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O
Homem sonha,
a obra nasce!
Alfredo Gama Santos
Temos
evitado falar do trabalho realizado pela actual Direcção
porque poderia parecer “vaidade” referirmo-nos aos aspectos
positivos do nosso desempenho. Mas, já que estamos a meio
do nosso mandato e porque modéstia em excesso também
pode ser mal interpretado, permitimo-nos, hoje, destacar o essencial
da obra realizada, até porque é para nós extremamente
importante saber a vossa opinião quanto ao que fizemos e
ao que ficou por fazer. Tanto as vossas críticas como o vosso
apoio são fundamentais para a avaliação e desenvolvimento
futuro da missão que, com o vosso voto, nos foi confiada.
Quando chegámos à Direcção da Associação
as nossas preocupações e a nossa acção
foram de imediato absorvidas por dois temas para os quais era então
urgente encontrar soluções; a reorganização
dos serviços internos da ANTRAL, dado que o caos estava instalado
e, como muitos verificaram e se lembram, com enormes inconvenientes
e mesmo prejuízos pelas demoras e falhas com que então
se funcionava. Constatámos que por não terem sido
tomadas em devido tempo as medidas que se impunham, os serviços
foram-se degradando e os ficheiros ficaram desactualizados, os processos
dos Sócios estavam empilhados às centenas em caixas
amontoadas pelo chão da secretaria.
Até que a normalidade fosse reposta, vimo-nos a braços
com uma tarefa árdua e dispendiosa, realizada durante meses
de trabalho em “horas extraordinárias” de um
considerável número de funcionárias. Por outro
lado, o grave problema criado ao sector pela legislação
do CAP, mobilizou-nos para um trabalho persistente de reuniões
difíceis em que tudo fizemos para fazer valer os nossos argumentos
contra um sistema já implantado, mas que, custasse o que
custasse, era, e ainda é, urgente alterar, lutando contra
o tempo e ultrapassando todas as adversidades originadas desde logo,
porque quando tomámos posse o país estava a ser governado
por um executivo demissionário. Arregaçámos
as mangas e sem desânimos, com muita persistência, lá
conseguimos convencer o novo governo a alterações
legislativas que, esperamos, tenham finalmente sido concretizadas
quando lerem estas linhas.
Ainda no que respeita ao CAP, iremos continuar a nossa luta até
que a formação profissional, cujos objectivos compreendemos
e aceitamos, não sirvam interesses que impeçam o regular
funcionamento da nossa actividade e que, finalmente, corresponda
de forma adequada às nossas necessidades no que respeita
a qualificações profissionais.
O Homem sonha, a obra nasce! Neste sentido, estamos a criar as
condições para certificação junto da
INOFOR, com vista a ministrarmos os cursos de formação
profissional no âmbito do CAP.
Durante este período, como se sabe, tem estado a decorrer
a implementação de legislação que transfere
poderes, na área dos transportes em táxi, para as
câmaras municipais. É difícil aqui dar-vos a
noção da dimensão do trabalho desenvolvido
pela Direcção e pelo nosso Secretário- Geral,
Dr. João Chaves, junto das autarquias. A elaboração
dos Regulamentos Municipais de Transportes em todo o país
exigiu, da nossa parte, uma participação pronta e
decidida com vista ao indispensável esclarecimento de dúvidas
de muitos responsáveis autárquicos que, em inúmeros
casos, davam os seus primeiros passos nesta matéria.
A nossa acção evitou muitas irregularidades e até
alguns “disparates”. Percorremos milhares de quilómetros
quase sempre em “contra relógio”, participámos
em inúmeras reuniões de trabalho; valeu a pena, pois
se nem tudo ficou bem feito, muito pior teria sido se não
tivéssemos estado atentos e se não nos disponibilizasse-mos
de imediato para esta missão, em que a nossa experiência
resultou num excelente investimento para o nosso sector e assumiu
enorme importância junto dos responsáveis autárquicos
com preocupações em pelouros relacionados com a nossa
actividade.
