Editorial

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ASSEMBLEIA GERAL DA ANTRAL

Aprovou relatório e contas, constituição duma sociedade anónima e aquisição da quota-parte da ARAC no edifício sede

A ANTRAL realizou uma Assembleia Geral ordinária no passado dia 10 de Maio, no Hotel Altis Parque, em Lisboa, constando da ordem de trabalhos os seguintes pontos: leitura da acta da reunião anterior; apreciação, discussão e votação do relatório e contas de 2002 e do parecer do Concelho Fiscal; apreciação, discussão e eventual aprovação de uma proposta da Direcção para que a ANTRAL participe na constituição de uma sociedade anónima com a designação "Protaxisó, Serviços, Formação e Comercialização de Equipamentos para Automóveis S.A", com o capital social de 50 000 euros; apreciação, discussão e votação de uma proposta da Direcção, com vista à negociação do edifício onde está situada a delegação de Évora e à aquisição da quota parte da ARA C, no edifício sede.

A Direcção prestou igualmente todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados pela Assembleia em matéria de legislação do sector e situação fiscal da Associação e do sector.

A ASSEMBLEIA GERAL DA ANTRAL E A GREVE DOS CORREIOS
Lamentavelmente, alguns dos Associados da ANTRAL receberam fora de prazo a convocatória para a Assembleia Geral que se realizou no passado dia 10 de Maio. Tal facto ficou a dever-se exclusivamente a uma arreliadora greve dos funcionários dos correios que nos apanhou de surpresa e que, entre muitas outras contrariedades que causou ao público em geral, impediu muitos dos nossos Associados de serem convocados atempadamente. Porque a greve foi do conhecimento geral, e porque estamos documentados com a factura da entrega da convocatória nos serviços dos. correios em devido tempo, contamos com a vossa compreensão embora como é evidente, a falha não tenha sido da nossa responsabilidade, queremos aqui deixar expresso o nosso pedido de desculpas pelos transtornos causados. É claro que depois deste "caso", esperamos ter aprendido a lição e futuramente tudo faremos para enviar as convocatórias com um prazo mais alargado, o que para quem tem experiência destas coisas sabe que nem sempre é fácil.


Dirigida pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Adrião Mateus, foi desde logo prestada uma homenagem pelos poucos Associados presentes, sob a forma dum minuto de silêncio, em memória do Associado de mérito Luís Vaz, que faleceu recentemente.

Após um largo período de discussão e de esclarecimentos por parte da Direcção relativamente ao Relatório e Contas de 2002 e do parecer do Conselho Fiscal, este segundo ponto foi aprovado por maioria com apenas 4 abstenções e 1 voto contra.

Saliente-se que o Presidente da ANTRAL respondeu a todas as questões colocadas pelos Sócios, abordando assuntos tão diversos como a gestão financeira da Associação, os telefones nas praças, o aumento do preço do gasóleo nos últimos meses, a homologação dos taxímetros, a importância da FPTR, a fiscalidade, e até mesmo as lanternas, que Florêncio de Almeida considera: «o negócio mais complicado que a ANTRAL desenvolveu até hoje».

Quanto ao terceiro ponto: a apreciação, discussão e eventual aprovação de uma proposta da Direcção para que a ANTRAL participe na constituição de uma sociedade anónima com a designação "Protaxisó, Serviços, Formação e Comercialização de Equipamentos para Automóveis S.A", com um capital social de 50 mil euros, foi aprovado por unanimidade.

Quanto ao quarto ponto viria a ser dividido em dois, separando-se a questão da aquisição dos 8% restantes no edifício sede, pertencentes à ARAC, para que a ANTRAL possa adquirir a totalidade desse mesmo edifício, da negociação do edifício onde se encontra a Delegação de Évora. A Assembleia aprovou a aquisição dos 8% da ARAC no edifício sede.

Relativamente à venda do edifício da Delegação de Évora e aquisição de outro com melhores condições naquela cidade, visto tratar-se dum ponto em que um conjunto de Associados sediados em Évora manifestaram o seu total desacordo, entendendo por bem a Direcção da ANTRAL retirar esta proposta, levar o assunto a discussão numa reunião que junte os sócios dos distritos de Beja, Évora e Portalegre, ficando a concretização física desta proposta dependente do parecer favorável dos Associados que trabalham no Alentejo.

