilização
do transporte público como
modo de mobilidade, razão pela qual a relação
com os operadores
se estimula, se deseja e se pratica. A demonstrá-lo está a
elevada participação dos taxistas em encontros/convívio
de iniciativa
municipal.
“R. A.” - Tem havido abertura por parte
da autarquia às
necessidades dos taxistas do seu município? Que iniciativas
promoveu a Câmara nos últimos anos para melhorar as
condições de trabalho destes profissionais? Encontram-se
algumas previstas para um futuro próximo?
“F. R.” - Os trabalhos
de requalificação da rede
viária, a definição
das praças de táxi, a auscultação que
se faz aos profissionais
sobre a necessidade e oportunidade de concursos para
atribuição de novas licenças e outras questões
que se prendem com os seus interesses,
como, ainda recentemente
a definição
do perímetro urbano
para efeitos de
definição das tarifas,
são exemplos do franco
e são relacionamento.
“
A ANMP sugeriu
à
s autarquias
municipais
valores ajustados
para averbamento
e substituição
de licenças”
“R. A.” - Muitos taxistas queixam-se que algumas câmaras
praticam taxas de substituição de licenças
e de averbamento
excessivamente elevadas. Na sua qualidade de Presidente
da ANMP como é que acha que este problema poderia
ser solucionado?
“F. R.” - Embora as autarquias municipais tenham autonomia
para fixar os quantitativos das taxas, a Associação
Nacional de
Municípios sugeriu, por razões de equidade e justiça,
os valores
que se consideravam ajustados para os serviços de averbamentos
e de substituição de licenças.
“R. A.” - Face às dificuldades sentidas por
alguns municípios
na gestão de licenciamentos, veria com bons olhos o
regresso da atribuição de licenças ao poder
central, mantendo-
se, no entanto, a gestão das mesmas nas autarquias?
“F. R.” - Defendemos e penso que este é o
caminho certo que
a organização do mercado, onde se inclui o concurso
público
e
a atribuição de licenças seja, como é,
competência municipal.
Garante-se, assim, a proximidade das relações cumprindo-se
o
princípio da subsidiariedade.
“R. A.” - Que mensagem gostaria de deixar
patente aos profissionais do sector?
“F. R.” - Que se pratique uma politica fiscal que
valorize o papel do táxi no sistema de mobilidade e que
os profissionais e empresas reconvertam as suas frotas para a utilização
de energias limpas,
com vista ao cumprimento de acordos internacionais que visam a
preservação do ambiente e a melhoria da qualidade
de vida.
João Cerqueira |