Hoje, pacificada, com
as relações comerciais bilaterais ao rubro
e, dada a proximidade da principal fronteira do País,
é a porta por onde passa uma infinidade de pessoas
e bens com proveniência ou rumo à Europa
comunitária.
Fundada em 1199 por D. Sancho I, foi desde logo a
cidade da Guarda tornada sede de bispado e nela se construiu
uma imponente catedral, onde sobressai um magnífico
rendilhado gótico que se vislumbra muitos quilómetros
em redor.
Totalmente construída em granito, as obras
da catedral tiveram início no reinado de D. João
I, datada da mesma época e lavra do famoso Mosteiro
da Batalha, só no século XVI viu concluídas
as obras graças ao espírito e boa vontade
do bispo D. Vaz Gavião. No seu interior vale
pena destacar o espectacular retábulo renascentista
de João de Ruão.
O importante papel defensivo reservado à cidade
da Guarda ao longo dos séculos preservam-se ainda
hoje vestígios históricos como alguns
panos de muralha, as portas dos Ferreiros, da Estrela
e d’El-rei.
Janela quinhentista
A Guarda alberga ainda importantes igrejas como a de
S. Vicente, reconstruída pelo bispo D. Jerónimo
de Carvalhal e Silva no Séc. XVIII e a da Misericórdia,
uma construção vistosa do período
joanino. Uma palavra também para a pequena Capela
do Mileu, uma jóia românica datada do Séc.
XI, construída mesmo às portas da cidade.
Aqueles que demandam esta altaneira, nobre e serrana
cidade podem também visitar o Museu Regional
da Guarda, que preserva a memória desta antiquíssima
região com legado desde o período da ocupação
romana até aos nossos dias. Algumas das peças
que ali se encontra vieram da estação
arqueológica de Milreu. Da Catedral da cidade
veio também um altar do Séc. XVI de Juão
de Ruão e existem alguns quadros da célebre
oficina do mestre Grão-Vasco. |
“A CÂMARA DA
GUARDA QUER COBRAR UM VALOR
MUITO ALTO PELA RENOVAÇÃO DAS LICENÇAS”
- Queixou-se o Delegado Distrital da Guarda
Fernando Carlos Andrade, Delegado Distrital da Guarda,
encontra-se ligado ao sector há quatro décadas,
tendo-se estabelecido por conta própria vai já
para 20 anos. Presentemente, gere uma empresa univeícular
conduzindo a sua própria viatura.
Fernando
Carlos Andrade deu-nos conta duma situação
altamente preocupante: «só desde o ano
passado, na Guarda, o serviço prestado pelos
táxis baixou cerca de 50%. Na cidade ainda vamos
sobrevivendo com os pequenos serviços, mas nas
aldeias os problemas são ainda maiores, pelo
que a manutenção dos serviços com
a ARS são essenciais».
Aliás, esta tem sido uma luta em que o Delegado
Distrital da Guarda continua empenhado: «junto
com a ANTRAL fizemos um protocolo com a ARS para os
serviços de táxi. Estes serviços
têm sido feitos apenas por meia dúzia de
“industriais” e eu tenho estado a elaborar
um levantamento de todos os concelhos do distrito para
que todos possam beneficiar desse serviço. No
nosso distrito operam mais de 600 viaturas táxi
e, só na Guarda, são trinta e uma».
Segundo Fernando Carlos Andrade, um outro problema
grave com que os “industriais” do concelho
da Guarda se confrontam presentemente prendese com o
elevado valor que a câmara pretende cobrar pelas
licenças: «a câmara quer-nos cobrar
120 euros pela renovação das licenças.
A Direcção da ANTRAL já se deslocou
connosco à Câmara Municipal da Guarda para
tentarmos resolver este problema. Prometeram-nos tudo,
nomeadamente, que iríamos pagar o mesmo que na
cidade da Covilhã, onde cobram 25 euros, mas
a verdade é que continuam a querer cobrar o mesmo.
Ainda agora pedi ao Presidente da ANTRAL para intervir
junto da câmara. Eles estão a fazer confusão
porque pedem por uma renovação o valor
duma licença nova. A culpa é do governo
porque quando sai uma lei devia ser igual em todo o
país».
O Delegado Distrital da Guarda atacou também
o PEC, salientando estar convencido que nas aldeias
mais pobres do distrito da Guarda muitos taxistas vão
entregar as licenças: «um táxi numa
aldeia não factura mais de 2500 euros por ano.
Como é que vão pagar 1250 euros? De que
é que vão viver?»
