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SEMINÁRIO
Regulação dos Transportes
Realizou-se
no Centro
de Congressos de Lisboa um
seminário subordinado ao tema
“Regulação Transportes”, promovido
pelo Concelho Estratégico de
Transportes da AIP emparceria
com o CEDIPE. A ANTRAL participou
no painel dedicado à regulação do
Transporte Terrestre, moderado
pelo Director Geral dos
Transportes Terrestres,
Jorge Jacob.
INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DA DIRECÇÃO
DA ANTRAL
Em primeiro lugar quero, em meu nome pessoal e da associação,
agradecer o facto de me proporcionarem esta intervenção.
Antes de me referir, mais em pormenor ao tema deste seminário,
permitam- me que caracterize, em traços gerais, a associação
e esta actividade. A Antral tem, actualmente, cerca de 10.000 sócios,
ou seja representa mais de 90% do sector.
Dos industriais que exploram o sector, mais de 90% tem uma só
viatura, com a qual o próprio industrial trabalha e que constitui
a sua principal fonte de receita. Nos últimos anos, segundo
um estudo, financiado pela DGTT, e publicado em meados dos anos
90, este sector de transportes perdeu cerca de 30% de clientes,
prevendo, ainda, um agravamento nos anos seguintes o que veio a
acontecer.
A evolução recente, no sector de transportes em táxi
não foi favorável a este meio. Com efeito, verifica-se,
no sector, um excesso de oferta, e, por outro lado, a agravar a
situação, as tarifas praticadas não permitem
a rentabilidade desejada. Para o excesso da oferta, para além
dos aumentos de contingente, muito contribuiu o espectacular aumento
do parque automóvel privado, verificado nestes últimos
10 anos.
Relativamente às tarifas, não podemos deixar de salientar
que, durante 24 anos, entre 1950 e 1974, não se verificou
qualquer actualização tarifária, sendo certo
que os preços praticados são im- Realizou-se no Centro
de Congressos de Lisboa um seminário subordinado ao tema
“Regulação Transportes”, promovido pelo
Concelho Estratégico de Transportes da AIP em parceria com
o CEDIPE. A ANTRAL participou no painel dedicado à regulação
do Transporte Terrestre, moderado pelo Director Geral dos Transportes
Terrestres, Jorge Jacob. SEMINÁRIO Regulação
dos Transportes postos pelo Governo, que fixa um tecto que não
se pode ultrapassar, e que pouco ou nada tem a ver com a realidade
do sector. Com efeito, depois de 1975, os aumentos tarifários,
impostos pela administração central, foram sempre
inferiores aos agravamentos dos custos de exploração.
Por sua vez, a legislação, entretanto, publicada não
foi suficientemente longe para promover a massificação
da utilização deste meio de transporte, podendo, até,
vir a contribuir para o agravamento das condições
de exploração.
Na verdade, em Agosto de 1998, foi publicado um pacote legislativo
que introduziu profundas alterações no sector. E a
Antral não deixou se congratular com o objectivo, que esteve
na origem do referido pacote, de prosseguir a melhoria de qualidade,
a que deve obedecer a prestação destes serviços.
Infelizmente, porém, estamos longe de poder atingir aqueles
objectivos, nomeadamente devido ao irrealismo de certas soluções
e também à falta de coragem para dar respostas adequadas
à situação do sector.
E, assim, o sector dos táxis permanece o parente pobre
dos transportadores. Com efeito, no panorama dos transportes, em
geral, e nos transportes rodoviários, em particular, o subsector
que a Antral representa, e que constitui, inegavelmente, uma peça
importante no transporte público rodoviário, é
o mais frágil, o que menos tem merecido a atenção
dos governantes, o que praticamente nunca recebeu apoios, ajudas
ou subsídios, o que significa que ninguém lhe reconhece
o verdadeiro serviço público que presta.
