LISBOA
Rainha do Tejo

«A
ENTRADA DO EURO AGRAVOU-NOS A CRISE!»
- Sublinha Armando Lopes, Delegado Distrital de Lisboa
e Presidente do Conselho de Delegados
Armando Lopes, Delegado Distrital de Lisboa e Presidente
do Conselho de Delegados, é um dos mais antigos
industriais no activo, exercendo a actividade há
52 anos e o cargo de Delegado da ANTRAL desde 1979.
É sócio-gerente da Associada Táxis
Lopes e Galhardo, lda" uma empresa que opera com
2 viaturas na cidade de Lisboa.
Segundo
este experiente Delegado Distrital: «a nossa actividade
profissional sempre foi pouco rentável, antigamente,
fazíamos pouco dinheiro mas os nossos encargos
eram relativamente baixos, nos dias de hoje as receitas
diminuem e os encargos não param de aumentar,
Julgo que muitos colegas meus que tenham filhos a estudar
se as esposas não tiverem um vencimento razoável,
neste momento, já não estão em
condições de suportar os encargos».
Na opinião de Armando Lopes a crise do sector
já se vinha sentindo de alguns anos a esta parte,
mas agravou-se muito com a entrada em circulação
da moeda única: «estou em crer que na cidade
de Lisboa só nos 2 últimos anos nós
perdemos mais de 30% das receitas. Qualquer dia há
tantos carros parados nas Praças que vai ser
difícil arranjar espaço para estacionar».
Efectivamente, na cidade de Lisboa trabalham 3418 viaturas
ao serviço de cerca de 3000 empresas, garantindo
o Delegado Distrital de Lisboa que problemas como os
congestionamentos de tráfego prejudicam gravemente
o sector: «nós em Lisboa debatemo-nos com
um grande dilema, nas horas em que há mais serviço
não conseguimos andar, nas horas em que se circula
melhor já não há serviço».
É por estas e por outras que Armando Lopes considera
que as entidades camarárias tinham obrigação
de criar mais corredores BUS, mais praças de
táxis e bons parques de estacionamento na periferia
da capital para desincentivar a utilização
do automóvel particular, sugerindo mesmo o seguinte:
«os automóveis com um único ocupante
deviam pagar imposto para entrar em Lisboa».
«Nos diversos concelhos do distrito de Lisboa,
duma forma geral, os problemas são idênticos,
mas mesmo assim acho que na capital a falta de rentabilidade
é mais acentuada e os congestionamentos de tráfego
muito maiores» - garante Armando Lopes.
E sugere mesmo que alguns dos nós da capital
que impedem que o tráfego seja mais fluído
que sejam objecto de estudo, com medidas concretas por
parte da câmara e do Governo para que essas situações
sejam, senão resolvidas, pelo menos minimizadas:
«quanto aos corredores BUS devia haver mais fiscalização
porque alguns deles não são respeitados
pelos automobilistas» - revela o Delegado Distrital
de Lisboa.
Armando Lopes salienta que: «temos de ter sempre
esperança no futuro, mesmo em alturas como esta
em que as nossas perspectivas são muito fracas».
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Consta
a lenda que a cidade de Lisboa foi fundada por Ulisses, célebre
herói grego criado por Homero, que engendrou também,
entre inúmeros feitos gloriosos, o genial" cavalo
de Tróia"; contudo, sabe-se hoje de fonte segura
que certos locais onde assentam alguns bairros históricos
da capital já eram povoados muito antes das efabulações
homéricas. Há cerca de 3 milénios, quando
os fenícios estenderam à Península Ibérica
as suas actividades comerciais, o morro onde actualmente assenta
o castelo de S. Jorge e as encostas viradas ao Tejo já
eram habitados. Denominava-se então esse pequeno povoado
de Alissubo. Passando a chamar-se Olissipo aquando da conquista
da Lusitânia pelas hostes romanas.
Com a queda do império romano a cidade de Lisboa foi
sucessivamente invadida por diversos povos bárbaros,
até que no ano de 714 o Vali Abdelaziz-Bem-Musa subiu
com as suas tropas o estuário do Tejo para a conquistar
às mãos dos Visigodos. Fez-se história,
e a cidade durante mais de 4 séculos passou a denominar-se
Lissibona.
