
O associativismo
e o seu poder
Ao folhear o dicionário de língua portuguesa
encontrei a definição que a seguir transcrevo
relativamente à palavra Associação: "união
de esforços de várias pessoas para prosseguir
um fim comum".
É exactamente sobre este conceito que este meu artigo
se vai concentrar.
o passado recente, foi ele mesmo exemplo de como a união
de uma classe pode efectivamente dar os seus frutos e conseguir
atingir lobbies e interesses que muitas das vezes se instalam
sobre o sector.
Assim, não quero deixar de vos recordar que fruto
dessa união conseguimos corrigir de algum modo comportamentos
que certos sectores tinham em relação aos industriais
de táxi.
Como exemplo, não posso deixar de referir o efeito
correctivo que teve a assinatura de protocolos de contabilidade
pela ANTRAL com profissionais da área, e que levou
à descida do valor médio cobrado a nível
nacional pelos gabinetes de contabilidade, porque simplesmente
passou a existir uma alternativa credível e acessível
à qual os nossos Associados podem a todo o momento
aderir.
Por outro lado, a criação da PROTAXISÓ,
S.A. e o consequente desenvolvimento da componente comercial
permitiu também à ANTRAL intervir de algum modo
no mercado dos taxímetros e luminosos, não sendo
bem-vinda para muita gente esta intervenção,
possibilitou contudo de igual modo a todos os industriais
a compra dos taxímetros a preços bem mais acessíveis
do que aqueles que eram praticados há 3 ou 4 anos atrás.
Só por isso valeram a pena as muitas noites de insónia
que os directores da nossa Associação tiveram,
fruto de algumas dificuldades técnicas e resistências
passivas que tentaram de algum modo entravar a nossa intervenção.
Hoje que decorre em ritmo acelerado a implementação
destes aparelhos, temos a certeza que a nossa intervenção
atingiu plenamente os seus objectivos, pois, foi acima de
tudo disciplinadora e correctiva do mercado. Independentemente
da marca escolhida dos aparelhos todos os industriais beneficiaram
ou irão beneficiar directamente desta situação.
Por último, não queria deixar de referir o
exemplo da formação em termos de renovação
da carteira profissional.
A ANTRAL e os seus directores tinham uma estratégia
definida que passava pela exigência da renovação
automática do CAP e que iria terminar com uma concentração
protesto a nível nacional no passado dia 16 de Julho,
da qual já tínhamos dado conhecimento ao ministro
Eng. Carmona Rodrigues que àquela data tutelava os
transportes.
Todavia, constatava-se que algumas franjas do nosso sector
não solidárias com esta posição
começavam a inscrever-se nas escolas de formação
já certificadas.
A queda do governo e a indefinição em termos
de futuro, levaram a que a ANTRAL tivesse que decidir e optar
por outra estratégia, a qual passou exactamente por
entrar dentro do sistema formativo e no seu interior tentar
a sua correcção, nomeadamente ao nível
dos preços exorbitantes que algumas escolas de formação
se preparavam para cobrar aos nossos Associados.
Por isso mesmo, foi decidido fazer os cursos a preços
impensáveis de serem praticados na altura por qualquer
escola de formação.
45,00 Euros foi então o preço decidido a praticar
a nível nacional neste processo formativo, pois a ANTRAL
tem uma responsabilidade acrescida atendendo ao seu carácter
de âmbito nacional e, assim, deveríamos ter um
preço uniforme em todo o território, disponibilizando
a formação na nossa Sede e Delegações
e também no mínimo a nível distrital,
no sentido de minimizar os incómodos que este processo
irá causar aos nossos Associados.
Estávamos e estamos a lutar contra o tempo, pois é
um desafio e uma experiência nova para a ANTRAL, e teremos
de ultrapassar algumas adversidades inerentes ao próprio
processo.
O tempo urge e os meios são escassos! Torna-se por
isso mesmo absolutamente necessário criar uma bolsa
nacional de formadores que possibilitem no futuro minimizar
ainda mais estes inconvenientes, por isso não quero
deixar de lançar um apelo aos nossos Associados no
sentido de aqueles que se sentirem com capacidades para frequentarem
cursos de formação de formadores ou que tenham
familiares nessas condições para o fazerem,
com vista a que no futuro se possa ter uma colaboração
mais activa do próprio sector.
É esta uma aposta arrojada que já mexeu e vai
com certeza continuar a mexer com interesses e lobbies instalados
na área da formação dos motoristas de
táxis.
Exemplo disto é o que está presentemente a
acontecer, pois as escolas pressionadas pela força
da intervenção da ANTRAL sentiram desde logo
a necessidade de reduzir. os seus preços para poderem
sobreviver nesta área de formação. Como
referência algumas escolas baixaram os seus preços
para um valor compatível com aquilo que a ANTRAL tinha
estipulado para este processo de renovação da
carteira profissional.
Os nossos objectivos tinham sido felizmente novamente atingidos
e a nossa intervenção encontra-se e está
plenamente justificada.
Chegou-se mesmo àquilo que era inimaginável
há alguns meses atrás, isto é, hoje mesmo
deslocam-se de terra em terra vendedores de cursos, que demagogicamente
acabam por fazer crer aos candidatos à formação
coisas absolutamente absurdas, ou seja, que as carteiras profissionais
serão renovadas sem qualquer formação.
Hoje, não posso deixar de me sentir satisfeito e feliz
por saber que a vida dos nossos industriais está um
pouco mais facilitada, mas vejo-me na obrigação
de afirmar que só devido à força da Associação
dos industriais que constituem ANTRAL isso foi possível.
SAUDAÇÕES ASSOCIATIVAS
José Monteiro
Director da Revista
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