| VILA REAL Capital
do “Reino maravilhoso” de Torga

Encaixada nas férteis veigas
entre as Serras do Marão e do Alvão, sobre um promontório
delimitado pelos rios Corgo e Cabril que servem a cidade, Vila Real
é uma urbe deslumbrante, que tem vindo a expandir rapidamente
nas últimas duas décadas.
A cidade de Vila Real foi fundada em 1289 pelo rei D. Dinis. Contudo,
o povoamento daquela região remonta a época muito
anterior, como comprovam vestígios de grande raridade e valor
arqueológico como o santuário rupestre de Panóias,
e as pontes romanas de Piscais e Torneiras.
No capítulo
monumental destacam-se na cidade edifícios religiosos como
a Sé, templo gótico construído no século
XV, a capela de São Brás, uma relíquia arquitectónica
de estilo gótico, a igreja romano-gótica de S. Dinis,
a igreja da Misericórdia, a de S. Pedro e a dos Clérigos,
também designada por Capela Nova e o mais belo templo barroco
da cidade.
A Casa de Diogo Cão, a Casa do Arco, antigo palácio
dos marqueses de Vila Real, o Solar novecentista dos Paços
do Concelho e, sobretudo, nos arredores da cidade, o Palácio
de Mateus, uma obra de arte barroca atribuída ao grande arquitecto
Nacolau Nasoni, de onde sai para exportação um dos
mais conhecidos vinhos portugueses em todo o mundo.
Os serviços, a instalação de algumas multinacionais
ligadas ao sector têxtil e ao sector automóvel, e uma
excelente universidade com vertentes de ensino direccionadas para
as Ciências Agrárias,
Ciências Exactas-Naturais e Tecnológicas e Ciências
Humanas e Sociais, constituem os principais factores de desenvolvimento
da capital transmontana.
A VEIGA DE CHAVES
Situada num planalto onde o Tâmega rasgou uma fecunda veiga
a cidade Chaves é povoada desde tempos remotos. Aquae Flaviae
no tempo dos romanos, devendo o seu nome de baptismo a Flávio
Vespasiano em 78 d.C., transformou-se numa das principais cidades
da Península Ibérica graças à exploração
das minas de ouro de Jales, na Serra da Padrela. Depois da reconquista
o burgo recebeu o primeiro foral em 1258. Decorria o ano de 1929
quando Chaves foi elevada à categoria de cidade.
O termalismo na região, Chaves, Pedras Salgadas, Vidago,
Pisões e Carvalhelhos, atraiu boa parte da elite nacional
e internacional no início do século. Na «belle
époque» realizavam-se bailes, passeios e jogos, característicos
da classe aristocrática. Os centros termais de Vidago e Pedras
Salgadas sobreviveram até aos nossos dias, sendo revitalizados
nos últimos anos com novos pólos de atracção,
onde o golfe, a caça, os desportos radicais, as caminhadas
ao ar livre, as praias fluviais e a realização de
congressos, têm vindo a ser objecto de assinalável
procura, numa região onde a natureza, a vida ao ar livre
e uma gastronomia de eleição imperam.
«FAZ-NOS
FALTA UMA SUB-DELEGAÇÃO DA ANTRAL EM TRÁS-OS
MONTES!»
Afirmou José Pimentel, Delegado Distrital de Vila
Real
José Pimentel, Delegado Distrital de Vila Real, é
empresário em nome individual, trabalhando com uma
viatura táxi no concelho de Chaves, e Deputado Municipal
ao serviço da autarquia daquela magnífica cidade
transmontana.
Em entrevista amavelmente concedida à Revista ANTRAL,
sublinhou que se encontra prestes a concluir o seu 4°
mandato na qualidade de Delegado Distrital e que, antes disso,
já tinha sido Delegado Concelhio de Chaves: «não
obstante uma profunda colaboração que tem coexistido
entre mim e os órgãos directivos da ANTRAL,
muitos dos problemas que nos surgem aqui na região
sou eu que os resolvo e sinto que nos faz imensa falta uma
Sub-Delegação da ANTRAL aqui na nossa região
de Trás-os-Montes».
José Pimentel explica-nos porquê: «tanto
o distrito de Vila Real como o de Bragança encontram-se
muito longe da Delegação da ANTRAL no Porto
que é onde nós, normalmente, temos de nos deslocar
para resolver os nossos problemas. Estou ciente que se fosse
possível criar aqui uma Sub-Delegação
os Associados da ANTRAL deixariam de se queixar de falta de
proximidade e iríamos atrair mais Sócios».
«Da minha parte disponibilizo-me perante os dirigentes
da ANTRAL para procurar um espaço físico próprio,
uma vez que julgo que em estreita colaboração
com a autarquia parece-me que nos encontramos em condições
de oferecer instalações para esse efeito. E
não só aqui, mas também em Vila Real,
autarquia com quem nós temos as melhores relações»
- salientou o Delegado Distrital de Vila Real.
O autarca flaviense teceu profundas críticas ao transporte
clandestino: «hoje na nossa região o principal
"cancro" são os transportes clandestinos.
