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«ESTE
SECTOR DEVE SER OLHADO COM DIGNIDADE E PROFISSIONALISMO»

À semelhança de anteriores edições,
a parte da tarde do 5º Encontro de Delegados deu lugar a
apresentação de comunicações por parte
dos Delegados da ANTRAL.
O Presidente da ANTRAL prestou alguns esclarecimentos no reinício
dos trabalhos.
O Delegado de Alcobaça, Vítor Vicente, lançou
um repto à Direcção para se fazer uma luta
feroz contra o transporte clandestino. António Bastos,
Delegado Distrital do Porto, apelou à Direcção
para esta se manter coesa relativamente ao PEC: «se o Pagamento
Especial por Conta for avante mais vale entregarmos os carros.
Sou militante do PSD mas sintome envergonhado com a atitude que
a Sra. Ministra está a tomar em relação ao
PEC».
«É lamentável que as autoridades nos persigam,
relativamente aos clandestinos as autoridades só não
fazem porque não querem. Nós estamos num País
de bananas» - disse o Delegado Distrital do Porto.
O representante da ANTRAL Madeira teceu elogios ao trabalho
e à coragem da Direcção, sublinhando que
«este sector deve ser olhado com dignidade e profissionalismo».
O Delegado Distrital de Beja abordou a questão da segurança,
descrevendo um caso verídico que ocorreu na sua empresa.

Relativamente ao horário de trabalho o Presidente da ANTRAL
afirmou o seguinte: «nós temos de defender a rentabilidade
da nossa indústria dentro do horário de trabalho que
a lei nos permite. Nós somos escravos do volante. Há
colegas nossos que chegam a passar semanas sem verem os filhos.
Nós sermos obrigados a ter uma escrita organizada como tem
uma multinacional é uma aberração».
DISCURSO DO DELEGADO DISTRITAL DE VILA REAL
A
ANTRAL leva a efeito, uma vez mais, a comemoração
do “Dia do Táxi”, convidando para o efeito os
mais altos representantes que superiormente dirigem este mui nobre
sector de actividade.
Além de este ser mais um aniversário, devemos aproveitar
a ocasião para conjuntamente efectuarmos uma séria
e profunda reflexão sobre o sector e o relacionamento com
as instituições que o tutelam: Governo, DGTT e entidades
fiscalizadoras.
A ANTRAL, no meu entender, nunca se preparou convenientemente para
acompanhar as rápidas transformações que o
nosso país e a Europa sofreram nestas duas últimas
décadas, estando agora, felizmente, a dar alguns passos que
eu considero muito positivos, mas que são ainda insuficientes
em termos de organização interna.
Aproveito esta oportunidade para fazer uma análise e recuar
no tempo, desde a publicação no Diário da República,
do Decreto-Lei 251/98 de 11/08, concedida através da autorização
legislativa solicitada pelo Governo através da Lei 18 de
11/07/97 pela Assembleia da República, provocando assim no
meu entender, uma autêntica revolução de carácter
negativo, agravada pela cumplicidade de alguns associados com grandes
responsabilidade no sector, nos diferentes aspectos, como: a constituição
das sociedades, sistema de segurança, garantia bancária
(em parte já resolvido), certificado de aptidão profissional,
entre outros exemplos negativos.
Os promotores da legislação esqueceram- se, por exemplo,
de alguns factores para a nossa sobrevivência. Refiro-me concreta
e especificamente aos direitos adquiridos, como seja a transmissão
da licença a quem estiver habilitado a conduzir táxis,
e a respectiva autorização para o alvará. Esta
regra é das mais elementares na protecção à
família num estado de direito e de livre concorrência
de mercado, onde é autorizada a transmissão dos seus
bens a todas as profissões liberais. Esta matéria
nunca foi defendida com grande convicção, aceitou-se
simplesmente a transmissão para cooperativas e sociedades,
tentando eliminar progressivamente os empresários em nome
individual e proteger os grupos instalados que estão interessados
em aumentar as suas frotas à custa dos individuais, pois
este sector é constituído por 85% de microempresas
individuais dirigidas pelo próprio que para sobreviver e
proporcionar alguma dignidade social à família tem
de estar no seu local de trabalho 10, 12 e mais horas, incluindo
Domingos e feriados.