Esclarece-se, no entanto, que os Associados de Évora presentes na Assembleia, consideram que a Delegação de Évora da ANTRAL se encontra muito bem localizada, no centro histórico da cidade, serve todos os fins para os quais foi criada incluindo, a partir de agora aqueles que se prendem com a formação e possibilitando que qualquer sócio trate não só dos seus assuntos de Associado, mas também outros de natureza burocrática nas repartições públicas que se encontram a breves minutos de distância da Delegação. Os Associados de Évora fizeram questão de sublinhar que aquela Delegação serve 46 concelhos ,dos distritos Beja, Évora e Portalegre, e ainda 4 concelhos do distrito de Setúbal, sendo de todas as Delegações da ANTRAL aquela que cobre uma maior área territorial.

Relatório


De acordo com o artigo 24 dos Estatutos da Antral, compete à Direcção apresentar, anualmente, à Assembleia Geral, o relatório de actividades e as contas da gerência, correspondentes ao exercício anterior. Entretanto, de entre o que de mais relevante sucedeu, em 2002, permitimo-nos, desde já, e muito sucintamente, salientar o seguinte:

Serviços da associação
Para facilitar o acesso dos nossos associados aos serviços do contencioso, contratamos advogados em Mirandela e Covilhã, para os nossos associados dos distritos de Vila Real, Bragança, Guarda e Castelo Branco.
Decidimos, entretanto, não implementar a criação da taxa moderadora de 5,00 euros, para cada consulta, fixando, no entanto, uma taxa de 25,00 euros a pagar nos casos em que haja lugar à elaboração de um processo para tribunal.

Não fica, no entanto, fora de hipótese a implementação daquela taxa moderadora, uma vez que o agravamento dos custos da assistência jurídica tem sido superior ao ajustamento do valor da quota, parecendo justo que sejam os utilizadores do serviço a contribuírem para este agravamento de custos. Iniciámos, também, os contactos com uma empresa, de organização e métodos, para informatização dos serviços da sede e delegações, que vão estar ligados em rede, e admitimos uma licenciada em direito para chefe de serviços de pessoal, que vai iniciar a sua actividade em 2003.
De registar, ainda, que, logo no início do mandato, foi tomada uma decisão que permitiu pôr cobro a uma situação de quase total descontrolo administrativo, decisão essa que permitiu que as firmas que se inscrevessem como associadas da Antral, desde que essas firmas tenham resultado na transformação em empresa de um sócio em nome individual, que continue a ser o representante da empresa na associação, podiam, se o preferirem, manter o mesmo número de associado.

Legislação do sector
Corno se recordam, em Dezembro de 2001, o então primeiro ministro pediu a demissão e fomos obrigados a esperar a realização de eleições gerais e a tornada de posse de um novo governo, o que atrasou, seriamente, o início do diálogo com a tutela com vista às alterações pretendidas na legislação.
Não obstante, podemos informar que, entre outras, se esperam para breve alterações respeitantes ao certificado de aptidão profissional, cuja obtenção é facilitada, e também no que diz respeito à obrigatoriedade da apresentação de urna garantia bancária por parte dos individuais com vista à obtenção do alvará.
Quanto à validade das licenças, vai ser publicada legislação prorrogando a sua validade até 30 de Junho de 2003, não sendo necessário proceder a qualquer averbamento nas direcções de transportes.
Quanto à instalação de taxímetros e lanternas, já foi publicada a portaria que alarga o prazo até 31 de Dezembro de 2003.

