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Mais de cinco milénios de história

Figurando entre as raras
eleitas que auferem do
estatuto de Património
Mundial da Humanidade,
alcantilada como muitas
outras povoações
alentejanas num planalto
de declives brandos, Évora
é certamente uma das mais
cenográficas cidades do
país, onde a tipicidade das
suas ruas estreitas
e sinuosas, compostas
de casas brancas,
tradicionalmente caiadas
em vésperas de S. João,
se mistura com um
vastissimo património
monumental, cerca de meia
centena de monumentos
atestando mais de dois mil
anos de história.

No tempo dos romanos chamava-se - Liberalitas Júlia - e a essa época remontam as muralhas e as ruínas do denominado "Templo de Diana", ex-libris da cidade, exemplar único no país e um dos mais monumentais e bem conservados da Península Ibérica, composto por esbeltas colunas de granito e capitéis de mármore. Da dominação goda chegaram apenas aos nossos dias as Torres de Sisebuto, da Rua Nova e da Rua 5 de Outubro, que integram o vasto pano de muralhas da cidade. Os seis séculos de ocupação árabe são atestados ainda hoje pela fisionomia arquitectónica de muitas das suas ruas, vielas, pátios amouriscados, chaminés, arcos de ferradura das galilés e dos balcões.

Conquistada aos mouros em 1166 pela figura lendária de Geraldo Sem Pavor, que tomou a cidade de surpresa, logo a arte cristã edificou a Sé de Évora nos finais do Séc. XIII, um magnífico templo românico-gótico, em que sobressai essencialmente a beleza impar do zimbório, o portal, enriquecido com figuras, e o claustro gótico.

Até ao reinado de D. João I vários monarcas portugueses estabeleceram em Évora temporariamente as suas cortes: D. Sancho I, D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso IV que dali partiu para a batalha do Salado, D. Fernando, a quem se deve a conclusão das muralhas novas.

Durante toda a dinastia de Avis Évora foi capital do reino, transformando-se num grande centro de vida política, espiritual e artística. São desse período boa parte dos monumentos mais característicos da cidade, tais como a curiosíssima Ermida de S. Brás em estilo manuelinomudejar, mandada construir por D. João II; a Igreja de S. Francisco, com um belíssimo portal, talha e painéis pintados; o Convento dos Lóios, actualmente adaptado a Pousada; a Igreja de Nossa Senhora do Espinheiro, com o seu portal renascentista; o Convento de S. Bento de Castris do Séc. XIV, profundamente alterado no reinado de D. Manuel, a abóbada da igreja, o claustro e a porta da sala do capítulo são de rara beleza; os Paços de D. Manuel de que subsiste a Galeria das Damas; os Palácios dos MeIos, dos Vimiosos e dos Cordovis, onde a construção gótica tradicional se mistura com a arte mocárabe.

«NO ALENTEJO O NOSSO FUTURO DEPENDE DOS SERVIÇOS DA ARS»
Afirmou o Delegado Distrital de Évora

Carlos Caetano, Delegado Distrital de Évora, trabalha em Arraiolos com uma viatura e mostrou-se extremamente preocupado com a situação do sector no Alentejo.
Segundo Carlos Caetano, presentemente verifica-se uma enorme dificuldade por parte das pessoas do distrito de Évora em termos financeiros: «e da falta de poder de compra saem penalizados os taxistas, uma vez que as pessoas não têm dinheiro para passear de táxi, e muitas vezes deslocam-se em viaturas de familiares próximos conjuntamente com os mesmos».
Face a uma situação desta natureza o Delegado Distrital da ANTRA por Évora, não tem quaisquer dúvidas ao afirmar o seguinte: «nós esramos cada vez mais dependentes dos serviços que prestramos à Administração Regional de Saúde, para os utentes que vão às consultas. Trata-se dum serviço prestado a indivíduos não acamados, que necessitam de se deslocar num táxi porque os horários dos transportes colectivos não coincide com o das suas consultas hospitalares».
«Há colegas meus que me dizem que passam semanas que não fazem um único serviço a não ser para a ARS» - desabafou Carlos Caetano - «se um dia nos tirarem os serviços para a Administração Regional de Saúde há muitas freguesias onde os táxis vão parar. Teme-se que o nosso sector possa vir a passar o pior, como já está a acontecer no distrito de Portalegre, onde esrão a tentar acabar com este tipo de serviços».
O Delegado Distrital de Évora garante que esta situação afecta sobretudo os concelhos e as freguesias do distrito, já que na cidade de Évora, apesar de tudo, mesmo havendo pouco serviço sempre se vai fazendo qualquer coisa. Fora da cidade, praticamente, só para a ARS: «Não se percebe como é que se pode querer acabar com estes serviços, os utentes estão satisfeitos com a qualidade do nosso serviço, a ARS também, até porque nós praticamos melhores preços do que os bombeiros» - garante Carlos Caetano.
Relativamente à negociação da venda do edifício da Delegação da ANTRAL em Évora, Carlos Caetano está em total desacordo, porque segundo diz: «a actual Delegação encontra-se muito bem situada, por vezes pode haver algumas dificuldades com o estacionamento mas mesmo assim consegue-se pôr sempre o carro nas proximidades, com as obras que se vão fazer para dar os cursos não vejo nenhuma necessidade de mudar a Delegação para outro local. Por outro lado, é um património que é da ANTRAL e vai continuar a valorizar-se. A nossa Delegação, em meu entender, está a funcionar muito bem».

