| TARIFAS,
MAIS UMA VEZ 
A crise que o sector atravessa, a mais grave da sua história,
não cessa de se agravar, face não só à
falta de coragem política dos sucessivos governos para implementar
as medidas indispensáveis à solução
dos problemas que nos atingem, como, também, devido ao atraso
sistemático com que, anualmente, são implementadas
as novas tarifas, que, aliás, não cobrem os custos
de exploração, e, ainda, igualmente, fruto dos agravamentos
imponderados dos vários componentes da estrutura de custos,
entre os quais se destaca o preço do gasóleo, cujo
preço, como sabem, em 2002, sofreu um agravamento superior
a 7%.
Como os colegas sabem, a Antral, desde sempre, defendeu que as
tarifas dos táxis deveriam entrar em vigor simultaneamente
com as tarifas dos transportes colectivos.
Ao longo do tempo, estas negociações não têm
sido nada fáceis, pois somos, sistematicamente, confrontados
com um limite máximo para os aumentos imposto pela administração
pública, limite este que fica muito aquém das nossas
necessidades e que não podemos ultrapassar, e que, na prática,
acaba por reduzir e até inviabilizar a rentabilidade deste
sector.
E esta situação de intransigência persiste
mesmo quando a Antral confronte a administração com
um estudo económico que justifique o aumento reivindicado
pela associação.
Não podemos esquecer que a conjuntura não nos é
nada favorável, a oferta é de longe muito superior
à procura, o parque automóvel privado cada vez aumenta
mais, os transportes colectivos vão chegando a todo o lado,
e os táxis têm cada vez menos serviço.
Mas, neste confronto negocial, o impasse verificado, quando deparamos
com a intransigência em superar a fasquia apresentada pelo
governo, acaba se traduzir no atraso da entrada em vigor das tarifas.
Em 2002, como se recordam, a última convenção
foi assinada na pressuposição de que, em 2003, era
simultânea a entrada em vigor das tarifas dos transportes
rodoviários.
E, neste sentido, em Dezembro findo, logo no princípio do
mês, solicitamos o início das negociações.
Até, agora, porém, apenas se efectuou uma reunião
e parece que ainda nos encontramos longe da sua conclusão.
Face aos aumentos verificados na estrutura de custos, foi proposta
uma actualização no valor de 5%.
Na convicção, porém, de que a solução
dos problemas do sector não passa só por aumentos
tarifários, mas antes pela implementação de
um conjunto de medidas que há muito a indústria vêm
reivindicando e que o governo bem conhece, e que passam pela competência
de vários ministérios, como o dos Finanças,
Transportes, Trabalho e Economia, a Antral não tem vindo
a inviabilizar as negociações, demonstrando, sempre,
uma verdadeira capacidade negocial construtiva.
Ao mesmo tempo, temos vindo a intensificar a pressão junto
do governo, procurando sensibilizar a tutela para a urgência
da implementação de medidas:
. sobre o certificado de aptidão profissional,
cuja emissão tem de ser facilitada,
. sobre a flexibilização
da oferta, aproveitando as novas estruturas
das Autoridades Metropolitanas de
Transportes,
. sobre a necessidade de não impedir e até
facilitar o recurso aos táxis para o transporte de utentes
do Serviço Nacional de Saúde,
. sobre a criação de um sistema simplificado
de tributação, o chamado imposto único,
. sobre a isenção total do IA, na
aquisição de viaturas,
. sobre os apoios para a renovação
da frota, etc., etc..
Entretanto, o atraso na conclusão das negociações
está a acarretar sérios e irreversíveis prejuízos
ao sector, uma vez que, ao não ter sido concretizado o pressuposto
da entrada em vigor simultânea das tarifas, se estão
a falsear os objectivos que levaram as associações
representativas do sector à assinatura da convenção
2002, nos exactos termos em que o fizeram.
Assim sendo, e face a pressão dos nossos sócios já
fizemos saber que nos preparamos para mobilizar os nossos associados
para manifestações de protesto, caso
não sejam concluídas atempadamente as negociações.
Quando esta edição chegar ás mãos dos
colegas ou já se encontra em vigor o novo tarifário
ou então estaremos preparados para uma grande mobilização
de protesto.
É evidente, no entanto, que a conclusão das negociações
não nos pode fazer baixar os braços nem desmobilizar
na defesa dos legítimos interesses do sector, que passa pela
implementação das medidas já reivindicadas.
Última hora. Podemos, desde já,
informar os nossos associados, que se chegou a acordo, quanto às
tarifas. O preço do km foi fixado em 0,34 euros e o mínimo
de cobrança em 3,00 euros.
Quanto aos táxis, a bandeirada foi fixada em 1,90 euros e
as fracções passam a 0,10 euros cada 300 m. Nos táxis,
o tempo de espera é fixado em 0,10 euros cada 42 segundos
e, no serviço ao km, a espera é 0,14 euros por minuto.
Florêncio Plácido de Almeida
Presidente da Direcção
|