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GUARDA

A cidade mais alta do país

Situada no coração da
antiga província da Beira
Alta a cidade da Guarda é
a mais alta de Portugal,
encontrando-se a 1056 m
de altitude, sobre o flanco
Norte da Serra da Estrela.
Foi uma importante e
antiquíssima praça de
guerra, cuja posição altaneira
permitia vislumbrar
o invasor espanhol desde as
terras da raia.

 

 

 

 

 

Fortaleza de Almeida
nos arredores da Guarda

Hoje, pacificada, com as relações comerciais bilaterais ao rubro e, dada a proximidade da principal fronteira do País, é a porta por onde passa uma infinidade de pessoas e bens com proveniência ou rumo à Europa comunitária.

Fundada em 1199 por D. Sancho I, foi desde logo a cidade da Guarda tornada sede de bispado e nela se construiu uma imponente catedral, onde sobressai um magnífico rendilhado gótico que se vislumbra muitos quilómetros em redor.

Totalmente construída em granito, as obras da catedral tiveram início no reinado de D. João I, datada da mesma época e lavra do famoso Mosteiro da Batalha, só no século XVI viu concluídas as obras graças ao espírito e boa vontade do bispo D. Vaz Gavião. No seu interior vale pena destacar o espectacular retábulo renascentista de João de Ruão.

O importante papel defensivo reservado à cidade da Guarda ao longo dos séculos preservam-se ainda hoje vestígios históricos como alguns panos de muralha, as portas dos Ferreiros, da Estrela e d’El-rei.


Janela quinhentista


A Guarda alberga ainda importantes igrejas como a de S. Vicente, reconstruída pelo bispo D. Jerónimo de Carvalhal e Silva no Séc. XVIII e a da Misericórdia, uma construção vistosa do período joanino. Uma palavra também para a pequena Capela do Mileu, uma jóia românica datada do Séc. XI, construída mesmo às portas da cidade.

Aqueles que demandam esta altaneira, nobre e serrana cidade podem também visitar o Museu Regional da Guarda, que preserva a memória desta antiquíssima região com legado desde o período da ocupação romana até aos nossos dias. Algumas das peças que ali se encontra vieram da estação arqueológica de Milreu. Da Catedral da cidade veio também um altar do Séc. XVI de Juão de Ruão e existem alguns quadros da célebre oficina do mestre Grão-Vasco.

“A CÂMARA DA GUARDA QUER COBRAR UM VALOR
MUITO ALTO PELA RENOVAÇÃO DAS LICENÇAS”

- Queixou-se o Delegado Distrital da Guarda

Fernando Carlos Andrade, Delegado Distrital da Guarda, encontra-se ligado ao sector há quatro décadas, tendo-se estabelecido por conta própria vai já para 20 anos. Presentemente, gere uma empresa univeícular conduzindo a sua própria viatura.

Fernando Carlos Andrade deu-nos conta duma situação altamente preocupante: «só desde o ano passado, na Guarda, o serviço prestado pelos táxis baixou cerca de 50%. Na cidade ainda vamos sobrevivendo com os pequenos serviços, mas nas aldeias os problemas são ainda maiores, pelo que a manutenção dos serviços com a ARS são essenciais».

Aliás, esta tem sido uma luta em que o Delegado Distrital da Guarda continua empenhado: «junto com a ANTRAL fizemos um protocolo com a ARS para os serviços de táxi. Estes serviços têm sido feitos apenas por meia dúzia de “industriais” e eu tenho estado a elaborar um levantamento de todos os concelhos do distrito para que todos possam beneficiar desse serviço. No nosso distrito operam mais de 600 viaturas táxi e, só na Guarda, são trinta e uma».

Segundo Fernando Carlos Andrade, um outro problema grave com que os “industriais” do concelho da Guarda se confrontam presentemente prendese com o elevado valor que a câmara pretende cobrar pelas licenças: «a câmara quer-nos cobrar 120 euros pela renovação das licenças. A Direcção da ANTRAL já se deslocou connosco à Câmara Municipal da Guarda para tentarmos resolver este problema. Prometeram-nos tudo, nomeadamente, que iríamos pagar o mesmo que na cidade da Covilhã, onde cobram 25 euros, mas a verdade é que continuam a querer cobrar o mesmo. Ainda agora pedi ao Presidente da ANTRAL para intervir junto da câmara. Eles estão a fazer confusão porque pedem por uma renovação o valor duma licença nova. A culpa é do governo porque quando sai uma lei devia ser igual em todo o país».

O Delegado Distrital da Guarda atacou também o PEC, salientando estar convencido que nas aldeias mais pobres do distrito da Guarda muitos taxistas vão entregar as licenças: «um táxi numa aldeia não factura mais de 2500 euros por ano. Como é que vão pagar 1250 euros? De que é que vão viver?»

