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Distrito de Portalegre e o transporte de utentes do Serviço
Nacional de Saúde
Ao contrário de outros distritos, no distrito de Portalegre,
desde há muito que a ARS do Alentejo Sub- Região de
Portalegre, através dos Centros de Saúde, veio realizando
protocolos onde a Sub-Região se comprometia a pagar directamente
aos industriais de transporte em táxi, os serviços
prestados por estes últimos aos utentes do Serviço
Nacional de Saúde.
Posteriormente, em 01 de Outubro de 2001, depois de verificar
a disparidade existente entre os referidos protocolos, uma vez que
estes eram efectuados a nível local com os Centros de Saúde
de cada concelho, o então coordenador, pressionado pelo delegado
distrital e alguns delegados concelhios, resolveu assinar um protocolo
entre a ANTRAL a nível distrital e a Sub-Região de
Saúde de Portalegre. Para tal foi marcada uma reunião
onde foram discutidos os pormenores do acordo em causa e onde estiveram
presentes, pela ARS, o referido coordenador Dr. José Augusto
Costa, e pela ANTRAL, o vogal da direcção Sr. Florêncio
Plácido de Almeida, o secretário-geral Dr. João
Chaves, o delegado distrital José Diogo Barreiros e eu próprio
como delegado concelhio de Avis.
Na altura saímos satisfeitos da reunião, pois fomos
recebidos por uma pessoa que nos pareceu bastante coerente em relação
à questão do transporte de utentes, que não
parecia de modo algum movido por interesses dúbios, que infelizmente
quase sempre aparecem associados a este assunto, e que considerava
o transporte em táxi como um complemento ao das ambulâncias
e transportes públicos colectivos, estes últimos quase
inexistentes num distrito que é apenas o mais despovoado
do país e por consequência o mais desfavorecido a todos
os níveis. Assinado o documento, tudo parecia no bom caminho,
os industriais de táxi tinham a seu cargo o transporte de
hemodialisados e utentes para consultas e meios complementares de
diagnóstico, que não necessitassem de cuidados especiais
durante o transporte, os bombeiros transportavam os restantes casos,
assim como urgências, etc., etc.
Mas, eis que aparecem mais interessados, mais uma instituição
vocacionada para muitas coisas, até para o transporte de
passageiros ou utentes ou até doentes como lhe queiram chamar,
para mim são todos passageiros, uns que, isso sim, precisam
de cuidados especiais durante o transporte outros não, quanto
a mim só ao médico compete decidir. E é então
que começam os nossos problemas. A Sub-Região de Saúde
de Portalegre, agora já não sob a coordenação
dos mesmos responsáveis, começa por ameaçar
entregar os transportes dos hemodialisados á Cruz Vermelha,
nos concelhos de Portalegre e Elvas, situação contra
a qual nos insurgimos, convencidos de que se isso acontecesse nesses
concelhos aconteceria em todos os outros logo que ali houvesse delegações
dessa instituição.
Perante a nossa indignação, a Sub- Região
pareceu recuar, mas não, andou a congeminar um esquema para
nos cortar as hipóteses de reivindicação, e
por volta do final do ano, fui chamado a uma reunião com
a coordenação da Sub-Região, onde me foi dado
conhecimento que, entre Março e Abril, os transportes de
hemodialisados, deixariam de ser feitos por nós, e que aos
restantes utentes seriam passadas credenciais de transporte público,
e estes por sua vez escolheriam o transporte que mais lhe interessasse,
sendo no entanto reembolsados apenas pelo valor do transporte público
colectivo.
De imediato, contactei a direcção da nossa associação,
que em alguns minutos, e isto é importante que se diga, porque
a direcção teve uma resposta pronta e imediata, me
confirmou a marcação duma reunião entre a direcção
da ANTRAL e a coordenação da Sub-Região. Algumas
horas depois, fui informado pela direcção, que a Sub-Região
de Portalegre tinha relegado para Évora a dita reunião.
No entanto, até fiquei satisfeito, parecia-me um bom presságio,
se a reunião corresse bem, as coisas ficariam a nosso favor.
Finalmente chegou a reunião, confesso que até estava
algo nervoso, afinal estava em jogo não só o meu ganha
pão, mas também o da grande maioria dos industriais
do distrito, que, presumo eu, apostavam em mim como defensor dos
nossos interesses. A reunião não poderia correr melhor,
a coordenadora da Administração Regional de Saúde
do Alentejo, que superintende Évora, Beja e Portalegre, informou-nos
que, efectivamente de acordo com a portaria nº. 1147/2001,
que regulamenta o transporte de doentes, nós não poderíamos
transportar doentes, principalmente os hemodialisados, que, segundo
eles são doentes, mas, e depois de ouvir as nossas argumentações,
se o Ministério estivesse na disposição de
alterar a referida portaria, ela, coordenadora, estava até
interessada em assinar um protocolo com a ANTRAL ao nível
de todo Alentejo, Évora, Beja e Portalegre, garantindo que
entretanto tudo se manteria como estava até haver decisão
do referido ministério.
Saímos satisfeitos, sabendo no entanto que a tarefa não
seria fácil, mas não estava tudo perdido. A minha
missão, como simples delegado distrital, parecia cumprida,
competia agora à direcção convencer o Ministério.
Mas não descansei, mantendo-me regularmente em contacto com
o presidente da direcção, que também me mantinha
informado. O ministério não respondeu, até
agora, aos pedidos de audiência solicitados pela ANTRAL, o
que me entristece, pois fico confuso, os mesmos políticos
que, enquanto oposição, se manifestaram contra as
farmácias sociais, parecem agora a favor dos táxis
sociais, e o mais grave ainda é que a Sub-Região de
Portalegre decidiu avançar, contrariamente ao que alguma,
pouca, comunicação social vai publicando, esta meia
dúzia de indivíduos nomeados, já nos retirou
os transportes de hemodialisados desde dia 30 de Abril e não
retirou todos os outros, porque a TVI mostrou no nos telejornais,
uma reportagem feita numa das freguesias do distrito, onde aparecia
uma senhora que chorava enquanto perguntava o que iria ser dos seus
dois filhos deficientes, pois ela não tinha dinheiro para
o táxi e os transportes públicos colectivos não
correspondem ás necessidades.
Perante tudo isto, que atrás descrevo em jeito de desabafo
e a garantia dada pela coordenadora, na reunião de dia 7
de Maio, de que não iria pagar nem mais um tostão
aos taxistas, restou-nos, caros colegas, dar um prazo ao ministério
da saúde para receber a nossa direcção. Assim,
em reunião de assembleia distrital, ficou decidido que, se
até dia 26 de Maio o ministério não receber
a direcção da ANTRAL, nesse mesmo dia os industriais
do distrito de Portalegre e todos os que nos queiram acompanhar,
deslocar-se-ão para se concentrarem em frente ao ministério
da saúde até que a direcção seja recebida.
Depois do desabafo, resta-me agradecer afincadamente, todo o empenho
da direcção da nossa associação, que
no espaço de algumas semanas se deslocou uma vez a Évora
e três a Portalegre, e, a meu ver, tem envidado todos os esforços
para ver resolvida esta questão.
O delegado distrital por Portalegre
José Armando Paulino Carreiras |