Sempre contestei o decreto-lei 251/98 de 11/08 e fiz diversas intervenções,
tanto a nível político como profissional, denunciando
as injustiças de que estávamos José Pimentel
Sarmento, Delegado distrital de Vila Real a ser vítimas,
pois na 1º versão do decreto-lei, não se garantia
aos empresários em nome individual, que somos em larga maioria,
a herança das licenças aos nossos familiares em caso
de morte, o que provocou, com esta medida de coacção,
uma corrida à constituição das sociedades,
criando-lhe por este motivo os custos de que só agora se
começam a aperceber, como o caso do imposto especial por
conta, o pagamento aos Técnicos de Contas, a prestação
de contas, entre outros que vão surgindo. Para quem tem um
volume de negócios entre os 5.000 euros e os 15.000 euros,
já não falando nos Táxis dos meios rurais,
e tendo que suportar os custos da manutenção das viaturas,
segurança social, entre outras despesas obrigatórias,
permitam-me perguntar onde irá a maioria dos taxistas buscar
o dinheiro para suportar tais custos, estando este sector constantemente
a perder mercado, pensando-se até propor, em determinados
pontos do país, incluindo Lisboa, haver uma redução
dos táxis aos fins-de-semana, para tornar esta indústria
mais rentável.
No “Dia do Táxi” do ano de 1999, neste mesmo
recinto, o Sr. Director Geral da DGTT, Eng. Jorge Jacob, na sua
intervenção fez altos elogios a este decreto, considerando-o
inovador e a solução para todos os males do sector,
demonstrando bem o total desconhecimento da realidade desta profissão,
como o provam as várias reacções dos profissionais,
por este país fora, como temos vindo a assistir, apesar de
todos os remendos que o decreto-lei já sofreu.
Em relação ao Certificado de Aptidão Profissional,
embora não contestando o seu espírito, e reconhecendo
que poderia ser uma forma de proteger a profissão, contesto
as exigências descabidas feitas através do caderno
I – II que exige que os taxistas tenham de aprender noções
de direito civil, direito comercial, direito fiscal, direito laboral
e contabilidade, de acordo com a portaria nº334/2000 publicado
em 12/ 06/2000, o que não é justo nem razoável.
São bem vindas todas as medidas do governo destinadas a
melhorar o desempenho profissional dos taxistas, mas não
concordamos com exigências que são impostas e que não
se traduzem na correspondente melhoria dos serviços prestados
aos passageiros. O que nós propomos é que se ajuste
a formação a um exame através do manual, por
isso a formação dos taxistas deve apenas ter por objecto
matéria sobre regulamentação do transporte
em táxi e segurança rodoviária, além,
naturalmente, das normas cívicas de comportamento. Era este
o espírito dos responsáveis da ANTRAL quando se defendia
a carteira profissional.
A proposta de lei que foi agora aprovada na Assembleia da República
em 13/05/2003 não vai resolver definitivamente a situação
e está muito longe de ir ao encontro das reivindicações
da classe, pois não se pode estar 3 meses à espera
que se passe um certificado provisório. Qualquer um de nós
pode ficar impossibilitado de exercer a profissão e precisamos
de uma resolução rápida, embora provisória.
Os nossos compromissos com a família e com a actividade profissional
são diários e ninguém está livre de
adoecer ou até ter um acidente e ficar impossibilitado de
exercer a sua actividade. Também a renovação
do actual certificado de aptidão profissional deve ser permitido
sem qualquer acção de formação, desde
que uma entidade idónea como por exemplo os Presidentes de
Câmara confirmassem que a pessoa em causa continuava a reunir
as condições para exercer a actividade profissional.
