Tarifas
e não só
Caros colegas,
Acabou de tomar posse um novo Governo, a quem
não podemos deixar de reconhecer capacidade política
para providenciar no sentido de proceder às alterações
necessárias para inverter a actual situação
de
crise que o sector atravessa, que é, sem dúvida, a
mais
grave da história deste subsector de transportes.
Dispondo de uma clara maioria absoluta, o Governo
do Primeiro Ministro, Eng.º José Sócrates, tem
todas
as condições para introduzir as transformações
imprescindíveis à viabilização do sector.
Mas
ter capacidade e condições políticas não
significa
necessariamente que haja vontade e coragem políticas
para proceder às reformas.
Estamos, no entanto, embora moderadamente,
optimistas. É
que não podemos esquecer que, quando na oposição,
o PS, através do seu grupo parlamentar, sempre
manifestou vontade de proceder a alterações no enquadramento
jurídico da actividade, muitas das quais
iam de encontro às nossas reivindicações.
Neste contexto, não podemos deixar de manifestar
alguma esperança na resolução dos principais
problemas
que nos afectam e sem cuja resolução não podemos
garantir a rentabilidade e a viabilidade deste subsector
dos transportes.
É
o que se passa com a carga horária dos cursos de
formação, que tem de ser reduzida para garantir o
afluxo de mão de obra,
É
o que se passa com o transporte de doentes, que
não pode ser proibido aos táxis, até para
permitir poupanças significativas em termos do orçamento
do Serviço Nacional de Saúde, É
o que se passa com a oportunidade criada com a
implementação das Autoridades Metropolitanas de
Transportes, que podem e devem contribuir para a
flexibilização da oferta deste meio de transporte,
É
o que se passa com a criação de um sistema simplificado
de tributação, cuja instituição a Antral
não
pode deixar de reclamar pois pretende um enquadramento
fiscal mais justo para este sector,
É
o que se passa com a discussão das tarifas, cujo
processo tem que ser mais expedito para garantir a entrada em vigor
simultânea de todas as tarifas de
transporte.
Como referimos, quando este governo tomou posse,
estávamos moderadamente optimistas, pois não podiamos
embandeirar em arco sem haver, por parte do
executivo, um sinal concreto de que assume a coragem
política que até aqui, infelizmente, muitos governos
demonstraram não possuir.
Os primeiros dias, no entanto, estão a criar uma desilusão
que nos deixa frustrados.
Para ilustrar este estado de espírirto, basta referir duas
situações, tarifas e finanças(PEC)
Tarifas
Em 23 de Agosto do ano passado, a Antral, face ao
aumento do preço do gasóleo, denunciou a convenção
cuja vigência se iniciara em Abril de 2004.
Não obstante as várias insistências da Antral,
até hoje,
30 de Abril de 2005, apenas se efectuaram 3 reuniões,
as últimas das quais em Fevereiro p.p., não chegando,
sequer, a ser discutido o clausulado da convenção,
que, face à implementação das lanternas e
taxímetros, urge reformular.
Entretanto, nos últimos 12 meses, o gasóleo aumentou
mais de 30%, o que torna cada vez mais insustentável
a exploração da actividade.
Assim, a crise que o sector atravessa, a mais grave da
sua história, não cessa de se agravar.
Esta situação de autêntica falência técnica
resulta não
só da falta de coragem política dos sucessivos governos
para implementar as medidas indispensáveis à
solução dos problemas que nos atingem, como, também,
devido ao atraso sistemático com que, anualmente,
são implementadas as novas tarifas, que, aliás,
não cobrem os custos de exploração, e, ainda,
igualmente,
fruto dos agravamentos imponderados dos
vários componentes da estrutura de custos, entre os
quais se destaca o preço do gasóleo, cujo preço,
como
se referiu sofreu um agravamento de 30%, nos últimos
12 meses.
Como os colegas sabem, a Antral, desde sempre, defendeu
que as tarifas dos táxis deveriam entrar em
vigor simultaneamente com as tarifas dos transportes colectivos.