A começar pelo gasóleo profissional, não podemos
deixar de registar pela negativa que, até hoje, não
se verifiquem indícios seguros de que os táxis sejam
incluídos na directiva comunitária sobre a matéria.
No entanto, a Antral continuará a insistir na aplicação
deste benefício, que, a implementar-se, poderá concorrer
para a desejada massificação da utilização
do táxi, que ficará mais competitivo, contribuindo,
igualmente, não só para uma redução
da utilização do transporte privado, como também
para tornar o sector mais apto a defender-se da concorrência
desleal que lhe é movida. Como se sabe, são às
centenas as carrinhas e carros particulares, que, impunemente, fazem
transporte remunerado de passageiros.
Impõe-se, nesta matéria a intensificação
da fiscalização e uma adequada formação
das forças policiais. Quanto ao CAP, permito-me recordar
que, desde sempre que a Antral tem vindo a defender a implementação
de uma carteira profissional, que pudesse contribuir para a dignificação
do sector e para a substancial melhoria da qualidade dos serviços
prestados. Mas, a Antral pretende a implementação
de carteiras para motoristas e não para licenciados.
E o esquema que foi encontrado é totalmente irrealista,
prevendo, para além de cursos de reciclagem, cursos de 1.200
horas, agora reduzidos para 900 horas, e, no mínimo, cursos
de 200 horas .... O absurdo desta situação ressalta
ainda mais quando comparamos esta carga horária com a prevista
na nova directiva comunitária. Em vez de 900 horas, a directiva
prevê 200, e em vez de 200, prevê 140. Pergunta-se como
é possível aguentar a manutenção da
actual carga horária neste sector? Desde 1998, que a Antral
tem vindo a procurar sensibilizar a entidade reguladora, com vista
à alteração deste esquema, pretendendo também
a implementação de uma solução realista
que preveja a emissão facilitada do certificado de aptidão
profissional.
Finalmente, em 17 de Setembro último, foi aprovado um projecto
de decreto-lei que poderá contribuir para minimizar a situação
com que se debate o sector no que se refere á mão-de-obra.
Porém, decorridos quase dois meses da sua aprovação,
ainda não foi publicado, o que revela, quanto a nós,
uma menor preocupação por parte da administração
central para os problemas do sector. Ainda no que respeita ao CAP,
iremos continuar a defender a nossa posição até
que a formação profissional, cujos objectivos compreendemos
e aceitamos, não sirvam interesses que impeçam o regular
funcionamento da nossa actividade e que, finalmente, corresponda
de forma adequada às nossas necessidades no que respeita
a qualificações profissionais.
Por outro lado, no que se refere à renovação
da frota, nunca foram definidas políticas ou criadas linhas
de crédito com juro bonificado que permitissem a desejada
renovação da frota de táxis, que tem uma idade
média superior a 8 anos. Esta falta de apoio, que revela
também alguma insensibilidade, por parte da entidade reguladora,
que não se pode demitir da obrigação de criar
as condições para o exercício da actividade
de transportador público rodoviário, acaba por se
reflectir numa cada vez maior importação de viaturas
em segunda mão. Igualmente, no que diz respeito à
segurança, o governo nunca regulamentou a Lei 6/98, de 31
de Março, o que tem vindo a impedir a implementação
de medidas que minimizem o respectivo risco. E registe-se, pela
positiva, o que aconteceu recentemente em Lisboa.
A Câmara Municipal da capital consciente de que o problema
da segurança dos motoristas de táxi continua a assumir
uma especial acuidade, em particular pelo facto de este grupo profissional
apresentar uma grande vulnerabilidade, o que, aliás, levou
à adopção de medidas legais específicas,
e consciente de que cabe à administração pública
a implementação de medidas que minimizem o respectivo
risco, decidiu avocar a si a resolução do problema
da segurança para os taxistas de Lisboa, substituindo-se,
assim, nesta matéria à administração
central, o que prova, mais uma vez, a marginalização
a que este sector é submetido.
