ISP
COM RECEITAS ACIMA DO PREVISTO
Finanças enchem os cofres à nossa conta
O aumento de 7,4 % na receita de ISP em Abril, bem acima
dos 4,1 % orçamentados, deve-se ao aumento da taxa
introduzida pelo Governo em Fevereiro e ao crescimento nas
vendas de veículos automóveis nestes últimos
meses, e não “à antecipação
do consumo das empresas portuguesas, receosas de que os preços
subam mais”, conforme afirmou recentemente o Secretário
de Estado do Orçamento, Norberto Rosa.
Com base nesta análise, o Governo devia baixar de
imediato a taxa do ISP de forma a incentivar a actividade
económica do País.
O secretário de Estado do Orçamento, Norberto
Rosa, justificou recentemente o aumento da receita do ISP
com a antecipação do consumo das empresas portuguesas.
Esta afirmação representa uma confrangedora
falta de conhecimento do mercado dos combustíveis,
ou, o que será igualmente grave, uma deliberada distorção
da realidade para branqueamento da política obstinada
de realização de receitas.
Na realidade, o peso das gasolinas e gasóleo rodoviário
nas vendas totais de combustíveis em Portugal é
cerca de 44% e nas receitas do ISP representam cerca de 75
% (dados da DGE de Janeiro a Abril de 2003). Portanto, pela
explicação do Secretário de Estado, os
consumidores anteciparam as suas viagens programadas para
o ano em veículos automóveis, inclusive as de
casa-trabalho, com receio dos aumentos! Esta tese aplica-se
às empresas de transporte, que também teriam
antecipado o transporte das mercadorias e de passageiros para
fazer face à subida dos aumentos dos combustíveis!
Como se tal fosse possível!
O aumento de receita do ISP deveu-se, sobretudo ao aumento
dos valores desse imposto por via da Portaria nº 149-A/2004
de 12 de Fevereiro, que veio aumentar o ISP sobre o gasóleo
em 2,84%, as gasolinas sem chumbo em 0,96% e ao gasóleo
colorido e marcado em 3.3%
Por outro lado, conclui-se que em todos os meses de Março
o consumo aumenta sempre relativamente aos meses de Fevereiro,
o que é explicado pelo número de dias mensais
e também aos efeitos da época da Páscoa.
Conclui-se assim que a referida Portaria foi introduzida
intencionalmente. Por um lado, pelo previsível disparo
do consumo em Março, e, por outro, na única
altura em que os mercados internacionais de petróleo
sofreram uma quebra, impedindo assim que houvesse um abaixamento
dos preços de venda ao público dos combustíveis.
Do conjunto destes factos resulta o aumento do consumo e
o aumento de 7,4% nas receitas do ISP.
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