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O Natal e a crise

Caros colegas e companheiros, quando esta revista vos chegar às mãos estaremos em plena quadra natalícia, altura em que os desejos se manifestam e os votos proliferam.

Nas ruas acender-se-ão as luzes com temas decorativos e alusivos à quadra natalícia. O “Pai Natal”, figura mítica do imaginário da nossa meninice, aparecerá a cada esquina. As televisões incentivarão os nossos filhos e netos através de spots publicitários ao consumismo generalizado de produtos, onde a relação preço qualidade nunca será posta em causa. A este clima festivo aliar-se-á o apelo ao consumismo, e para corresponder ao mesmo seremos forçosamente obrigados a um aumento de horas de trabalho, pois só assim poderemos de algum modo dar aos nossos a dignidade que a quadra justifica.

Por isso mesmo, não quero deixar de me dirigir a vós como Presidente da Associação que vos representa, neste momento particularmente difícil da nossa vida empresarial, para vos transmitir uma mensagem sincera e com a convicção profunda de que o futuro terá forçosamente para nós de caminhar para uma melhoria generalizada.

Os industriais de táxi estão conscientes da grave crise recessiva que o nosso país atravessa, sentindo-a com particular intensidade, encontrar-se-ão muito provavelmente indiferentes a estes apelos familiares e consumistas, e certamente bastantes apreensivos quanto ao futuro do nosso sector.

A situação é péssima... pior será impossível!

Acredito e faço votos sinceros para que a clarividência e a lucidez destes ou de outros governantes os levem a tomar medidas económicas, há longo tempo reivindicadas que dinamizem o sector, tirando-o do marasmo em que este caiu nos últimos anos, fruto do clima da recessão económica que neste momento atravessa transversalmente todos os sectores da economia nacional, mas também das medidas particularmente gravosas que foram aplicadas ao sector, isto é, os investimentos avultados que nos últimos anos temos sido obrigados a fazer.

Já começaram as negociações para o novo tarifário, que não serão provavelmente fáceis, nem a contento de todos, todavia, acredito que fruto de um diálogo honesto e sincero possa aparecer uma convenção onde as nossas reivindicações serão contempladas.

Esta é a minha convicção sincera.

Nesse sentido competirá à ANTRAL o empenho absoluto nestas negociações com o objectivo de traduzir todos os desejos da classe junto da tutela.

Esta terá que ter a coragem de tomar medidas económicas que democratizem o uso dos táxis à população em geral.

Porventura novas lutas podem-se avizinhar aos nossos Associados no sentido de sensibilizarmos as entidades governamentais para as nossas justas reivindicações, mas gostaria de formular um desejo que essas reivindicações já do conhecimento do governo pudessem ser atendidas sem necessidade de termos de mobilizar o nosso sector.

Estamos num momento particularmente difícil da nossa vida empresarial para a qual temos de sensibilizar e mobilizar as nossas forças.

Resta-me desejar a todos em nome da Direcção da ANTRAL:

um Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Florêncio Plácido de Almeida
Presidente da Direcção


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