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DEBATEU VELOCIDADE RODOVIÁRIA

A Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) promoveu no dia 9 de Novembro, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), umas Jornadas sobre"A Gestão da Velocidade - Dimensões Técnica e Psicossocial", com o objectivo de analisar as motivações, os efeitos e as implicações técnicas da velocidade na condução rodoviária.

O encontro contou com a presença do sociólogo Paquete de Oliveira, do ISCTE, Jorge Santos, da Universidade do Minho, Mário Horta, da PRP, João Cardoso, do LNEC, Carlos Lopes, da DGV, e de reconhecidos especialistas estrangeiros, da França, Finlândia, Reino Unido e Holanda, que trouxeram um contributo valioso para a partilha de experiências vividas nos respectivos países em matéria de gestão de velocidade.

A velocidade é um dos factores directamente relacionados com a origem e a gravidade dos acidentes rodoviários. A compreensão das suas causas e a correcta gestão dos elementos humanos, técnicos e legais que lhe estão associados podem constituir passos importantes no combate à sinistralidade nas estradas.

Segundo alguns especialistas, a velocidade faz parte da natureza humana e é, cada vez mais, parte integrante do nosso quotidiano. Na condução rodoviária, a velocidade está associada à noção de liberdade, independência e rapidez na mobilidade e constitui um estímulo muito presente nos jovens e nos condutores que integram a população activa. O risco da velocidade está na diminuição do tempo disponível para evitar uma colisão, o que aumenta a gravidade de um impacto.

Em Portugal, o excesso de velocidade é considerado o segundo factor de risco na condução rodoviária a seguir à condução sob o efeito do álcool, de acordo com o estudo SARTRE III - "Atitudes Sociais Face ao Risco do Trânsito Rodoviário", realizado em 23 países europeus.

Porém, ao mesmo tempo, regista-se um valor assinalável quer dos que assumem atracção por conduzir depressa, quer dos que assumem ultrapassar os limites de velocidade (nas auto-estradas 1/3 dos condutores declara fazê-lo frequentemente).

Por outro lado, observam-se indícios de desvalorização do risco da velocidade. Os inquiridos que dizem conduzir mais depressa são bastante mais do que os que julgam ter uma condução perigosa. Embora reconheçam que "gostam de andar depressa" atribuem aos outros uma condução mais perigosa do que a sua. Esta convicção generalizada da exterioridade do perigo evidencia uma desculpabilização dos efeitos nocivos da condução perigosa do próprio e um sintoma da interiorização do "risco". A generalidade dos condutores não associa a velocidade com que conduz a um comportamento de risco, subestimando o risco da velocidade quando se trata da sua própria condução. Os infractores são os outros.

É preciso mudar comportamentos

A diminuição da velocidade tem de passar pela alteração do comportamento dos condutores, para o que é indispensável a educação, mas também a eficácia da fiscalização e o aperfeiçoamento do ambiente rodoviário.

No plano dos comportamentos, a realização de campanhas pedagógicas capazes de identificar riscos e expor razões para a imposição de limites de velocidade, pode ser uma estratégia de sensibilização eficaz, nomeadamente quando acompanhadas de acções de controlo e fiscalização.

Segundo um estudo realizado na União Europeia uma redução da velocidade média praticada de 5 Km/h poderá poupar 11 mil mortes e 180 mil acidentes com danos corporais. Em Portugal, uma redução semelhante representaria uma diminuição de 350 mortes e quase 6.000 acidentes com danos corporais.


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