
A
segunda etapa
Está a terminar o ano de 2003, e como Presidente da
Antral a exemplo do que fiz no último editorial de
2002, não posso deixar de me referir, embora sinteticamente,
ao segundo ano do nosso mandato.
E, agora, como então, não posso deixar de fazer
uma referência aos profetas da desgraça, que
auguravam as maiores calamidades, que mais uma vez viram frustrados
os seus intentos.
Na verdade, perdoem-me a imodéstia, mas, ao contrário
do que anteviam os profetas, esta direcção,
decorridos que foram dois terços do seu mandato vai
ficar na história da Antral.
E se outros motivos não houvesse, bastava a criação
da Protaxisó - Serviços, Formação
e Comercialização de Equipamentos para Automóveis,
S.A., e a aquisição das novas instalações,
para tornar esta direcção merecedora e credora
do aplauso dos associados.
Felizmente, porém, temos mais motivos de orgulho.
Levámos a bom termo a novela da lanterna Jasil, que
agora já pode ser instalada em conjunto com todas as
marcas de taxímetros, Taxitronic incluída.
Demonstrámos que a Direcção tinha razão,
e agora quem não nos compreendeu que tire a suas ilações.
Moralizamos o mercado destes dois acessórios, pois
como os colegas já se aperceberam, com a entrada no
mercado da Antral, o preço destes acessórios
desceu a um nível inimaginável em situação
de monopólio.
Estamos, também, a dimensionar a associação
para prestar um cada vez melhor serviço aos associados,
procurando, igualmente, levar a Antral para mais junto dos
sócios. Assim, ao mesmo tempo que estamos a concluir
a informatização dos serviços da sede
e delegações, que vão estar ligados em
rede, estamos a envidar esforços junto das autarquias
das cidades capitais de distrito com vista à disponibilização
de um terreno, que se pretende com cerca de 2.500 metros quadrados,
pois, para além da assistência jurídica,
e de uma estação de serviço, que possa
fornecer combustível, nomeadamente gás e gasóleo,
e lubrificantes, pretendemos instalar um centro de apoio a
todos os industriais do distrito que lhes permita aceder a
uma vasta gama de serviços, tais como a aquisição
e instalação de taxímetros e de lanternas,
centro de dia, etc., etc..
Este projecto já germinava em mim, desde 1996, mas
não consegui sensibilizar os meus colegas de direcção,
na altura, para avançar com o projecto, foi necessário
chegar a Presidente para que este sonho começasse a
concretizar-se, esperando, assim, que a sua concretização
se traduza em grande benefício para tos os nossos associados.
Pretendemos desta forma concretizar o nosso objectivo de
ir ao encontro dos nossos associados e tornar a Antral mais
perto de cada sócio.
E os primeiros resultados já começaram a chegar.
Beja, Castelo Branco, Portalegre e Viana do Castelo já
prometeram disponibilizarem os terrenos pretendidos, sendo
que Lisboa, além do terreno, também ofereceu
um prédio com cerca de 700 metros quadrados de área
coberta, onde a Antral vai instalar um centro de dia, para
servir todos os nossos associados da cidade de Lisboa.
O projecto de recuperação, a expensas da autarquia,
deverá iniciar- se no 1.º trimestre do próximo
ano, esperando poder inaugurar o centro de dia antes de finalizar
2004.
De registar, também, as obras feitas na delegação
de Évora, com vista a possibilitar a utilização
da delegação para cursos de formação
de motoristas de táxi.
No domínio da legislação, finalmente
foi publicada a alteração ao decreto-lei 263/98,
de 19 de Agosto, e foi reconhecida a impossibilidade do cumprimento
do prazo para a instalação das lanternas e taxímetros.
Assim, os veículos que neste momento já têm
instalado o taxímetro terão de montar a lanterna
até 31 de Março do próximo ano.
Os restantes, ou seja, quem não tem taxímetro,
terão que montar este aparelho e a lanterna até
31 de Dezembro de 2004.
Muita coisa fica, ainda, por contar, mas temos de deixar
matéria para o relatório.
É evidente que também muita coisa não
correu como pretendíamos, mas não nos pouparemos
a esforços para tentar conseguir os nossos objectivos.
É o que se passa com a falta de regulamentação
do decretolei 298/2003, de 21 de Novembro, que alterou o decreto-lei
263/98, de 19 de Agosto.
A Antral não pode pactuar com esta situação,
pois a falta de regulamentação impede a aplicação
prática das alterações introduzidas.
Por outro lado, há elevados montantes de coimas já
aplicadas e, contra toda a expectativa, continuam a ser fixadas
coimas, o que desvirtua o consenso obtido nesta matéria,
em reunião ao mais alto nível.
Confiamos que, mais tarde ou mais cedo, apareça alguém
que nos faça justiça.
É, também, o que se passou com o PEC.
Devemos registar, que foi a Antral a única associação
que conduziu publicamente uma forte contestação
a este autêntico imposto.
Como se recordam, na sequência de reuniões havidas,
em 9 de Julho, no Ministério das Finanças, sobre
o enquadramento fiscal da nossa actividade, acabámos
por desconvocar a concentração protesto marcada
para o dia seguinte, em Lisboa.
Entre as condições criadas que nos permitiram
desconvocar a concentração, contava-se a criação
de um grupo de trabalho, para estudar um novo enquadramento
juríco da nossa actividade.