Outra das nossas muito sérias preocupações
prende-se com a problemática do transporte de doentes. Este
é um assunto em aberto para o qual temos mobilizado boa parte
do nosso esforço e que, não obstante, não tem
ainda solução à vista. Conseguimos firmar alguns
protocolos com ARS para o transporte de doentes em táxis,
mas muito está por fazer; é uma tarefa difícil,
esta de convencer os responsáveis da área da saúde,
de que o transporte em táxi, quando o utente do S. N. S.
não precisa de viajar acamado, tem vantagens, que nos parecem
evidentes, sobre o transporte em ambulâncias.
Não tem sido nada fácil contrariar a interpretação
da legislação em vigor sobre este tema, mesmo quando
a prática demonstra que esta é desadequada e até
injusta; mas como todos sabem, é muito complicado, por razões
óbvias, lutar contra os interesses das corporações
de bombeiros, mesmo aquelas que, claramente, se transformaram em
empresas de transportes, que, inquestionavelmente, podem ser considerados
irregulares e até mesmo clandestinos. Não cruzaremos
os braços e, seguramente, iremos até ao limite da
força e da vontade que nos vem do facto de estarmos seguros
da nossa razão.
Falando da nossa acção, em jeito de “balanço”,
não podemos de deixar de nos referirmos ao movimento que
liderámos contra o famigerado PEC (Pagamento Especial por
Conta). A ANTRAL esteve à frente da contestação
contra este estúpido e cego imposto. Foi notória a
nossa capacidade de mobilização e a nossa Associação
foi referência para muitas outras associações
que gostariam de ter capacidade para assumir idêntica atitude.
O prometido “Grupo de Trabalho” está já
a funcionar e acreditamos que os resultados a que, a curto prazo,
chegaremos, serão seguramente positivos para todos os nossos
Associados.
Acreditamos que a justiça das nossas pretensões terá
que ser, e será, tida em conta. O VI Dia do Táxi traduziu-se
num enorme sucesso. Aparte um pequeno problema, resultante do número
insuficiente de lugares sentados para o almoço e cuja responsabilidade
foi já assumida pela empresa encarregue da sua organização,
o VI Dia do Táxi tornou-se mais uma inequívoca manifestação
da capacidade de organização e mobilização
do nosso sector e uma jornada de convívio da qual todos temos
motivos para nos regozijarmos.
Conforme vos demos a saber e a Assembleia Geral aprovou, em devido
tempo, tomámos a iniciativa e concretizámos a constituição
da nossa, melhor dizendo “vossa”, nova empresa, a PROTÁXISÓ,
SA., com capital integralmente realizado pela ANTRAL, e que visa
retirar da Associação a vertente comercial, com consequentes
vantagens fiscais, tendo como objectivo principal dotar o nosso
sector de alternativas comerciais e de serviços que permitam,
pela sua intervenção no mercado que se relaciona com
o nosso sector, contribuir para a necessária redução
dos custos de exploração da nossa actividade e assim
promover a merecida e justa rentabilidade a que também temos
direito.
Tentaremos, por todos os meios ao nosso dispor, lançar esta
nova empresa, de cuja acção futura convictamente acreditamos
que, uma vez apoiada e acarinhada por todos, muito podemos esperar.
É que, sem dúvida, se quisermos, unidos nós
somos uma grande força!
Por último, mas também principalmente, não
podemos deixar de nos referir àquele que será porventura
o projecto mais emblemático da nossa Direcção:
a aquisição de um novo edifício para Sede da
ANTRAL em Lisboa, para instalação dos serviços
e da Central de Compras liderada pela PROTAXISÓ SA. A este
propósito, chamo a atenção dos leitores para
o editorial subscrito pelo nosso Presidente.
Conforme já foi dito e reconhecido, trata- se de um projecto
“arrojado” e “ambicioso”; mas, estamos assim
a dar passos definitivos com vista ao futuro de uma ANTRAL que queremos
moderna e dinâmica, capaz de dar resposta adequada aos muitos
desafios que temos pela frente.
Tão sucintamente quanto possível, embora muitos outros
temas fiquem por abordar, foram estas as acções mais
marcantes do nosso ano e meio de mandato; mas outro ano e meio temos
ainda pela frente para saldar o compromisso que assumimos convosco
e cumprir o plano de acção que vos propusemos. A pensar
em vós e na resolução dos vossos problemas,
convosco, continuaremos a trabalhar com determinação
e entusiasmo; nós sabemos que “quando o Homem sonha,
a obra nasce!”... Bem hajam!
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