Estes, entretanto, já tiveram as suas
tarifas actualizadas pelo menos 2 vezes.
Assim sendo, e face à pressão dos nossos associados
que pretendem efectuar, desde já, manifestações
de
protesto, solicitámos, para apreciação desta
situação,
uma reunião dos órgãos sociais, que vai ter
lugar logo
nos primeiros dias de Maio.
Caros colegas,
Quando esta edição chegar ás vossas mãos
ou já se
encontra em vigor o novo tarifário ou então estaremos
preparados para uma grande mobilização de protesto.
Quanto ao PEC,
Como é púbico, a Antral tem vindo a reivindicar um
tratamento fiscal que tenha em conta a realidade do
sector e que se traduza numa maior justiça fiscal.
Sempre entendemos que, atendendo às suas muito
específicas características de exploração,
este sector,
por razões óbvias, justifica um tratamento diferenciado
dos restantes contribuintes.
É
que o industrial de táxis só consegue sobreviver e
garantir o seu posto de trabalho, à custa de uma injusta
sobrecarga horária e, ainda, tem de cumprir uma
legislação que o espartilha e é obrigado a praticar
tarifas asfixiantes.
Relativamente às tarifas, não podemos deixar de salientar
que, durante 24 anos, entre 1950 e 1974, não
se verificou qualquer actualização tarifária,
sendo
certo que os preços praticados são impostos pelo
Governo, que fixa um tecto que não se pode ultrapassar,
e que pouco ou nada tem a ver com a realidade
do sector.
Neste contexto, o serviço público acaba por se ressentir,
já que não existe rentabilidade que o permita
maximizar.
Não nos podemos esquecer que todas as empresas
de transporte de passageiros são deficitárias e todas,
à
excepção dos táxis, recebem subsídios
e compensações.
Por outro lado, esta actividade está onerada com um conjunto
de imposições, desde o IA, taxas para a
DGTT e para as câmaras municipais, IPQ, etc., que
asfixiam este sector até ao limite do suportável.
Não se compreende nem se pode aceitar que empresas
de táxis, muitas das quais facturam, anualmente,
menos de 15.000 euros, sejam obrigadas a um pagamento
especial por conta de 1.250 euros.
Da receita bruta de qualquer empresa de táxi, mais
de 70% são absorvidos pelas despesas com salários,
combustível e seguros.
Neste contexto, a direcção da Antral, tendo em conta
que a indústria que a associação representa
não é livre
de praticar os preços que assegurem o equilíbrio
da exploração, aguarda que o Governo suspenda o
pagamento especial por conta para este sector, até
que seja possível proceder a um enquadramento fiscal
mais justo e adequado à realidade.
Recordemos, que no primeiro governo do eng.º António
Guterres, o então Secretário de Estado dos
Assuntos Fiscais, a quem foi apresentado o resultado
do inquérito aos delegados distritais e concelhios,
sobre esta matéria, deu-nos a conhecer que o Governo
estava a preparar um relatório para apresentar à
Assembleia da República, relatório esse, onde se reconhecia
a necessidade, de, em determinados sectores
da vida económica, entre os quais o sector dos
táxis, se implementar um regime simplificado de tributação
quer para o IVA quer para o IRC, regime
simplificado este que pressupunha o fim da escrita
organizada como hoje se pratica.
Na altura, tivemos oportunidade de salientar que, em
Espanha, Bélgica e na Holanda, se pratica um regime
fiscal muito simplificado para o sector dos táxis.
Caros colegas,
Os órgãos sociais da associação que como
se referiu
se vão reunir nos primeiros dias de Maio também vão
apreciar a situação resultante da insistência
do ministério
das finanças na cobrança do PEC.
Resta dizer que já foi solicitada uma audiência ao
Ministro das Finanças e que estamos convencidos que
o bom senso prevaleça e seja encontrada uma solução,
justa e equilibrada.
Florêncio Plácido de Almeida
Presidente da direcção |