O
resto já toda a gente sabe!... Em 1147, D. Afonso Henriques,
auxiliado por uma armada de cruzados ingleses, alemães
e flandreses, conquista a cidade fortificada de Lisboa e o
seu castelo, numa altura em que o burgo albergaria já
cerca de 15000 "almas". Porém, é no
reinado de D. Afonso III que as cortes se estabelecem em Lisboa,
fazendo da cidade capital do país até à
presente data. Lisboa viria a conhecer o seu apogeu no reinado
de D. Manuel I, no início do Séc. XVI, logo
após a época dos descobrimentos, numa altura
em que floresciam as actividades relacionadas com o comércio
marítimo. A cidade torna-se então a capital
dum vasto império transatlântico para onde todas
as rotas pareciam convergir. Algumas décadas mais tarde,
sob o domínio espanhol, Lisboa atravessou um dos períodos
mais ensombrados da sua história.
Em 1755 um violento terramoto destruiu por completo toda
a baixa da cidade. Um plano de emergência conduzido
pelo marquês de Pombal deu uma feição
arquitectónica completamente nova a uma considerável
parte da capital. Nasce assim a Baixa pombalina, com as suas
ruas alinhadas e cruzadas e rasgados quarteirões imponentes
e lineares, que tanto parecem impressionar os turistas que
a cada novo Verão invadem a cidade.
LISBOA MONUMENTAL E PAISAGÍSITICA
Lisboa está longe de sobressair entre as demais capitais
europeias, tanto do ponto de vista da sua riqueza monumental
como pela nobreza arquitectónica das suas igrejas e
palácios. Mesmo assim, não deixa de apresentar
um significativo e interessante conjunto de monumentos.
Do
período românico sobressai a Sé de Lisboa,
edificada no Séc. XII. O legado gótico encontra-se
patente no pórtico e nas absides do arruinado Convento
do Carmo, prosseguindo, no manuelino, com os monumentais Mosteiro
dos Jerónimos e Torre de Belém (ambos com o
título de Património da Humanidade), e ainda
a singular Casa dos Bicos. No entanto, pouco mais há
profusamente impressivo a acrescentar. Uma nota ainda para
a admirável praça do Terreiro do Paço,
dotada dum admirável equilíbrio do ponto de
vista arquitectónico, dominada pelo magnífico
arco triunfal da Rua Augusta.
Do ponto de vista paisagístico o caso muda radicalmente
de figura. Lisboa é, de facto, pela sua privilegiada
situação geográfica, alcantilada e multiforme
sobre um portentoso estuário, uma das mais bonitas
capitais europeias. Do alto do Castelo de S. Jorge, de S.
Pedro de Alcântara, do Parque Eduardo VII, do templo
de N. Sra, do Monte, e dos Montes Claros, colhem-se panoramas
empolgantes que uma vez vistos muito dificilmente serão
esquecidos.
Mas deixemo-nos de rodeios, persiste a unanimidade na afirmação
de que a melhor vista que se pode colher da cidade é
a partir do Tejo. Lisboa transfigura-se, erguendo-se em anfiteatro
ganha novos relevos e edílicos rendilhados, que levaram
ilustres viajantes a comparar a beleza da condição
natural de Lisboa à de cidades como Nápoles
ou Constantinopla. Baretti (1732), Matthewes (1817), Byron
(1817), Kinsey (1825), Louis Ulbach (1886), Armand Dayot (1887),
Begny D'Hagerue (1890), Martin Hume (1907), todos eles nos
legaram vivas páginas de memórias alusivas ao
deslumbramento que sentiram quando, subindo o Tejo, depararam
com Lisboa pela primeira vez, erguendo-se magnificente acima
das águas.
A CIDADE CONTEMPORÂNEA
A moderna capital portuguesa não difere hoje muito
das suas congéneres europeias no que respeita ao modo
de vida dos seus habitantes. É uma cidade buliçosa
onde a afluência de tráfego se encontra prestes
a atingir níveis de ruptura e o afã quotidiano
da população ganha um ritmo cada vez mais célere.
Nas
últimas décadas a população da
cidade tem findo a fixar-se na periferia, alargando a malha
urbana e criando uma vasta área metropolitana onde
residem hoje mais de 2 milhões de habitantes. Na tentativa
de conter e ordenar este surto têm-se construído
novos acessos à capital e um sem fim de infra-estruturas
complementares, apesar de tudo insuficientes e nem sempre
adequadas a uma metrópole que se arroga de moderna
e cosmopolita.
Na segunda metade do Séc. XX realizaram-se na capital
algumas obras e eventos notáveis, sendo dignos de destaque
as pontes 25 de Abril e Vasco da Gama e a recuperação
de toda a zona oriental da cidade com a realização
da Expo 98.
Resta ainda acrescentar que Lisboa dispõe dum excelente
clima, com um céu azul celeste de gradações
claras nos muitos dias de sol de que desfruta anualmente.
João Cerqueira |