Lanternas e taxímetros
Na sequência do protocolo estabelecido com a Jasil, para a comercialização de lanternas e taxímetros, foi necessário proceder à certificação da lanterna e homologação do taxímetro.
Ternos de realçar a demora de cerca de 8 meses para a certificação que culminou com urna exigência, quanto a nós, absurda do IPQ, que, em 20 de Agosto, ou seja urna semana depois de se ter iniciado a montagem das lanternas Jasil, impediu a selagem dos taxímetros, obrigando os seus representantes a requererem urna aprovação complementar de modelo.
Esta atitude do IPQ levou a Antral a solicitar a intervenção dos tribunais e do governo, urna vez que aquela interferência distorcia o mercado, dava azo a urna situação de monopólio ou abuso de posição dominante, e punha em causa a liberdade dos industriais, que não tinham opções de escolha.
Corno os colegas já se devem ter apercebido, o facto de ter aparecido a lanterna e o taxímetro Jasil levou a urna moralização do mercado, pois o preço destes acessórios desceu a um nível inimaginável em situação de monopólio.
A nossa lanterna já se encontra disponível nos montadores.
Corno sabem, o prazo de instalação foi alargado até 31 de Dezembro. Por sua vez, o taxímetro Jasil, naturalmente, só estará disponível em Maio/Junho p.f.

Sociedade anónima
Corno sabem, desde sempre que a Antral tem uma componente comercial, que tem vindo a revestir importância cada vez maior e, agora, com a comercialização das lanternas e taxímetros atinge um nível, que nos força a equacionar a necessidade de separar os serviços associativos dos serviços comerciais.

Para este efeito, estamos a criar urna sociedade anónima, cujo capital é 100% da Antral.

Do ponto de vista fiscal é a melhor solução, já que a fiscalização que nos acompanhou nos últimos anos e nos foi particularmente penalizante entende que a associação não pode estar no regime geral do IVA, tem que estar no regime de isenção, e, nesta situação, não podemos deduzir o IVA. Por outro lado, a constituição da sociedade comercial vai permitir imputar-lhe custos que diminuirão, substancialmente, a carga fiscal que impende sobre a Antral. A muito curto prazo, vamos apresentar urna proposta à assembleia geral.

Situação fiscal da Antral
Em finais de Dezembro p.p., a AntraI, corno resultado da fiscalização a que foi submetida, tinha urna dívida ao fisco de 369.333,01 euros.
A fiscalização refere-se aos anos de 1994 a 1998.
E, embora a associação esteja a discutir contenciosamente esta matéria o certo é que do ponto de vista jurídico não é nada seguro que se consiga um ganho de causa.
Corno, entretanto, existia a possibilidade de, até ao fim do ano de 2002, pagar ao fisco, beneficiando do perdão de juros e coimas, que elevariam para o dobro aquela importância, a direcção ponderou aquela hipótese, pois, além do mais, a isso foi aconselhada pelo advogado, especialista em direito fiscal, que nos está a tratar do assunto.
Numa situação de controlo financeiro, que a Antral atravessa, neste momento, mercê de uma gestão equilibrada, parece-nos que a opção certa será proceder ao pagamento ao fisco e beneficiar das vantagens oferecidas. Na verdade, a Antral está em condições de assumir os encargos resultantes do eventual financiamento necessário à liquidação da dívida reclamada pela administração fiscal.
E, assim, depois de consultadas as mesas da assembleia geral e do conselho de delegados e o conselho fiscal, foi decidido proceder àquele pagamento.
Em consequência, no final do ano, foi liquidado um total de 297.024,00 euros, uma vez que a associação ainda não tinha sido notificada do remanescente.

Transporte de doentes
Com vista a garantir a continuação da utilização dos táxis, no transporte de utentes do serviço nacional de saúde, foi solicitada uma audiência ao ministro da saúde, a quem pretendemos sensibilizar para esta situação.
Como ninguém ignora, há doentes que, embora carecendo de ser transportados, não precisam de o ser na posição de deitado, com utilização de macas, nem necessitam, durante o transporte, de cuidados de saúde, por não se encontrarem em situação de urgência ou emergência.

