Reflexão
sobre um ciclo
Quando esta revista vos chegar às mãos estará muito
provavelmente esgotado o prazo para a instalação
dos taxímetros e luminosos a nível nacional, o processo
de formação contínua e aperfeiçoamento
caminhará a passos muito largos para a sua conclusão,
os regulamentos municipais, salvo raras excepções,
estarão implementados, toda a legislação produzida
a partir de 1998 com as consequentes alterações estarão
já assimiladas por todas as forças policiais, às
quais compete fiscalizar e zelar pelo seu cumprimento, enfim, estaremos
no culminar de um ciclo que terá que forçosamente
merecer por parte dos intervenientes neste processo uma profunda
reflexão para se tirarem conclusões e se puderem
perspectivar possíveis alterações.
Quanto aos taxímetros e candeeiros cuja obrigatoriedade
da sua instalação foi implementada a nível
nacional pela portaria 277 -A/99 de 15 de Abril, e que após
sucessivos e controversos adiamentos fixou como data limite 31
de Março de 2005, começo hoje a pôr algumas
reticências quanto à finalidade que levou a esta obrigatoriedade
que era como todos sabem a transparência nos preços
a cobrar aos utentes dos táxis.
Se por um lado, nas áreas urbanas e suburbanas de maior
densidade populacional esta finalidade vai ser provavelmente atingida,
nas zonas longínquas, nomeadamente no interior, esta transparência
nunca funcionará em pleno, pois quem conhece o sector sabe
bem das dificuldades que os industriais têm em fazer cumprir
o estipulado pelas convenções de preços em
vigor.
Por outro lado, existem sérias dificuldades técnicas
em encontrar soluções que evitem, a intervenção
directa dos motoristas nos valores dos preços a cobrar,
nomeadamente quando, o cliente após visitar várias
localidades não regressa à localidade de origem,
o que poderá vir a desvirtuar em absoluto, todos os argumentos
que levaram a esta obrigatoriedade de instalação
dos taxímetros e luminosos.
Continuam também a decorrer em ritmo bastante acelerado
por todo o país, as acções de formação
no âmbito da renovação da carteira profissional,
um mega processo de formação em que a ANTRAL através
da PROTÁXISÓ,
S.A., teve que mobilizar meios humanos e materiais para a qual
não estava preparada.
Assim, após algumas dificuldades técnicas por parte
dos nossos serviços, e de uma luta árdua podemos
hoje afirmar com convicção, de que tudo decorrerá dentro
da normalidade, e os prazos previstos pela portaria 191/2005 de
17 de Fevereiro que fixa 30 de Junho de 2005 como data limite de
validade das carteiras profissionais emitidas anteriormente, serão
cumpridos.
Iremos certamente cumprir a nossa parte, mas, não podemos
deixar, neste momento que se fecha um ciclo formativo, apelar às
entidades que nos tutelam, para façam uma reflexão
profunda sobre todo este processo, introduzindo-lhe correcções
que levem a uma formação realista na sua carga horário
e extensiva a todo o território nacional.
Não podemos deixar de nos interrogar se após 5 anos
de obrigatoriedade da certificação dos motoristas
de táxi, nos quais fomos pioneiros, a qualidade dos serviços
prestados pelos mesmos melhorou ou piorou, atrevo-me mesmo a dizer
que esta obrigatoriedade formativa funcionou pela negativa, pois
hoje, não temos os motoristas que queremos nem os melhores,
mas sim, os que aparecem.
Por outro lado, a transferência das competências para
as Câmara Municipais vieram demonstram de que, estas não
estavam preparadas para assumir o controlo deste sector, e permitiu
o aparecimento de graves injustiças, quer quanto ao valor
das taxas e licenças a cobrar nos diferentes municípios,
quer quanto à disparidade da interpretação
legislativas que alguns serviços jurídicos camarários
dão às leis que nos regem. Desde valores de licenças
a custo zero até 600 Euros, licenças de validade
anual, atribuição de novas licenças aquando
da substituição de viaturas, concursos de atribuição
de licenças à medida, a tudo, infelizmente temos
assistido.
É o descalabro, aliás exactamente por causa disto
começa-se felizmente a desenhar o consenso entre instituições
de que, o controle do sector e para bem de todos devia ficar novamente
sobre a alçada da Direcção Geral de Transportes
Terrestres.
Seria, o corrigir de um erro, e faço votos para que seja
uma realidade a curto prazo, pois pelo que tivemos oportunidade
de assistir aquando das assembleias distritais para eleger novos
delegados, que ocorreram durante o mês de Janeiro e princípio
de Fevereiro, esta alteração é desejada e
bem acolhida por todo o sector.
Por outro lado, como se não nos bastassem, os agravamentos
introduzidos no valor das coimas pelo novo código da estrada,
estamos também perante uma legislação que
nos penaliza bastante, pois por vezes fixa multas de valores nada
consentâneos com a nossa rentabilidade.
É violento e injusto que perante a legislação,
o valor das coimas a pagar pelo empregado e empregador, quando
este não é detentor de carteira profissional ou pela
falta de averbamento da matrícula da viatura licenciada
pela Câmara no alvará de transportador, sejam superiores às
estabelecidas para os transportadores clandestinos, parece que
nos querem empurrar para a ilegalidade, pois está visto
que o crime compensa, e assim evita-se, as operações
selectivas que as autoridades estão a desencadear sistematicamente
aos táxis entusiasmadas por estes valores exorbitantes.
Para terminar, quero-vos chamar a atenção para a
realização na cidade de Viseu, nos próximos
dias 2 e 3 de Julho do VII Dia do Táxi, onde espero, nomeadamente,
no encontro de delegados que ocorrerá no primeiro dia, uma
participação e debate por parte destes que nos levem às
soluções para alguns dos problemas que enumerei neste
artigo.
José Monteiro
Director da Revista |