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| A vida é bela a Droga dá cabo dela | ||
Manhã de sábado.
Sábado de um fim-de-semana que, para muitos, é prolongado.
Terça-feira será feriado, muita gente faz a ponte; a cidade
esvaziou-se ontem. à tarde quando, sequiosas de um pouco de sol
e alguma tranquilidade as pessoas correram para as suas terras, para o
Algarve ou para algures que lhes permita mudar de ambiente e desacelerar
o ritmo do dia-a-dia de Lisboa. |
- Leve-me a Alcântara...
Fez uma pausa - à Meia-Laranja - rematou. Pensei que não era possível, aquela jovem tão engraçada e com tão bom aspecto, andar metida na droga. Mas, Meia-Laranja, é praticamente fatal. Começámos a conversar calmamente, eu diria até com doçura. Ela era uma simpatia! - Sabe, a minha mãe também é empresária de táxi mas os motoristas só lhe dão chatices!... A experiência leva-me logo a deduções rápidas. Uma mulher não compra um táxi para explorar. Normalmente, as que os têm herdaram-nos dos pais ou dos maridos. O mais habitual é o marido morrer e elas teimarem em ficar com o carro, porque a maioria vende-o para se ver livre de problemas e capitalizar com o dinheiro da venda. Arrisco e pergunto: - Mas então, herdou-o? -Foi! - Respondeu sempre com aquele sorriso lindo e os olhos grandes, espontâneos, fixando-me com um grande à vontade - O meu pai morreu. Mas os motoristas dão muitos problemas. Enganam-se muito nas contas. Sabe?... - Deixe lá, qualquer dia tem que instalar um taxímetro, depois acabam-se as golpadas: - digo eu, para encher a conversa. - Pois eu também já ouvi dizer isso. - Claro, que em breve tudo isso se resolve. Depressa chegámos à Meia-Laranja e já parados, enquanto me pagava e sorria, eu não resisti em satisfazer a minha curiosidade e atrevi-me, com delicadeza: |
- Não me diga que
você vem aqui à procura de... Eu não acredito! Passos Dias Aguiar |
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