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SANTARÉM

 

Capital do Ribatejo

Em pleno coração do Ribatejo a cidade de Santarém vê, altaneira, passar o Tejo a seus pés, apressando o passo rumo à foz de braço dado com a lezíria que se estende até ao horizonte.

A Scalabis romana, viu o seu nome transformado em Santarém a luz da lenda de Santa Iria, sacrificada em Tomar, o seu corpo foi lançado ao Tejo vindo a ser encontrado no Vale de Santarém. Foi após a conquista aos Mouros que a cidade conheceu os seus dias de maior esplendor, ali assentaram arraiais várias cortes, o historiador Virgílio Correia chamou Santarém de capital do gótico português, tal a profusão de monumentos desse período que ainda hoje povoam a cidade.

O suave ziguezaguear do Tejo e a vastidão da lezíria, aos pés das muralhas do jardim das Portas do Sol, são um apontamento de inolvidável beleza paisagística, ponto de paragem obrigatória a quem, acertadamente, opte por visitar Santarém.

Hoje a cidade conta cerca de 25.000 habitantes e o seu desenvolvimento está profundamente marcado pela sua proximidade da capital, não parando de crescer o número de residentes que trabalham em Lisboa. A Escola Superior de Agronomia e os institutos politécnicos dão à cidade a buliçosa vida dos pólos universitários. A feira de Agricultura ali celebrada é das mais conhecidas a nível nacional a par com a de gastronomia.

 

A riqueza monumental da cidade levou, inclusivamente, a que há alguns anos tenha sido apresentada candidatura a Património da Humanidade, que viria a ser retirada antes mesmo da UNESCO se pronunciar, em virtude de insuficiências quanto ao cumprimento dalguns dos requisitos indispensáveis para aquela cidade vir a desfrutar do estatuto que só algumas poucas privilegiadas gozam.

O escritor Almeida Garrett imortalizou Santarém na sua obra. Quem não se recorda da celebrada Joaninha das "Viagens na Minha Terra", nativa de Santarém, para o escritor a cidade: «é um livro de pedra, em que a mais interessante e mais poética das nossas crónicas está escrita. Rico de iluminuras, de recortados, de florões, de imagens, de arabescos e arrendados primorosos, o livro era o mais belo e o mais precioso de Portugal. Encadernado em esmalte de verde e prata pelo Tejo e por suas ribeiras, fechado a broches de bronze por suas fortes muralhas góticas, o magnífico livro devia durar sempre.»

Em algumas horas apenas podem ser visitados alguns dos principais monumentos da cidade: o Convento do Sítio, onde hoje se encontra a Igreja do Hospital, um edifício concluído em meados do séc. XVII, onde se pode ver um famoso retábulo quinhentista no altar-mor e quatro tábuas maneiristas. O Convento das Claras, que chegou a ser o maior da península ibérica e de que resta a Igreja de Santa Clara, construída no reinado de Afonso III e onde está patente a arca tumular de D. Pedro de Menezes. O Convento de São Francisco, fundado em 1242, foi aqui que D. João II prestou juramento como Rei de Portugal. O Colégio dos Jesuítas, construído ao gosto maneirista. O antigo Terreiro do Paço, onde foram executados dois dos assassinos de Inês de Castro. A Igreja de São João de Alporão, edificada no séc. XII e onde hoje se encontra instalado um magnífico museu arqueológico, expondo algumas das mais valiosas peças de tumulária do nosso país.

Podemos prosseguir com uma visita à Igreja da Graça, o mais belo exemplar do gótico flamejante em Santarém, com uma deslumbrante rosácea encimando a fachada. A famosa Torre das Cabaças, antiga torre do relógio rematada por uma estrutura metálica que incorporam 8 cabaças de barro que serviam de caixa de ressonância ao relógio. A Fonte das Figueiras, em estilo gótico, coroada de merlões e onde ainda hoje é visível o escudo de D. Afonso III. As famosas Portas do Sol, a Porta de Santiago, tudo edificações hoje classificadas na sua esmagadora maioria com o estatuto de Monumento Nacional. A Ribeira de Santarém possui um interessante núcleo histórico, e na opinião de Almeida Garrett: «faz lembrar aquelas aldeias que se criam à sombra dos castelos feudais e que, libertas depois da opressora protecção, cresceram e engrossaram em substância e força».

ARREDORES DA CIDADE

Santarém é, efectivamente, a única marca de acentuado cunho urbano na vasta região das lezírias. Golegã, Chamusca, Alpiarça, Almeirim, e Cartaxo, são terras de ancestral ruralidade, onde ainda hoje imperam campinos, cavalos e touros bravos. Foi o Tejo que desenhou a paisagem duma das férteis regiões do país.

