ISPA
Psicologia do Tráfego
em debate
Realizaram-se, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada
(ISPA), as II Jornadas de Psicologia do Tráfego, uma
iniciativa, subordinada ao tema “Investigação
e Intervenção na realidade Portuguesa”,
da responsabilidade da Prevenção Rodoviária
Portuguesa.
Este encontro contou com a presença do Secretário
de Estado da Administração Interna, Nuno Magalhães,
reuniu diversos representantes de entidades que desenvolvem
actividades no âmbito da circulação rodoviária,
com o objectivo de reflectir sobre as metodologias aplicadas
nas acções preventivas de inspiração
clínica com condutores e candidatos a condutores.
As jornadas contaram com intervenções de Oliveira
Martins, Presidente da PRP, Frederico Pereira, Director do
ISPA, e de Carlos Amaral Dias, membro da comissão científica
das II Jornadas de Psicologia do Tráfego. Na sessão
de encerramento, foi realizado um workshop, da responsabilidade
do Prof. Doutor Eric Milliner (EUA) que consistiu na apresentação
e discussão de um caso clínico.
OS FACTORES PSICOLÓGICOS NA ATITUDE
DO CONDUTOR
A psicopatologia do desenvolvimento tem fornecido importantes
contributos para uma melhor compreensão dos processos
mentais inerentes aos comportamentos de risco. Nas acções
de reabilitação de condutores infractores procura-se
que o sujeito, livre da pressão judicial (basicamente
repressiva e punitiva) encontre uma perspectiva essencialmente
compreensiva. Os objectivos destas acções passam
por criar uma ruptura com os comportamentos infractores ou
de risco para favorecer a emergência de atitudes positivas
em relação ao Código da Estrada (as regras,
a lei) e a tomada de riscos.
O objectivo final é a mudança de posicionamento
do sujeito face à realidade rodoviária, à
atitude perante o risco, culminando numa atitude de preocupação
pela segurança. Dos diferentes grupos de condutores,
os adolescentes assumem particular importância, dado
que se encontram num período de mudanças onde
os comportamentos desviantes e conflituais têm consequências
ao nível da sua atitude perante a condução.
Neste sentido, a PRP tem vindo a desenvolver desde 1999 um
projecto de formação para adolescentes de 14
e 15 anos, candidatos a uma Licença Especial de Condução
de ciclomotores por forma a, através de uma análise
psicológica e de ensinamentos práticos, prevenir
futuros acidentes.
Nestas acções de formação é
possível, perante os casos em que haja necessidade,
reencaminhar os adolescentes para acompanhamento psicológico.
Outro grupo de condutores, cuja taxa de sinistralidade se
apresenta bastante elevada é o grupo dos condutores
de motociclos. Apesar de o motociclo ser, na maior parte das
vezes, uma fonte de sentimentos eufóricos, de prazer,
de poder pessoal e, de a velocidade provocar emoções
positivas e entusiasmo nos condutores, pode também,
despertar sensações disfóricas, de origem
ansiogénica nos motociclistas. Por isso, torna-se necessário
estar atento à ansiedade dos motociclistas por forma
a encarar a prevenção rodoviária como
um todo.
PERSONALIDADE
E AGRESSIVIDADE EM CONDUTORES
Num estudo realizado por Ricardo Mendes no ano passado,
onde participaram 236 indivíduos condutores de
veículos automóveis (121 do sexo masculino
e 115 do sexo feminino) com idades compreendidas entre
os 18 e os 84 anos, foi possível concluir que:
· As transgressões
e os acidentes registados acontecem, maioritariamente,
em indivíduos do sexo masculino entre os 18 e
os 34 anos de idade;
· A Extroversão com
faceta Procura de Excitação e Neuroticismo
com faceta Hostilidade e a condução Agressiva
são fortes preditores de acidentes rodoviários;
· Existe uma relação
causa/efeito entre o desrespeito pelo sinal vermelho,
as manobras perigosas, o excesso de velocidade e os
sinistros viários.
· Os condutores idosos são
os mais favoráveis à implementação
de medidas repressivas na condução;
· Os condutores com menos de
cinco anos de carta de condução apresentam
um estilo de condução mais agressivo,
enquanto os condutores com mais de cinco anos de carta
conduzem de uma forma mais defensiva. |
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