PORTALEGRE
Miradouro natural do Norte Alentejano

«A
RETIRADA DE SERVIÇOS PARA A ARS TROUXE-NOS UMA
QUEBRA DE SERVIÇO ENTRE OS 70 E OS 75%»
- Lamentou José Armando Carreiras, Delegado
Distrital de Portalegre
José
Armando Carreiras, Delegado Distrital de Portalegre,
tem 33 anos de idade e é sócio-gerente
da Socitavis Transporte de Passageiros Lda, empresa
sedeada em Avis, proprietária de 4 viaturas táxis,
conduzidas pelos 4 sócios detentores desta empresa.
O distrito de Portalegre é um dos mais afectados
a nível nacional pelos chamados problemas da
interioridade, mas neste sector em particular a situação
que se vive naquele distrito é dramática,
José Armando Carreiras explica-nos porquê:
«desde meados do ano de 2003 que nos foi retirado
todo e qualquer serviço relacionado com o transporte
de doentes. Embora seja uma situação que
não afecte de igual modo as empresas de táxis
da cidade de Portalegre e dos restantes concelhos do
distrito, posso assegurar que isso trouxe-nos uma quebra
de serviço, em média, entre os 70 e os
75%. E isto porque nas pequenas localidades as pessoas,
praticamente, só usam o táxi por necessidade,
quando se têm de deslocar a uma consulta, fazer
exames médicos, etc.».
José Armando Carreiras queixou-se igualmente
à Revista ANTRAL de alguma concorrência
“habilidosa” que grassa no distrito de Portalegre
e é altamente prejudicial para a actividade económica
desenvolvida pelos taxistas: «uma câmara
que cede uma viatura a um munícipe para ir a
um sítio qualquer não é propriamente
um transporte clandestino porque a pessoa não
paga, mas prejudica a nossa actividade. Por outro lado,
no nosso distrito está-se a verificar que as
câmaras estão a instalar um género
de serviço de autocarro quase do tipo “porta
a porta”, que pára onde e quando o utente
quiser. Ora isto, na prática, é quase
um táxi».
O Delegado Distrital de Portalegre confessou não
estar muito optimista relativamente ao futuro, já
que uma das hipóteses de solução
que vê para o sector naquela região do
país é bastante drástica: «alguém
devia ter coragem para tomar a iniciativa com vista
à redução do número de licenças.
Hoje, nós estamos a ver um excesso de oferta
muito grande e os nossos serviços a serem absorvidos
por quem não deve e nem sequer está habilitado
para o efeito, e o mais grave é que não
há compensação nenhuma» -
afirmou.
Segundo José Armando Carreiras, a situação
chegou a tal ponto que: «os 5 anos que supostamente
a viatura tem como duração para a sua
amortização já não são
suficientes para rentabilizar a viatura».
A concluir, José Armando Carreiras fez questão
de sublinhar que: «os táxis desempenham
um papel social importantíssimo mas não
são reconhecidos como tal». |
Debruçada nas faldas da Serra de S. Mamede, envolta
numa paisagem que rompe de alguma forma com as características
mais comuns do Alentejo, dos pontos altos da cidade de Portalegre
avista- se uma vasta região hoje denominada Norte Alentejano,
que se estende desde o rio Tejo até planícies
de Elvas e Estremoz.
Na idade média a cidade de Portalegre era um importante
ponto de passagem para a Estremadura espanhola. O seu castelo,
construído por D. Dinis, data do séc. XIII,
e conjuntamente com o Convento de São Bernardo, a Sé
Catedral, a Igreja do Bonfim e a Igreja de Santiago, constituem
alguns dos mais importantes monumentos da cidade.
Portalegre alberga também um dos melhores conjuntos
de solares e casas apalaçadas do século XVIII
a nível nacional. Assinala-se o edifício dos
Paços do Concelho, o Palácio dos Barahona, o
Palácio dos Povoas, o Palácio Avilez e o Palácio
dos Acchioli. O Museu Municipal e a Casa Museu José
Régio, onde o poeta viveu boa parte da sua vida, merecem
ser visitados.
A plasticidade do casario caiado de branco com saias
a ocre, descendo suavemente as encostas de monte num alinhamento
perfeito, não diferem muito em Portalegre de tantas
outras terras alentejanas. As chaminés, de infinita
variedade, desenham sombras grotescas ao cair da tarde. O
barro continua a ser rei e senhor nos revestimentos decorativos.
As gradarias em tijolo num cruzado geométrico cobrem
terraços, muros em algumas moradias e mirantes ajardinados.

