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FARO

Capital duma grande região turística

A cidade de Faro
encontra-se ubicada no
litoral algarvio defronte à
Ria Formosa. Não sendo
uma cidade monumental, é
hoje capital distrital de
toda a região do Algarve,
com uma população
rondando os 40 000
habitantes, dispõe dum
aeroporto internacional
por onde entra
presentemente a
esmagadora maioria dos
turistas estrangeiros, e
desde 1979 dum
importante pólo
universitário que alberga
cerca de 7 500 estudantes.
Tal como no resto do
Algarve, o turismo, ocupa
um papel de relevo na
economia da cidade.

 

 


Presentemente, pouco mais há que ver na cidade de Faro para além do edifício da Sé Catedral, datada da segunda metade do séc. XIII, a Igreja e Convento de S. Francisco, do séc. XVII, a Capela dos Ossos da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a Igreja de S. Pedro, os Arcos da Vila, do Repouso e das Portas do Mar, o edifício setecentista da Casa das Açafatas, o que resta do castelo medieval profundamente adulterado, as Ermidas da Nossa Senhora do Ó e do Pé da Cruz, o edifício da Misericórdia, o Palacete Neo-Árabe do Banco de Portugal e o Paço Episcopal.



Somente o Arco da Vila integra a lista de Monumentos Nacionais, sendo considerados Imóveis de Interesse Público, as Igrejas da Sé e de Nossa Senhora do Carmo, assim como o Celeiro de São Francisco, no interior da cerca seiscentista, onde se podem admirar baixos-relevos do séc. XVIII representando Hércules e o Gigante Adamastot. Faro possui três museus de destaque, a saber: o Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique, o Museu Marítimo e um Museu Regional.

Faro não possui já um centro histórico propriamente dito, mas três bairros ainda relativamente preservados do ponto de vista histórico-arquitectónico, nomeadamente, o Bairro Ribeirinho, o da Vila-Adentro e o da Mouraria / Judiaria, onde predomina a chamada arquitectura chã dos sécs. XVI a XVIII, onde a presença dos telhados em tesoura é uma constante que enche de pitoresco a zona antiga.

Para além do turismo que tem o seu ponto alto no período de Verão e se estende por toda a costa algarvia, a cidade de Faro possui alguma indústria ligada ao sector da serração e do tratamento de madeiras, ao ramo automóvel e à metalo-mecânica, para além da agriculrura intensiva praticada em estufas na campina de Faro e a aqualtura da Ria Formosa.

«NO ALGARVE A NOSSA ACTIVIDADE SÓ É RENTÁVEL NO VERÃO»