E, assim, há doentes que, podem ser transportados, com vantagem, em bancos normais, em viaturas normais, e, portanto, mais confortáveis. Neste contexto, as administrações regionais de saúde têm vindo a socorrer-se de táxis para transporte destes doentes.
Para os utentes, este transporte em táxi resulta muito mais agradável que o efectuado nas chamadas ambulâncias de transporte, e para as ARS, conforme a experiência já inquestionavelmente o demonstra, muito menos oneroso.
A massificação dos cuidados de saúde levou à proliferação de contratos de transporte entre os centros de saúde e os industriais de táxi, sendo que, actualmente, há zonas do país, principalmente no interior e, sobretudo, no Alentejo, onde a sobrevivência deste subsector dos transportes depende, exclusivamente, da manutenção deste serviço.
Como se sabe, a portaria 1147/ /2001, de 28 de Setembro, reconhecendo, embora, que há doentes que podem ser transportados, em bancos ou cadeiras de transporte normais, acaba por inviabilizar o transporte em viaturas que não sejam consideradas ambulâncias.
Esta exigência, para além de penalizar, fortemente, o utente, acaba por se traduzir num desperdício de verbas que poderiam ser canalizadas para melhoria dos cuidados de saúde aos utentes.
A portaria 1147/200 I podia e devia ter definido o que se deve entender como doente para efeitos de transporte. Haverá doentes que necessitam ser transportados em veículos que garantam cuidados de saúde mais ou menos avançados, que são as ambulâncias, e há doentes que podem ser transportados em qualquer tipo de veículos, que só por ficção se poderão chamar de ambulâncias, mesmo de transporte. Ao emitir as credenciais, nada impede que o médico responsável possa indicar que o transporte seja feito em táxi, alternativa que, ainda, hoje, os impressos contêm e é sobejamente utilizada.

A concretizar-se a ameaça, por parte de algumas administrações regionais de saúde, de recusa de autorização de transporte de utentes em táxis, vamos assistir, em muitos concelhos do interior, a situações de desemprego, de consequências sociais semelhantes às ocorridas em outros municípios com o encerramento, por deslocalização, de fábricas de calçado.
Só que, desta vez por manifesta intransigência da administração pública, que, não obstante se viver um período de contenção de despesas, insiste num modelo penalizador dos utentes e esbanjador do dinheiro dos contribuintes. Acresce, ainda, que os nossos associados não entendem que só se possam adjudicar transportes a empresas titulares de alvará e depois o transporte seja efectuado em viaturas que não estão licenciadas para esse tipo de serviço. Nesta conjuntura, a direcção não vai desmorecer na defesa dos interesses dos associados e espera contar com o apoio de todos os colegas para que se consiga a alteração pretendida na portaria 1147/2001, de 28 de Setembro.

Regulamentos municipais
Com as câmaras municipais, a propósito dos regulamentos municipais, continuaram os contactos e reuniões, que nos tem levado a uma autêntica maratona de reuniões.
Estamos, também, a tentar sensibilizar as câmaras para uma uniformização do valor das taxas que vão ser cobradas, pela emissão das licenças e substituições, lembrando que, até agora, a DGTT cobrava apenas 15,00 euros pela emissão das licenças. E, neste sentido, contactámos a ANMP (Associação Nacional de Municípios Portugueses), cuja intervenção foi solicitada para corroborar esta tomada de posição da associação.

Protocolos
No decurso de 2002, temos vindo a dinamizar os protocolos existentes, nomeadamente com a Galp, AVS/Zurich, etc..
Sabendo, entretanto, das dificuldades dos colegas, no que diz respeito aos técnicos de contas, celebramos vários acordos com escritórios de contabilidade, que permitem a prestação de serviços de contabilidade, gestão de pessoal e assessoria fiscal, a preços compatíveis com a realidade deste sector. Como sabem, para uma empresa com uma viatura, o preço cobrado por estes contabilistas é de 40,00 euros/mês, a que acresce IVA, o que, face aos preços que estavam a ser praticados, não pode deixar de se revelar um importante beneficio para os nossos associados.

FPTR
Ao longo do ano, prestamos à Federação de Transportes Rodoviários toda a colaboração, que nos foi possível, pois acreditamos que nos interessa uma FPTR cada vez mais dinâmica e interveniente.
Por outro lado, não foram descurados, antes pelo contrário, foram incentivados os contactos com todas as estruturas organizadas do nosso sector, independentemente das correntes de opinião que defendem.

Revista
Julgamos ter alcançado o objectivo que nos propusemos, pois acreditamos ter tornado a Revista um elemento efectivo como meio de informação do nosso sector e contributo credível na formação dos nossos associados. É, no entanto, nossa intenção continuar a envidar esforços no sentido de a tornar um cada vez melhor meio de comunicação.

Lisboa, 26 de Março de 2003
A Direcção


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