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DISCURSO DO PRESIDENTE DA CÂMARA
MUNICIPAL DE LISBOA
Sei que
estão aqui taxistas de todo o país, quero dizer-vos
que Lisboa se sente honrada por acolher no presente ano este encontro
nacional do sector.
Em Lisboa estamos a trabalhar, espero que isso possa acontecer
em todo o país, para que os profissionais deste sector tenham
um dia a dia mais seguro. Durante muitos anos o Estado, a nível
central, não quis assumir metade do financiamento do custo
das instalações do GPS, um sistema que garante maior
segurança no vosso dia a dia.
Nós entendemos que é nossa obrigação,
Câmara Municipal de Lisboa, sendo os taxistas parte fundamental
da vida da cidade, bastião importante do seu funcionamento
e da sua eficácia no dia a dia, que este sistema de ligação
à central das forças de segurança, com a detecção
permanente do sítio onde se encontram e a possibilidade de
comunicação a todo o momento, possa e deva assumido,
até porque, neste caso, a segurança é uma obrigação
dos poderes públicos garanti-la, por um poder público
se o Estado a nível central não o quer fazer. A CML
vai fazê-lo e financiar de consciência tranquila a instalação
do GPS para todos os táxis desta cidade. Espero que isto
possa acontecer no país todo e lutarei noutras funções
para que isso aconteça.
Estamos a trabalhar para que estes profissionais possam ver satisfeitas
reivindicações antigas, melhorando assim as suas condições
de trabalho. Este ano já foi autorizada a criação
de 4 novas praças de táxis. Foi autorizado o alargamento
para uma zona da Praça do Rossio que estava vedada, também
aqui fomos ao encontro da reivindicação do sector,
isto é, permitir que os táxis possam parar dentro
da Praça do Rossio.
No capítulo da higiene encontra-se em desenvolvimento a
colocação de instalações sanitárias
nas praças de táxis, principalmente aquelas que estão
em zonas mais livres e que não dispõem de estabelecimentos
comerciais nas suas imediações, como por exemplo a
do Hospital de Santa Maria e outras. Cerca de 6 instalações
sanitárias chegam dentro de semanas e serão colocadas
também ao serviço dos profissionais do sector para
garantia dessa higiene e do trabalho mais eficaz no dia a dia.
O trabalho para a construção da chamada central
de compras, para a construção do lar do taxista, que
garanta uma vida mais digna aquando da sua aposentação,
são aspectos que estão a ser desenvolvidos para serem
colocados em instalações próximas com as Associações
representativas do sector.
Espero que seja possível que o sector apresente propostas
conjuntas, não é fácil para nós fazer
uma central de compras para cada Associação. Contudo,
iremos procurar atender às realidades concretas do trabalho
e da organização do sector, principalmente no que
respeita ao lar, ao centro social do taxista, nós temos as
instalações livres e disponíveis, junto à
Calçada da Ajuda, cuja obra pode começar ainda este
Verão. Há outra alternativa, mas esta tem o local
livre para que as obras possam começar antes do dia 21 de
Setembro, indo ao encontro também duma reivindicação
que foi apresentada pelo sector.
Conheço bem as dificuldades económicas que atingem
a vossa actividade, sei que quanto mais se trabalha na expansão
do metropolitano mais difícil é a procura de táxis.
Estamos a trabalhar para que esta expansão do metropolitano
seja acompanhada por outras medidas que favoreçam a vossa
actividade. Há zonas em Lisboa cujo acesso a automóveis
privados já se encontra interdito, outras irão ser
abrangidas por esta medida, principalmente nas zonas históricas,
na Baixa, no Terreiro do Paço, zonas que irão ter
o acesso condicionado ou interdito, e que irão ser servidas
pelos transportes públicos à superfície, porque
muitas delas não têm metropolitano, nem se prevê
que venham a tê-lo pelo menos nas décadas mais próximas.
Em Lisboa, cada vez contaremos mais com o táxi e cada vez
menos os privados terão de contar com o seu próprio
automóvel. A partir do mês que vem, irão ser
tomadas medidas idênticas em Alfama àquelas que tomámos
no Bairro Alto. E outras se seguirão no futuro para impedir
ou taxar a circulação do automóvel privado
em várias zonas da cidade. Haverá cada vez mais espaço
para a circulação e para a procura dos táxis.
Espero que haja no país todo a mesma sensibilidade para
com as dificuldades deste sector que nós estamos a procurar
ter nas medidas que tomamos em Lisboa. Não é nas horas
fáceis que se testam e se avaliam as solidariedades e as
sensibilidades. É nas alturas de maior crise e de maior dificuldade
que quem governa, quem decide, a nível central, a nível
local, tem de ter imaginação e sensibilidade para
compreender as dificuldades de cada sector e tomar as medidas, não
cegamente, mas de forma equilibrada, tendo em conta a realidade
específica de cada actividade.
Não posso dar aquilo que não temos. Mesmo esta questão
do GPS é uma matéria em relação à
qual alguns levantaram dúvidas, dizendo que o sector dos
transportes não estaria na atribuição das autarquias,
mas está a questão da segurança. A segurança
no município é também atribuição
da Câmara e para nós é motivo de preocupação
cimeira a segurança dos nossos taxistas.
Há uma maneira muito simples de tomarmos as decisões
correctas em política, basta colocarmo-nos no lugar dos outros
e das suas famílias, pensarmos se fôssemos taxistas
ou familiares de quem tem esta actividade qual a medida que gostaríamos
que quem está no poder tomasse para garantir o direito à
vida, à nossa segurança e à nossa civilidade.
Eu só peço em troca aquilo que sei que dão
muito e cada vez mais á cidade de Lisboa e ao país:
que seja dada a eficácia no atendimento, a correcção
dos procedimentos, a simpatia que torna Lisboa e o país cada
vez mais um espaço do mundo onde os turistas são acolhidos
como deve ser.
Estou atento às negociações que têm
lugar no aeroporto em relação à localização
dos táxis e à maneira como os táxis podem receber
quem chega ao aeroporto. A situação que existia tem
de ser corrigida, mas atropelar os direitos dos taxistas em Lisboa
e no resto do país da minha parte não contará
com nenhuma solidariedade, ou beneplácito, ou consentimento,
ou sequer silêncio quando a altura chegar. Lisboa precisa
sempre e muito dos taxistas. São um espelho de Lisboa, são
o espelho de Portugal. Estamos a tentar tomar medidas com as forças
policiais que temos, gostaria de ter mais efectivos, há mais
bloqueadores, há mais reboques, para lutar contra o estacionamento
em segunda fila, vamos alargar os corredores de BUS, vamos tornar
mais difícil o acesso da passagem dos privados para os corredores
de BUS. São medidas que estão prontas e vão
ser postas em execução este Verão, quando muitas
pessoas estão de férias e o trânsito é
mais ligeiro. Conto com o vosso apoio para implementar estas medidas
difíceis porque sei que elas não serão facilmente
entendidas por outros sectores da população.
Considero-vos minhas amigas e meus amigos. Quando as vossas lutas
forem justas. Quando tiverem dificuldades eu nunca estarei do outro
lado, se for preciso dar a mão a alguém, dar-vos-ei
a mão para procurar assegurar-vos as melhores condições
para o vosso dia a dia, para a justiça das vossas vidas quando
têm uma vida tão difícil.
Boa sorte para todos vós!
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