Fernando Carlos Andrade não augura boas perspectivas
para o futuro do sector, no entanto, lançou um
apelo a todos os colegas para que tenham coragem porque
em 40 anos de actividade já enfrentou de tudo,
já teve altos e baixos e hão-de vir dias
melhores. |
|

UMA CIDADE VIRADA PARA O FUTURO
Á semelhança de outras cidades do interior,
a Guarda perdeu entre 1960 e 1990 mais de 20% da sua população,
albergando hoje esta capital distrital perto de 40 000 habitantes.
O índice de envelhecimento da população
residente é bastante elevado o que coloca alguns problemas
de difícil resolução.
Do ponto de vista do panorama sócioeconómico
a cidade da Guarda virou-se na década de oitenta, fundamentalmente,
para o sector dos serviços, nas áreas da construção
e obras públicas, do comércio retalhista, hotelaria,
restauração e banca. Atento ao potencial turístico
da região, o sector hoteleiro tem-se mostrado particularmente
dinâmico nos últimos anos.
No capítulo da indústria propriamente dita,
há que destacar a presença de multinacionais
do sector do material eléctrico, e a sobrevivência,
embora com muitas dificuldades, dalgumas unidades da área
têxtil, uma indústria tradicional na região,
que mesmo assim ainda representa hoje cerca de 40% do emprego
no segmento industrial daquele distrito da Beira interior.
A partir de meados da década de oitenta instalaram-se
na Guarda o Instituto Politécnico, a Escola Superior
de Educação e a Escola Superior de Educação,
adquirindo o ensino superior uma posição estratégica,
nomeadamente, também com a administração
de cursos de engenharia topográfica e ambiente, fixando
na cidade uma elevada percentagem de população
estudantil.
SERRA DA ESTRELA
A cidade da Guarda integra o maciço granítico
da Serra da Estrela, a mais alta de Portugal Continental,
que na zona da Torre atinge os 2000 m de altitude.
A Estrela é a única serra portuguesa que apresenta
claros vestígios de vales glaciares, como é
o caso do vale do Zêzere, a montante de Manteigas e
onde são praticados desportos de Inverno, com zonas
de apoio nas Penhas da Saúde, Piornos e Penhas Douradas,
graças ao forte manto de neve que quase todos os Invernos
a cobre, dando-lhe uma beleza ímpar, e enchendo-a de
turistas e excursionistas vindos dos mais diversos lugares
de Portugal.
Os
relevos mais impressivos da Serra são os chamados cântaros
– Magro, Gordo e Raso, gigantescas moles graníticas
de paredes escarpadas, onde os amantes do alpinismo e da escalada
encontram paisagens rasgadas por profundas gargantas e perigosas
ravinas.
A criação de gado e o pastoreio, uma das principais
actividades da região, há muito perderam a pujança
de outrora, chegando a albergar uma população
de 40 000 ovelhas e 30 000 cabras. Mesmo assim ainda é
hoje uma actividade importante. E se a lã proveniente
das ovelhas já não dispõe de muitas fábricas
de lanifícios nas abas da serra para ser escoada, o
famoso Queijo da Serra continua a ser considerado unanimemente
como um dos melhores do país, e a ser produzido desde
o Fundão até Pinhel.
Daqui é oriunda também o famoso cão
Serra da Estrela, uma raça autóctone de grande
porte, a única em Portugal que durante séculos
fez frente aos lobos, levando quase sempre a melhor.
ARREDORES DA GUARDA
A menos de meia centena de quilómetros desta importante
capital distrital encontram-se algumas das aldeias e vilas
históricas mais belas de Portugal.
Linhares da Beira, a poucos quilómetros de Celorico
da Beira, expõe um magnifico conjunto de casario granítico,
dominado por um impressivo castelo incrustado na própria
rocha, apresentando ainda hoje um invejável número
de solares e casa brasonadas, remontando algumas delas ao
período manuelino.
Castelo Mendo, a caminho da fronteira de Vilar Formoso,
uma aldeia rodeada por muralhas medievais onde os habitantes
vão escasseando, alcantilada sobre um maciço
granítico de 700 metros de altitude que domina o Rio
Côa, é uma verdadeira “pérola”
abandonada, repleta de casas senhoriais, algumas delas dotadas
de varandas alpendradas. Um pelourinho, uma calçada
romana, um castelo românico-gótico e uma Igreja
românica semi-arruinada, completam a lista de encantos
“mágicos” desta nobre povoação.
Menos de 20 Km a norte de Castelo Mendo, a vila fortificada
de Almeida, dotada duma das mais bonitas fortalezas do país,
oferecendo ainda aos olhos do visitante imponentes construções
militares como as Casamatas e o Quartel das Esquadras.
Cidades históricas como Pinhel ou Trancoso, ou vilas
como Celorico da Beira, Belmonte, Sortelha e Sabugal, são
igualmente dignas duma visita mais demorada.
João Cerqueira |