Fernando Carlos Andrade não augura boas perspectivas para o futuro do sector, no entanto, lançou um apelo a todos os colegas para que tenham coragem porque em 40 anos de actividade já enfrentou de tudo, já teve altos e baixos e hão-de vir dias melhores.

UMA CIDADE VIRADA PARA O FUTURO

Á semelhança de outras cidades do interior, a Guarda perdeu entre 1960 e 1990 mais de 20% da sua população, albergando hoje esta capital distrital perto de 40 000 habitantes. O índice de envelhecimento da população residente é bastante elevado o que coloca alguns problemas de difícil resolução.

Do ponto de vista do panorama sócioeconómico a cidade da Guarda virou-se na década de oitenta, fundamentalmente, para o sector dos serviços, nas áreas da construção e obras públicas, do comércio retalhista, hotelaria, restauração e banca. Atento ao potencial turístico da região, o sector hoteleiro tem-se mostrado particularmente dinâmico nos últimos anos.

No capítulo da indústria propriamente dita, há que destacar a presença de multinacionais do sector do material eléctrico, e a sobrevivência, embora com muitas dificuldades, dalgumas unidades da área têxtil, uma indústria tradicional na região, que mesmo assim ainda representa hoje cerca de 40% do emprego no segmento industrial daquele distrito da Beira interior.

A partir de meados da década de oitenta instalaram-se na Guarda o Instituto Politécnico, a Escola Superior de Educação e a Escola Superior de Educação, adquirindo o ensino superior uma posição estratégica, nomeadamente, também com a administração de cursos de engenharia topográfica e ambiente, fixando na cidade uma elevada percentagem de população estudantil.

SERRA DA ESTRELA

A cidade da Guarda integra o maciço granítico da Serra da Estrela, a mais alta de Portugal Continental, que na zona da Torre atinge os 2000 m de altitude.

A Estrela é a única serra portuguesa que apresenta claros vestígios de vales glaciares, como é o caso do vale do Zêzere, a montante de Manteigas e onde são praticados desportos de Inverno, com zonas de apoio nas Penhas da Saúde, Piornos e Penhas Douradas, graças ao forte manto de neve que quase todos os Invernos a cobre, dando-lhe uma beleza ímpar, e enchendo-a de turistas e excursionistas vindos dos mais diversos lugares de Portugal.

Os relevos mais impressivos da Serra são os chamados cântaros – Magro, Gordo e Raso, gigantescas moles graníticas de paredes escarpadas, onde os amantes do alpinismo e da escalada encontram paisagens rasgadas por profundas gargantas e perigosas ravinas.

A criação de gado e o pastoreio, uma das principais actividades da região, há muito perderam a pujança de outrora, chegando a albergar uma população de 40 000 ovelhas e 30 000 cabras. Mesmo assim ainda é hoje uma actividade importante. E se a lã proveniente das ovelhas já não dispõe de muitas fábricas de lanifícios nas abas da serra para ser escoada, o famoso Queijo da Serra continua a ser considerado unanimemente como um dos melhores do país, e a ser produzido desde o Fundão até Pinhel.

Daqui é oriunda também o famoso cão Serra da Estrela, uma raça autóctone de grande porte, a única em Portugal que durante séculos fez frente aos lobos, levando quase sempre a melhor.

ARREDORES DA GUARDA

A menos de meia centena de quilómetros desta importante capital distrital encontram-se algumas das aldeias e vilas históricas mais belas de Portugal.
Linhares da Beira, a poucos quilómetros de Celorico da Beira, expõe um magnifico conjunto de casario granítico, dominado por um impressivo castelo incrustado na própria rocha, apresentando ainda hoje um invejável número de solares e casa brasonadas, remontando algumas delas ao período manuelino.

Castelo Mendo, a caminho da fronteira de Vilar Formoso, uma aldeia rodeada por muralhas medievais onde os habitantes vão escasseando, alcantilada sobre um maciço granítico de 700 metros de altitude que domina o Rio Côa, é uma verdadeira “pérola” abandonada, repleta de casas senhoriais, algumas delas dotadas de varandas alpendradas. Um pelourinho, uma calçada romana, um castelo românico-gótico e uma Igreja românica semi-arruinada, completam a lista de encantos “mágicos” desta nobre povoação.

Menos de 20 Km a norte de Castelo Mendo, a vila fortificada de Almeida, dotada duma das mais bonitas fortalezas do país, oferecendo ainda aos olhos do visitante imponentes construções militares como as Casamatas e o Quartel das Esquadras.

Cidades históricas como Pinhel ou Trancoso, ou vilas como Celorico da Beira, Belmonte, Sortelha e Sabugal, são igualmente dignas duma visita mais demorada.

João Cerqueira


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