Na sequência da apresentação do relatório
do grupo de trabalho, foram aprovados, em Conselho de Ministros,
dois diplomas.
Um Decreto-Lei que permite, até 31 de Julho de 2004,
a dissolução sem custos, das actuais sociedades
que tenham por objecto o exercício da actividade de
transportes em táxi, permitindo, ainda, sem custos,
o registo do início de actividade sob as formas de
empresário em nome individual ou de estabelecimento
individual de responsabilidade limitada, e um Decreto Regulamentar
que estabelece a isenção, até 31 de Julho
de 2004, das taxas previstas para a emissão do alvará.
Nestes termos, quem optar pela dissolução da
sociedade não pagará o PEC e serão tributados
em IRS.
Desta forma, não podemos deixar de admitir que foram
resolvidos os problemas de muitos dos nossos associados, que
sempre manifestaram interesse em manter-se como empresários
em nome individual.
Não obstante, a direcção da Antral,
que sempre entendeu que o que estava em causa era a justiça
do PEC, promoveu uma reunião dos órgãos
sociais da associação para análise da
posição do Ministério das Finanças
que se tinha revelado indisponível para encontrar uma
solução autónoma com vista a um enquadramento
fiscal mais justo para este sector.
Os órgãos sociais da Antral, reunidos em 28
de Novembro de 2003, depois de considerar que, lamentavelmente,
a Ministra das Finanças não honrou o compromisso
assumido com a Direcção da Antral, em 9 de Julho
último e tendo em conta que a Associação
é uma instituição responsável
que não se pode demitir da obrigação
de defender os interesses dos seus associados, e ainda ponderada
a inoportunidade de mais manifestações de rua,
esgotadas que foram todas as hipóteses de diálogo
com a Ministra das Finanças, decidiram manifestar,
expressamente, todo o apoio à Direcção
da Antral e mandatá-la para accionar todos os mecanismos
legais necessários até que seja decretada a
inconstitucionalidade do PEC.
Na verdade, para além da injustiça do PEC
para este sector, o que, desde o início, está
em causa, é a sua evidente inconstitucionalidade, atendendo
a que viola claramente o princípio da capacidade contributiva
cuja preservação é imposta pela tutela
do princípio da propriedade privada e pelo princípio
da livre iniciativa económica, configurando-se, assim
como um empréstimo forçado, um confisco não
assumido, aplicado por via legislativa.
Este pedido de inconstitucionalidade já foi formulado
junto do Provedor de Justiça.
Desta forma, ao longo de 2004, vamos prosseguir os esforços
no sentido de conseguir que, para este sector, entre em vigor,
o mais rapidamente possível, um novo enquadramento
fiscal que deverá ter em conta a especificidade da
sua exploração e principalmente o facto de não
se poder, nesta actividade, fixar os preços que lhe
permita atingir o equilíbrio da sua rentabilidade.
O enquadramento fiscal pretendido passaria pela integração
deste sector no regime das sociedades constituídas
por profissionais liberais, que além de empresários
são também trabalhadores da empresa, ou, em
alternativa, através da definição dos
indicadores de rentabilidade que permitam a sua integração
num regime simplificado de tributação por viatura,
sem a obrigatoriedade de escrita organizada.
Estaremos atentos ao comportamento da Ministra das Finanças
e actuaremos em conformidade.
Assim, os colegas deverão estar atentos à caixa
do correio ou à próxima revista, pois não
deixaremos de os contactar e, eventualmente, mobilizar para
a defesa dos nossos direitos.
Com as câmaras municipais, a propósito dos regulamentos
municipais, tivemos uma autêntica maratona de reuniões,
mas ainda não conseguimos a uniformização
do valor das taxas que estão a ser cobradas pela emissão
das licenças e substituições, lembrando
que, até agora, a DGTT cobrava apenas 15,00 euros pela
emissão das licenças.
No que se diz respeito ao transporte de doentes, estivemos
na frente da contestação à situação
de injustiça criada pela aplicação cega
da portaria 1147/2001. Esta contestação, como
se recordam, obrigou a Direcção a um esforço
tremendo com deslocações frequentes a Portalegre.
Infelizmente, ainda não se conseguiram superar as dificuldades
levantadas pela nova administração da ARS de
Portalegre que muito tem prejudicado os colegas deste distrito,
a quem deixo expressa a minha solidariedade.
Espero, contudo, que, a muito curto prazo, seja publicada
a portaria com as alterações necessárias
para pôr fim aos entraves suscitados por uma interpretação
mais fundamentalista da actual portaria 1147/2001.
Para os nossos colegas do distrito e para todos afinal espero,
sinceramente, que o novo ano que se avizinha seja francamente
melhor.
Mesmo para terminar, quero deixar expresso um voto de agradecimento
aos colegas da direcção por todo o apoio que
me deram, que muito facilitou a minha tarefa e sem o qual
não teria sido possível atingir os objectivos
alcançados, voto este extensivo aos restantes membros
dos órgãos sociais e a todos os colegas de boa
fé.
Com efeito, os meus colegas da direcção têm
sido inexcedíveis no trabalho desenvolvido em prol
da Antral, não regateando nem esforços nem energias,
com vista à defesa dos legítimos interesses
dos nossos associados.
A todos o meu Bem Haja.
Florêncio Plácido de Almeida
Presidente da Direcção |