Carlos Caetano
Delegado Distrital da ANTRAL

Templo de Diana

Em 1559 inaugurou-se a universidade fundada pelos jesuítas. No ano seguinte D. Sebastião foi viver para Évora, residindo na cidade durante 5 anos. É desta época a Igreja da Graça, de pórtico clássico e cujas pilastras são encabeçadas por quatro invulgares esculturas em granito. No tempo dos Filipes Évora foi palco duma revolta popular em 1637 e teve protagonismo nas guerras da restauração, tendo sofrido violento cerco em 1663, logo após a batalha do Ameixial. Em 1808 foi tomada pelo francês Loison, e em 1918 rebentou na cidade uma revolta militar contra o então Presidente da República Sidónio Pais.

São ainda dignos de realce os seguintes monumentos: Aqueduto da Prata, traçado por Francisco de Arruda; a casa de Garcia de Resende, do Séc. XVI; o Chafariz da Praça do Geraldo, edificado em 1571; o Chafariz das Portas de Moura, uma obra do cardeal D. Henrique; o Colégio do Espírito Santo; os Conventos de Santa Clara e Monte Calvário; as Igrejas da Cartuxa, da Misericórdia e das Mercês.

OS VALORES DA TRADIÇÃO

Tal como noutras regiões do país Évora mantém vivos importantes valores tradicionais. Nos dias de hoje sentem-se sobretudo no artesanato, onde o mobiliário bordejado de pinturas de acentuado gosto popular, a olaria, as garridas tapeçarias ou os artefactos de couro e cabedal, integram alguns dos elementos mais importantes neste domínio.

 

 

Cromeleque das Almendras

Também no capítulo da gastronomia a região de Évora possui valores muito próprios. A base da alimentação tradicional assenta na carne de porco e de borrego, a que as ervas aromáticas, entre outros segredos culinários, dão um toque de gosto muito especial. Acrescentam-se os doces conventuais e os excelentes vinhos da região.

ARREDORES DE ÉVORA

Se na capital transtagana nos confrontamos com preciosidades históricas a cada passo, nas imediações da cidade são particularmente férteis os vestígios pré-históricos. Efectivamente, Évora encontra-se no centro da mais rica e bem preservada área megalítica do país, tendo atingido já uma notoriedade reconhecida nos meandros científicos internacionais.

Em bom estado de conservação encontram-se no concelho perto de meia centena de monumentos sepulcrais, remontando alguns deles a 4 500 anos A. C.. A menos de uma dezena de quilómetros da cidade e com acessos devidamente assinalados são dignos de visita a Anta da Herdade do Paço das Vinhas, a Anta Grande do Zambujeiro, que figura entre os maiores monumentos megalíticos do mundo e que forneceu vasto espólio patente no Museu Distrital de Évora.

Quanto aos monumentos não funerários destaca-se o Cromeleque dos Almendres, composto por cerca de uma centena de monólitos, cujo complexo que forma era outrora utilizado em rituais de carácter mágico-religioso.

Das povoações do distrito, Monsaraz, fortificada e magnificamente alcandorada sobre o vale do Guadiana, conservando ainda hoje carácter e fisionomia medievais, plena de pitorescas casas caiadas de branco e dotadas de preciosas janelas em ferro forjado. Muito próximo de Monsaraz encontram-se os imponentes menires da Bulho a e do Outeiro, o primeiro dos quais insculturado, bem como o Cromeleque de Xarez, recinto megalítico de planta quadrangular formado por meia centena de pequenos monólitos.

João Cerqueira

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