No que se reporta ao enquadramento jurídico fiscal, desde
sempre que a Antral tem vindo a defender para o sector um imposto
único, ou seja um imposto que substituísse o IVA,
o IRC e IRS. Sempre entendemos que as características de
exploração deste sector apontam para um tratamento
diferenciado dos restantes contribuintes. Na verdade, o nosso sector
é constituído por milhares de microempresas, sem qualquer
estrutura administrativa de suporte, que, só a muito custo,
é que conseguem ter uma contabilidade organizada.
Esta estrutura organizacional, aliada à cultura empresarial
dominante e ao instinto de defesa, perante a administração
fiscal, conduzem a que os resultados apresentados sejam frustrantes,
e, frequentemente, revistam a forma de conflito. Sabemos que a implementação
do imposto único acarretará a impossibilidade de continuar
a proceder à dedução do IVA, já que
com o imposto único deixará de ser obrigatório
qualquer tipo de contabilidade. Efectuámos um inquérito,
junto dos nossos associados, que se revelaram dispostos a aceitar
não só a implementação deste regime,
como também manifestaram o desejo de o ver aprovado, a curto
prazo, pois deixariam de suportar encargos com técnicos de
contas. Para a aceitação do imposto único,
o único óbice levantado dizia respeito à dedução
do IVA, aquando da aquisição das viaturas.
Mas, atendendo ao facto de, em geral, este sector ser credor de
IVA, julga-se não haver dificuldade em obter a permissão
para a dedução do IVA, na aquisição
de viaturas. Não é de mais salientar as vantagens
mútuas da implementação deste regime. Para
além de poder servir de regime piloto, a alargar a outros
sectores, semelhantes, não podemos esquecer o benefício
directo que o Estado teria, dado que, actualmente, dada a situação
de crise que se vive nesta actividade, a esmagadora maioria das
empresas apresenta prejuízos. Por seu lado, terminaria por
certo com uma situação de conflitualidade que acaba,
fatalmente, por se reflectir, negativamente, na imagem da Administração
Fiscal.
Com a implementação do PEC, a situação
das microempresas deste sector, que na sua maioria facturam menos
de 15.000,00 euros/ano, não lhes permite suportar o encargo
com o pagamento deste verdadeiro imposto. Entretanto, como sabem,
na sequência do protesto que a Antral liderou, em Julho passado,
foi constituído um grupo de trabalho para estudar o novo
enquadramento jurídico da actividade de transportador em
táxi. O grupo apresentou, dentro do prazo que lhe foi fixado
o respectivo relatório ao governo, e, em sequência,
recebemos um projecto de diploma que possibilita, até 31
de Julho de 2004, a extinção, sem custos, das actuais
sociedades, por forma a que os interessados possam continuar a exercer
a actividade sob a forma de empresários em nome individual.
A Antral não se conformou com este projecto, pois considera
que o que está em causa é a justiça do PEC,
que não deve ser pago por um sector que não é
livre de praticar os preços que lhe permita o equilíbrio
da exploração da sua actividade. E neste sentido,
solicitámos, com urgência, uma audiência à
Ministra da Justiça, com vista à introdução
das alterações ao Código do IRC, por forma
a permitir que as sociedades de transportadores em táxi sejam
equiparadas para efeitos fiscais às sociedades de profissionais
referidas no art.º 6.º daquele código, como, aliás,
se refere no relatório do grupo de trabalho, do qual fez
parte um representante do ministério da Justiça. Fomos,
entretanto, informados que esta alteração tem de passar
pela nossa tutela, a quem vamos, de imediato, solicitar uma audiência.
Por sua vez, com vista a assegurar uma cada vez maior competitividade
a este sector, impõe-se a isenção do IA, na
aquisição de viaturas novas. Recorde-se que este subsector
de transportes públicos é o único que paga
IA.
Florêncio Plácido de Almeida
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