- Lamentou o Delegado Distrital de Faro

Jorge Sancho, Delegado Distrital de Faro e Director da Rádio Táxis de Faro, sócio-gereI1te da. empresa Tá.x:is Faro Lda., proprietária de 3 táxis, 2 no concelho de Faro e um no de Olhão, empregando um total de 4 motoristas, revelou à Revista ANTRAL que entre o litoral e o interior do Algarve existem consideráveis assimetrias neste sector de actividade. «No AIgarve a nossa actividade económica, à semelhança de muitas ou tras, é de natureza sazonal. No litoral temos a época de Verão em que se trabalha razoavelmente e a de Inverno em que há pouco trabalho. Quanto ao interior do AIgarve, uma vez que não tem turismo, sofre exactamente dos mesmos problemas do Alentejo e das outras zonas do interior do resto do país. A cidade de Faro de certa forma foge à regra, uma vez que não depende só do turismo, porque tem muitos residentes e a instalaçâo duma universidade deu um grande desenvolvimento à cidade» .Também o Delegado Distrital de Faro garantiu que no Algarve o transporte clandestino é um problema grave: «Durante o Verão, no período em que há rentabilidade, vemos muitas carrinhas clandestinas a trabalhar junto ao aeroporto de Faro e das recepções dos hotéis. Graças a alguns conhecimentos aproveitam-se e conseguem fazer preços mais baratos. Já denunciámos esta situação às autoridades, inclusivamente deram-se as matrículas de carrinhas e de transportes particulares, mas mesmo para a polícia é muito difícil porque só podem actuar se os apanharem em flagrante a receber dinheiro». Jorge Sancho mostrou-se preocupado com a atribuição da regulamentação das licenças às câmaras municipais: «espero que haja uniformização entre todas as câmaras, porque a nível das taxas que pretendem aplicar está-se a verificar uma variação muito grande e preços muito caros. Nós temos câmaras a pedir 250 euros por uma licença, é um absurdo quando as pessoas estavam habituadas a pagar 15 euros à DGTT» - salientou o Delegado Distrital de Faro - «isto é muito complicado numa indústria que se encontra profundamente carenciada»
- concluiu.
No Algarve existem cerca de 400 táxis a trabalhar, sendo 80% das empresas univeículares e 95%, ou mais, associadas na ANTRAL. A região é servida por uma Delegação da ANTRAL, instalada em Faro, garantindo Jorge Sancho que: «a Delegação de Faro tem boas instalações, tem funcionárias competentes que fazem um bom trabalho, inclusivamente, com a ajuda da Direcção têm substituído a falta dum Chefe de Delegação que perdemos. Os problemas jurídicos são resolvidos com a ajuda duma advogada que serve em boas condições as necessidades do sector. Só quando é necessário resolver algum problema de natureza política é que tem de se deslocar alguém de Lisboa para o fazer».
Quanto ao futuro adiantou-nos o seguinte: «eu penso que o futuro do sector não vai ser fácil. A nossa facturação tem vindo a diminuir gradualmente. Temos esperança que esta crise seja apenas cíclica».

Jorge Sancho, Delegado Distrital da ANTRAL por Faro

 

PARQUE NATURAL DA RIA FORMOSA

O Parque Natural da Ria Formosa abrange uma larga faixa litoral da costa algarvia que se estende desde a foz do Ancão até à Praia da Manta Rota, composta por sapais, ilhas e ilhotas, e uma complexa rede de canais. Cidades como Faro, Olhão e Tavira têm em comum o facto de estarem viradas para a mesma ria.

Faro, Barreta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas, constituem os nomes das principais ilhas de forma alongada e com largos quilómetros de praias banhadas pelo Atlântico. Locais de referência no capítulo do turismo de qualidade como as quintas do Lago e do Ludo encontram-se nos limites da área protegida e, praticamente integram, com as suas massas de pinhal manso e bravo, os únicos povoamentos florestais do Parque.

Locais como o Farol da Ilha de St. Maria, a povoação piscatória da Ilha da Culatra, o cubismo do casaria branco, cheio de terraços, pátios e chaminés, de Olhão, constituem autênticas referências plenas de carácter deste Parque Natural.

Uma das melhores vistas da ria e da cidade de Faro pode ser desfrutada de Monte Figo, que funciona como um verdadeiro anfiteatro sobre o mar, a pouco mais de uma dezena de quilómetros da cidade.

ARREDORES DA CIDADE

A poucos quilómetros de Faro situa-se a chamada Estação Arqueológica de Milreu, datadas do período de ocupação romana, onde sobressai um antigo templo datado dos sécs. III/IV da era cristã, algumas colunas de mármore, tanques decorados com mosaicos com peixes, desenhos geométricos.

Perto das ruínas de Milreu encontra-se o Palácio do Visconde de Estói, constituído por 28 divisões, dotado de magníficos jardins, onde se podem admirar estátuas com os bustos de Bocage, Garrett, Marquês de Pombal e de Castilho. O gosto italiano traduz-se nos nos mosaicos decorativos, nas fontes, na estatuária e nos mármores. Portas em ferro forjado, magníficos estuques disfarçam de algum modo o abandono a que foi votado este palácio construído no séc. XVIII.

Vale a pena visitar a localidade de Moncarrapacho, se não for pelo barrocal e pela paisagem, pelo menos para admirar o portal renascentista da igreja matriz com imagens esculpidas. Vale a pena entrar na igreja já que os azulejos pintados do séc. XVII são magníficos.

João Cerqueira

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