
As voltas que o CAP dá
Caros colegas,
Como se recordam, em 15 de Abril p.p., foi aprovada, na assembleia
geral extraordinária então realizada, uma proposta
do Conselho de Delegados, nos termos da qual a direcção
foi mandatada para propor ao governo as alterações
imprescindíveis à legislação sobre
o CAP dos motoristas de táxi.
Esta reformulação, que deveria estar concluída
no prazo máximo de 30 dias, deveria prever a hipótese
de a formação ser ministrada a nível
das autarquias e se possível com o apoio das respectivas
câmaras municipais e não fazer depender a renovação
do CAP de qualquer acção de formação.
O novo sistema deveria prever uma carga horária no
máximo de 50 horas, que incluiria os módulos
de relações interpessoais, normas legais de
circulação, higiene e segurança no trabalho
e geografia toponímica. A não ser satisfeita
esta legítima pretensão do sector, a direcção
ficou mandatada para mobilizar os associados para as acções
de protesto que pretenda levar a cabo, sendo, desde logo sugerida
uma concentração de viaturas táxi, em
Lisboa, em frente à DGTT, e nas restantes capitais
de distrito, em frente aos governos civis, onde se procederia
à entrega dos certificados de aptidão profissional.
A direcção não podia deixar de agir
em conformidade e assim de imediato providenciou audiências
com os membros do governo que tutelam este sector, Ministro
e Secretário de Estado dos Transportes, tendo chegado,
inclusivamente, a marcar o dia 16 de Julho para a concentração.
Sucede, no entanto, que, como os colegas sabem, o terramoto
político que se abateu sobre nós, alterou substancialmente
o quadro em que a situação do CAP estava a ser
analisada e discutida.
Na verdade, com a queda do Governo, resultante da ida para
Bruxelas, do actual Primeiro-ministro, ficamos confrontados
com um governo de gestão corrente, sem capacidade para
introduzir quaisquer alterações muito menos
as pretendidas.
E neste contexto, pode, até suceder que, só
em finais do corrente ano, é que teremos um governo
com capacidade negocial, que, naturalmente, terá de
estudar e analisar os dossiers, de ouvir os interessados,
colher pareceres, etc., etc., o que, muito provavelmente significa
que só em Março, Abril do próximo ano
é que estaria em condições de satisfazer
ou negar satisfazer as nossas pretensões!
E nesta conjuntura o que sucede?
Chega ao fim o prazo para a renovação dos
CAP e quem os não renovar sujeita-se a elevadas coimas.
Neste contexto, a direcção da ANTRAL viu-se
forçada a adoptar uma postura pragmática, ou
seja a que menos prejudicasse o interesse dos nossos associados,
que, em verdade, são a razão de ser da existência
da ANTRAL.
Assim, decidimos avançar com a certificação
da Protaxisó, SA, para efeitos de formação
dos cursos de renovação.
Mas a nossa entrada na área da formação
também tem outros objectivos, que vão para além
da formação propriamente dita. Como sabem, a
formação tornou-se num negócio, que,
envolvendo milhões de euros, é cada vez mais
apetecido por empresas e escolas.
A Protaxisó, SA, empresa 100% ANTRAL, vai, muito provavelmente,
contribuir para moralizar o mercado, pois vai proporcionar
formação, para os seus associados, praticamente
a preços de custo.
Na realidade, fixámos já um preço de
45,00 euros, acrescidos de IVA, para os cursos de formação
contínua, ou seja os cursos necessários para
a renovação do CAP.
Não nos podemos esquecer que quando apareceram os
primeiros interessados em proporcionar esta formação,
os preços dos cursos rondavam os 300,00 euros!
Como sabem, estes cursos têm a duração
de 20 horas presenciais no regime geral, mas a Protaxisó,
SA, vai aproveitar a possibilidade legal de utilizar o ensino
à distância e, assim, apenas vai exigir a presença
dos formandos durante 6 horas, para discussão e esclarecimento
de dúvidas.
Neste sentido, para completar a formação,
será entregue a cada formando um conjunto de manuais
e fichas de avaliação.
Para poder prestar esta formação, torna-se
imprescindível certificar a Protaxisó, SA, junto
da DGTT. Com esse objectivo, elaboramos um dossier de candidatura,
que o director geral de Transportes Terrestres prometeu apreciar
em tempo recorde.
Não podemos, desde já, deixar de registar
com agrado esta posição do Eng.º Jorge
Jacob que vai permitir, em tempo útil, a entrada da
Protaxisó, SA, na área da formação.
Entretanto, ao mesmo tempo fizemos entrega de um memorando,
onde, mais uma vez, se teciam fortes críticas ao actual
sistema de certificação de motoristas de táxi,
salientando, principalmente, a excessiva carga horária
prevista para a formação inicial.
Como temos vindo a salientar, a formação inicial,
na vertente teórica, não deveria ser superior
a 50 horas e apenas deveria abranger os módulos de
comunicação e relações interpessoais,
normas legais de circulação, aspectos práticos
do serviço de transportes, legislação
do trabalho, segurança e higiene dos transportes e
geografia toponímica.
Temos já conhecimento que a DGTT considerou o nosso
dossier de candidatura extremamente bem feito e que a Protaxisó
vai ser certificada nos princípios de Julho, para efeitos
de renovação do CAP.
Entretanto, para efeitos da formação com vista
à atribuição do CAP, a DGTT também
nos informou que considera a nossa proposta muito credível
pelo que, também, aguardamos a certificação
curto prazo.
Caros colegas,
Lá diz o ditado, se não os podes vencer junta-te
a eles. Foi o que fizemos.
Pela melhor razão, o interesse dos nossos associados.
Para a formação, contamos com a sede e as nossas
delegações, mas já temos promessas de
autarquias do interior para nos disponibilizarem salas para
formação para reduzir o mais possível
as deslocações dos interessados.
Em resumo:
A Protaxisó, SA, empresa 100 % ANTRAL, vai dar formação.
Para os cursos de formação contínua,
o curso necessário para a renovação do
CAP, o preço ronda os 40,00 euros por pessoa.
Na modalidade de ensino à distância, que a Protaxisó,
SA, vai implementar, apenas se exige a presença física
dos formandos durante 6 horas.
Para além de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e Évora,
onde prestaremos formação nas nossas instalações,
estamos a contactar autarquias para nos disponibilizarem salas
para formação.
A própria DGTT também se comprometeu a arranjar
salas para este efeito.
Desta forma, estando a tentar minimizar, nesta matéria,
os inconvenientes para os nossos associados, a quem pretendemos
evitar grandes deslocações, estamos convencidos
que actuamos de acordo com os seus interesses.
A muito curto prazo, remeteremos uma circular a todos com
os esclarecimentos necessários.
Caros colegas, Atenção, a nossa posição
sobre o CAP e sobre os cursos de formação contínua
não sofreu alteração.
As circunstâncias é que nos forçaram
a alterar o comportamento, pois, estamos conscientes, que
a defesa intransigente da nossa posição, na
actual conjuntura política, conduziria os associados
a um beco sem saída.
Neste contexto, resta-nos aguardar que se alterem as circunstâncias
políticas para, se for esse o desejo dos colegas, voltar
a discutir, nas condições e dentro dos parâmetros
escolhidos, o dossier do CAP.
Até lá, estamos de consciência tranquila,
pois julgamos ter procedido da melhor maneira.
Florêncio Plácido de Almeida
Presidente da Direcção |