Eles ainda aí com toda a impunidade e até mesmo
os táxis das aldeias se queixam das carrinhas clandestinas
de 9 lugares. Os clandestinos dão-se ao luxo de fazerem
anúncios nas rádios e nos jornais e de andarem
com as carrinhas perfeitamente identificadas com publicidade,
e não vislumbro grande interesse por parte das autoridades
para pôr cobro a este grave problema». Segundo
José Pimentel: «as forças de segurança
fiscalizam-nos mais a nós do que aos próprios
clandestinos. Para exercermos a nossa actividade de forma
legal tudo nos é exigido: formação, equipamentos,
pagamento de impostos, etc. Ora, quem exige também
tem de nos dor condições para poder-mos trabalhar
sem estarmos sujeitos a ser vítimas do concorrência
desleal».
José Pimentel queixou-se ainda da quebra de serviço:
«desde que as fronteiras abriram os concelhos fronteiriços
da nossa região sofreram uma quebra de serviço
na ordem dos 40%. Daí que esteja bastante apreensivo
com o nosso futuro».
Os importados usados, que classifica de "lixo da Europa",
da falta de apoios institucionais, nomeadamente para a instalação
obrigatória dos GPS, dos excessos de burocracia, e
daquilo que considera "uma grande exigência em
matéria de formação", são
outros problemas que preocupam o Delegado Distrital de Vila
Real.
José Pimentel.
Delegado Distrital da ANTRAL por Vila Real
|
A cidade de Chaves é rica em património monumental.
Do período de dominação romana chegou aos nossos
dias a Ponte de Trajano, dotada dum tabuleiro de 140 metros sobre
o rio Tâmega.
A
Igreja Matriz, de traça românica, foi profundamente
intervencionada na renascença, enquanto a Igreja da Misericórdia
atesta a presença do barroco naquela cidade. A Torre de Menagem
é monumento nacional e nela funciona uma dependência
do Museu da Região Flaviense (Museu Militar), encontrando-se
outra no Paço dos Duques de Bragança.
A importância defensiva da Praça de Chaves, face à
proximidade da fronteira luso-espanhola é assinalada pelos
fortes de São Francisco e de São Neutel.
A Praça de Camões é uma das mais bonitas do
País no seu género, funcionado num dos seus palácios
os Paços do Concelho.
Nos arredores da cidade em Outeiro Seco e Sanjuge a presença
humana remonta à Pré-História, comprovada por
testemunhos de arte rupestre. Em Sajunge vale ainda a pena visitar
a igreja românica daquela aldeia. O Castelo de Monforte foi
um dos bastiões defensivos fronteiriços.
AS TERRAS DO BARROSO
A chamada região do Barroso estende-se desde Boticas até
às terras altas do concelho de Montalegre, sendo verdadeiramente
uma região agreste ladeada pelas serras do Larouco, Gerês,
Cabreira, Alturas e Leiranco. Aqui, a paisagem é dominada
por imponentes maciços graníticos, lameiros e algumas
matas de carvalhos.
As
terras do Barroso foram imortalizadas tanto pelo romance "Terra
Fria", de Ferreira de Castro, como pelo filme "Auto das
Primaveras", de Manuel de Oliveira. A dureza do clima, inclemente
tanto no período de Inverno como no de estio, a associar
ao frio glacial do Inverno detém ainda os mais altos índices
de precipitação de todo o País, as condições
rudes de vida, a interioridade e a ausência quase total de
infra-estruturas de desenvolvimento, condenou à desertificação
muitas das aldeias do Barroso. Os efeitos da desertificação
começaram a fazer sentir-se a partir da década de
sessenta, continuando mesmo, ainda hoje, esta sangria populacional
a surtir os seus efeitos. Apenas no Verão, com a chegada
de férias de verdadeiras hastes de emigrantes, ganham o colorido
de outrora.
Mas o que se perdeu na incapacidade de fixar os nativos à
terra de origem e no desenvolvimento, ganhou-se na manutenção
de muitos costumes e tradições, que de outro modo
se perderiam, isto já para não falar da preservação
duma paisagem genuína.
Terra de lameiros ímpares daquela região é
oriunda uma das raças bobinas mais importantes do país.
O boi barrosão é um soberbo reprodutor protagonista
das chamadas chegam de bois, costume enraizado desde os tempos de
antenho. As vezeiras do gado são hoje cada vez mais raras.
Preservam-se ainda nalgumas povoações fornos comunitários,
e não é difícil encontrar casas rústicas
com telhados em colmo.
Saindo de Vidago na direcção de Boticas, no Alto
do Pinho, avistam-se as serras da Padrela e do Alvão. Vilar
de Perdizes (Boticas), famosa pelo seu congresso de medicinas alternativas,
onde se dá lugar às mais bizarras práticas
de cura de maleitas, não faltando curandeiros, bruxas e afins,
com poções mágicas à mistura, é
igualmente conhecida pelo chamado vinho dos mortos, nome que lhe
advém do costume de ser engarrafado e enterrado antes de
ser servido à mesa. Nos arredores de Boticas vale ainda a
pena visitar a ponte romana sobre o rio Beça, na estrada
de Carvalhelhos.
No coração do Barroso encontra-se a Barragem do Alto
Rabagão, uma das maiores do país, com uma capacidade
de armazenamento de 565 milhões de metros cúbicos
de água, estendendo-se ao longo duma extensão de mais
de 10 km junto à estrada que liga as cidades de Braga e Chaves.
João Cerqueira
|