Das actividades económicas sobressai a pecuária,
o apura das raças de gado caprino e ovino, as indústrias
da cortiça e a têxtil e, sobretudo, a produção
de vinho. A região de Portalegre é uma das 8
áreas geográficas alentejanas demarcadas com
denominação de origem controlada em matéria
de vitivinicultura. Estas vinhas encontram-se implantadas
em solos de origem granítica e nalgumas manchas de
xisto, numa área de microclima que abrange uma parte
da Serra de S. Mamede.
Alguns produtores de vinho do Norte Alentejano aderiram ao
projecto de Enoturismo da “Rota dos Vinhos do Alentejo”,
cujo gabinete de apoio organiza visitas e provas de vinho
em adegas da região, nomeadamente na Adega da Cabaça,
Adega Cooperativa de Portalegre, Tapada do Chaves e Sociedade
Agrícola Francisco Fino, todas elas no concelho de
Portalegre.
PARQUE
NATURAL DA SERRA DE S. MAMEDE
Estendendo-se para Norte e Sul, praticamente a partir das
portas da cidade, o Parque Natural da Serra de S. Mamede é
o mais importante espaço protegido de todo o Alentejo.
Culminando a 1025 m de altitude no pico de S. Mamede, integra
terrenos rochosos. No coração deste Parque Natural
a vegetação mediterrânica funde-se muitas
vezes com a Atlântica, formando aqui e ali uma densidade
florestal ímpar em todo o interior alentejano. Choupos,
salgueiros, freixos, nogueiras, castanheiros, carvalhos e
oliveiras propiciam uma mistura inédita, adensada por
grandes manchas de pinheiro bravo nas zonas de média
altitude.
Quanto à fauna destacam-se mamíferos como a
lontra, javali, texugo, toirão, sacarabos, geneta,
gato-bravo, raposa, lebre, coelho e o rato de cabrera. Vilas
históricas como Marvão e Castelo de Vide, no
interior do Parque Natural, constituem autênticos museus
ao ar livre.
No concelho de Castelo de Vide, encontra-se o Menir da Meada,
o maior de toda a Península Ibérica, um impressionante
monólito com mais de 7 metros de altura e 15 toneladas
de peso, descoberto em 1965. Nas imediações
assinala-se o Parque Megalítico dos Coureleiros, onde
se registam 4 monumentos do neolítico. Ainda neste
concelho a necrópole de St. Amarinho e a Anta da Melriça,
também são dignos de visita.
No
concelho vizinho de Marvão destacamos as ruínas
da cidade romana de Ammaia, nas imediações de
S. Salvador de Aramenha, a estação arqueológica
romana da herdade dos Pombais e a Anta do Vale da Figueira.
Antes da assombrosa descoberta das gravuras rupestres de
Foz Côa, alguns estudiosos consideravam a aldeia de
Esperança, no concelho de Arronches, nas imediações
da fronteira com Espanha, a verdadeira capital da arte rupestre
em Portugal. Aí se podem ver as pinturas rupestres
da Lapa dos Gaivões e do Abrigo Pinho Monteiro.
OUTROS PONTOS DE ELEIÇÃO
DO NORTE ALENTEJANO
A Villa romana de Torre de Palma, também conhecida
por Villa Basili, classificada de Monumento Nacional desde
1970, situa-se nas imediações de Vaiamonte,
no concelho de Monforte. As escavações tiveram
início em 1947 e legaram-nos os mais belos conjuntos
de mosaicos decorativos romanos existentes no país.

O acontecimento mais mediático de toda a região
é a Festa das Flores de Campo Maior, que se realiza
no início do mês de Setembro, em honra do patrono
da cidade, S. João Baptista. Esta festa tem a particularidade
de ser organizada apenas quando a povo e a Associação
das Festas de Campo Maior entendem. A Festa das Flores é
das mais bonitas que se realizam em Portugal, figurando igualmente
entre as que maior número de visitantes atrai, provenientes
de todo o país, de Espanha e mesmo de outros países.
Durante meses a fio a população empenha-se num
trabalho árduo que culminará com o enfeite das
ruas com milhares de flores de papel feitas à mão:
rosas, cravos, tulipas, glicínias e papoilas, nascendo
das próprias casas, formando túneis multicoloridos
atravessados por um mar de gente. Dança-se ao ritmo
de pandeiretas e castanholas. O povo abre as portas das suas
casas aos visitantes.
Na região ainda podem ser observadas actividades tradicionais
como a vindima, a apanha da azeitona, a ceifa, o fabrico dum
azeite cuja finura é difícil de igualar, o descortiçar
dos sobreiros, a produção do carvão de
azinho em terras onde o porco preto ainda é alimentado
com bolotas de azinheira.
João Cerqueira |