O escritor Fialho de Almeida, descreve assim um trecho ribatejano nas imediações de Muje: «toda a campina que atravessamos é na realidade uma positiva maravilha, e tem-se a urgente sensação dum vale do Nilo, duma terra da promissão vascular, pondo à boca do homem a teta da abundância, como a dizer-lhe bebe! Nas pastagens tufantes cuja erva gorda impa chorume, manadas de cavalos e bois correm à solta, sob as pedradas e a lança do gaúcho local, de calção azul e sapatos de espora, matacões e barrete verde ou rubro, plantado esculturalmente numa cela mourisca, com seu xairel de pele de cabra. Tocam chocalhos, os grandes cães rabões ladram às vezes, e o grito em oi! dos maiorais, muito alongados, põe na charneca um queixume gutural…».

O Ribatejo é também uma região vinhateira de renome, concentrando-se sobretudo a cultura da vinha no concelho do Cartaxo, de onde são oriundas algumas das pingas mais expressivas em termos de forte paladar e teor alcoólico de todo o país.

Para oeste e noroeste de Santarém estendem-se os concelhos de Rio Maior e Alcanena, registando-se aqui uma mutação profunda na paisagem e nos hábitos culturais, com a mole das Serras de Aire e dos Candeeiros, hoje transformadas em Parque Natural, sobretudo devido às inumeráveis grutas escondidas no seu subsolo e a outras riquezas do foro geológico. Ali é o reino da pedra, dos muros talhando sinuosos caminhos, de oliveiras centenárias e raquíticas que brotam da pedra viva. E como toda esta secura contrasta com as planuras da campina e as espraiantes cheias do Tejo.

João Cerqueira

«A CÂMARA NÃO QUER SABER DA GENTE!»

-Queixa-se Rogélio Gonzalez Alexandre, Delegado Distrital de Santarém

Rogélio Gonzalez Alexandre, Delegado Distrital de Santarém, aos 75 anos de idade encontra-se prestes a completar meio século de actividade como industrial de táxis, e já serve a ANTRAL há 22 anos, quer na qualidade de Delegado Concelhio quer na de Delegado Distrital. Presentemente, dirige uma firma – Alexandre Táxis Lda. - em sociedade com o filho, com uma viatura táxi. que opera na cidade de Santarém.

Na opinião de Rogélio Alexandre a Câmara Municipal de Santarém não tem sabido resolver os problemas a contento dos industriais duma cidade onde trabalham 34 viaturas táxi: «a câmara não quer saber da gente para nada, demora imenso tempo a tratar dos nossos assuntos, adia-nos as reuniões depois de estarem marcadas. Ainda agora fizemos um abaixo assinado para trabalharmos com taxa urbana e tem sido um cabo dos trabalhos para pôr isto a funcionar. Da câmara só saem promessas».

« Tenho transmitido todas as preocupações dos meus colegas de Santarém à Direcção da ANTRAL. A actual Direcção já lá foi a Santarém para uma reunião com a câmara e eles aceitaram aquilo que nós pedimos, mas depois a câmara não dá andamento às coisas» - afirmou Rogélio Alexandre.

O Delegado Distrital de Santarém lamenta igualmente a acentuada quebra de serviço que a crise tem causado no sector, com graves prejuízos e muita falta de rentabilidade: «em Santarém estou em crer que a quebra de serviços anda na ordem dos 60%, cada vez há menos trabalho, e os concelhos do interior do distrito ainda estão pior que nós, naqueles que têm menos população a quebra de serviços e quase total. Para além da crise Rogélio Alexandre aponta também o dedo aos automóveis particulares e ao excesso de transportes públicos, nomeadamente camionetas e autocarros: «hoje toda a gente tem carro e os transportes públicos são excessivos. Aqui nos serviços urbanos de Santarém há o triplo de camionetas e autocarros que deveriam haver, a gente vê-los quase sempre vazios ou meios».

O industrial queixa-se também das dificuldades de circulação na cidade de Santarém, da necessidade de criação de corredores BUS, do excesso de passadeiras, apelo às entidades camarárias para que reparem duma vez por todas os numerosos semáforos que se encontram avariados há muito tempo. Quanto ao futuro Rogélio Alexandre mostrou-se muito pouco optimista, tendo revelado que não acredita que nos próximos anos as coisas venham a melhorar muito tanto em termos de aumento de serviço como de fluidez de trânsito.

Rogélio Gonzalez Alexandre,
Delegado Distrital da ANTRAL por Santarém


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