
O peso da decisão
O instante em que o Ser solta o primeiro gemido, constitui
um momento mais importante da sua vida, pois é a partir
desta altura que adquire personalidade jurídica passando
a constituir mais um membro da sociedade.
Como membro da sociedade será este Ser ao longo da
sua vida objecto de decisões, umas passivas, em que
uns decidirão sobre o seu destino, e outras activas,
em que o mesmo participará nas decisões que
poderão de algum modo mexer com a vida e quotidiano
do colectivo e dos seus semelhantes.
É assim que a decisão como acto em si mesmo
torna-se um momento por vezes complicado para o decisor,
e outras muito complexo, pois é nesta altura que este
se arrisca a errar.
Por isso, todos nós conhecemos pessoas que, no momento
da decisão, adoptam um comportamento titubeante recusando-se
a decidir, não tomando o partido do sim ou do não,
mas desenvolvendo a politica do "nim", dando azo
a que o velho ditado espanhol que diz: "Quem muito faz
muito erra, quem pouco faz pouco erra, quem nada faz nunca
erra" se adapte como uma luva a esta situação.
Vem esta dissertação a propósito da
situação verdadeiramente lamentável
que se passa com algumas Câmaras Municipais e com particular
acuidade na área metropolitana do Porto, que resistindo
a tudo o que é legislado, acabam por passado quase
2 anos da data limite para ter os Regulamento Municipais
em vigor ainda não os conseguiram implementar nos
respectivos Concelhos, definindo assim com clareza as regras
de jogo com que o sector e os industriais têm que lidar
e operar.
Este comportamento de algumas Câmaras Municipais levam
por si só ao descrédito nas instituições
por parte da indústria, e pior ainda dá azo
a injustiças, nomeadamente para com aqueles que são
cumpridores e apologistas da lei.
Pessoalmente não acredito que seja por problemas
relacionados com a falta de técnicos ou disponibilidade
destes que nestas Câmaras estas situações
aconteçam, mas estou convicto de que tudo isto é derivado
somente da falta de coragem política aliada ao receio
de desagradar a alguma franja dos seus eleitores que levam
os políticos a adiar decisões e soluções,
conduzindo com este comportamento e indefinição à criação
de atritos e animosidades entre industriais do mesmo sector.
Haja coragem e tomem-se as decisões necessárias
ao bom e normal desenvolvimento da nossa actividade.
Por último, na qualidade de Director da revista,
não gostava de terminar este meu artigo sem me referir à última
edição, para tecer alguns comentários
relativamente ao atraso verificado na distribuição
e conteúdo da mesma.
Conforme relatei no início deste artigo, existem
momentos em que as decisões têm que ser tomadas,
e assim, fruto de uma enorme avalanche de inscrições
nas acções de renovação da carteira
profissional, a ANTRAL encontrava-se extraordinariamente
congestionada na fluidez dos seus serviços.
Logo, havia que canalizar esforços e dar prioridades,
e por isso mesmo decidi como prioritário unir os meus
esforços pessoais ao do pessoal da Delegação
que dirijo para, em conjunto, elaborarmos e organizarmos,
pondo em marcha todo o processo formativo da renovação
das carteiras profissionais de motorista de táxi,
colocando como superior interesse a resolução
dos problemas daqueles que nos procuravam.
Foi uma luta árdua mas que, felizmente, ultrapassamos
e estou convencido de que foi a decisão certa no momento
exacto
José Monteiro
Director da Revista
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