Não se podem fazer convenções quando se está
na oposição, como em Coimbra e Lisboa, a defender
a descentralização e depois continuar tudo centralizado
nos grandes centros de decisão. Não se justifica sermos
obrigados a deslocar- nos e permanecer por tempo indeterminado fora
da nossa residência, o que nos acarreta despesas e consequentes
prejuízos na actividade, além dos custos que o país
vai ter com os formadores, que são os únicos beneficiados.
No meu caso pessoal, se for obrigado à formação,
depois de 40 anos de actividade, considero uma provocação.
Outra das grandes preocupações da classe é
o entrave ao transporte de doentes, em táxi, que não
necessitem de viajar acamados, pois as ARS recusam em determinados
pontos do país a utilização dos táxis
para tal fim. Como se sabe a portaria 1147/ 2001, de 28/09 embora
reconhecendo que há doentes que podem ser transportados em
bancos ou cadeiras de transportes normais, acaba por inviabilizar
o transporte em viaturas que não sejam consideradas ambulâncias
penalizando e descriminando fortemente este sector, transporte esse
que constitui a sobrevivência de centenas de nossos colegas
no interior. Embora o Sr. Ministro da Saúde tivesse através
dos órgãos de comunicação social garantido
que este transporte continuaria a ser feito por táxis, gostaríamos
de ver a referida portaria alterada.
Enquanto o Governo, e o Ministério das Finanças denunciam
que muitos taxistas fogem aos impostos – o que eu admito que
seja verdade – circulam por este país fora centenas
de veículos clandestinos de nove e mais lugares, facilmente
identificados com várias faixas, com o nome dos proprietários
e respectivas localidades, com a distribuição, à
vista de todos, de cartões com o n.º de telemóvel,
além da publicidade que regular e descaradamente fazem nas
diversas rádios locais.
Sendo estes veículos clandestinos fortes concorrentes da
Inter Norte, Centro e Sul, além dos táxis, por levarem
os próprios passageiros ao domicílio, colocam em causa,
de forma desleal e sobretudo ilegal, a sobrevivência do nosso
sector, sobretudo nos meios rurais. Estes clandestinos circulam
impunemente nestas regiões fronteiriças e a situação
agravou-se desde que entrámos na União Europeia.
A ANTRAL e os seus representantes regionais bem têm alertado
as autoridades para intensificarem a fiscalização
mas os resultados estranhamente têm sido praticamente nulos,
facto que permite todas as interrogações e especulações,
desmotivando os representantes da nossa associação
que, por vezes, até são insultados, por estes transportadores
clandestinos. Refira-se ainda que mesmo as coimas que lhe são
aplicadas são, por comparação com as nossas,
demasiado leves, o que leva muitos de nós a ponderar se não
será melhor entregar o carro e a licença do que ter
de pagar determinadas coimas. Outro aspecto deplorável do
transporte clandestino é o perigo em que os passageiros viajam
já que para além da nula preparação
dos transportadores, verifica-se que as companhias seguradoras não
se responsabilizam, em caso de acidente, pelos danos ocorridos,
por se tratar de um transporte remunerado e não licenciado
para o efeito. Por tudo isto, o Partido do Governo, além
dos compromissos que assumiu com a classe antes das eleições
e que ainda não cumpriu, deveria ter em consideração
o alto risco que o desempenho desta profissão acarreta e
de que são exemplos cabais os numerosos assaltos, com elevados
prejuízos materiais, e os danos físicos que resultam
em ferimentos de gravidade diversa e em muitos casos na morte do
profissional de transporte.
Realce ainda para o facto de este serviço público
não custar um cêntimo ao Estado, ao contrário
do que acontece com os demais transportes públicos, constantemente
financiados pelo Estado ou seja por todos nós contribuintes.
Não posso terminar, sem deixar uma palavra de elogio a todos
aqueles que têm desempenhado com coragem, postura cívica,
honestidade e dignidade esta profissão tão nobre nos
seus objectivos, mas que tão mal tem sido compreendida por
quem de direito.
José Pimentel Sarmento
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